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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

GOSTAVA MUITO DE IR FALAR À TELEVISÃO


Cat2007

10.05.08

 

Escritor britânico George Orwell

 

"A LUA" foi um post que eu escrevi em Outubro de 2007. Agora, em Maio de 2008, apareceu lá um comentário da... TVI! Da TELEVISÃO???????????? Pois. Creio que desejavam que eu fosse, já na próxima segunda feira, à televisão dizer porque não gosto do trabalho que faço. QUEM EU?!

 

Reacção pessoal:  QUEREM QUE EU VÁ À TELEVISÃO! OH! E a isto se seguiu uma manifestação de jubilo impossível de reproduzir por palavras. E depois veio a expressão de toda a minha gratidão sob a forma de oração: "Obrigada Senhor por me dares esta oportunidade de conquistar os 15 minutos de fama prometidos por teu filho e servo, o santo George Orwell. Ámen". Não sei por quanto tempo me quedei de joelhos ainda. 

 

Enfim, reli o post. É uma construção feita na linha do desabafo semipúblico (porque isto é um blog pessoal público). Coisa muitíssimo desinteressante, portanto (o desabafo, não o blog, bem entendido). Com efeito, este tipo de desabafos respondem a momentos de crise pouco profunda. A estados temperamentais momentâneos ou, pelo menos, passageiros. Não têm qualquer tipo de valor.. hum... cientifico? ou...enfim, outro que valha a pena considerar. No mais, os desabafos são coisas para fazer em casa. Actos de trazer por casa, como aquelas peças de roupa que já não temos coragem de usar em lado nenhum, mas que nos fazem sentir confortáveis. Já os abafos, não. Os abafos são coisas muito úteis para levar à rua nos dias de inverno. Portanto, já se vê: os abafos são socialmente muito mais aceitáveis do que os desabafos.  

 

Todos nós gostaríamos muito de ir falar à televisão. Há, até, gente que, de resto, se submete aos piores embaraços só para aparecer na televisão. E porquê? Porque falar na televisão é garantia de que muitos milhares de pessoas nos ouvem. Isto para quem todos os dias é sujeito a desconsiderações, desvalorizações, agressões e manifestações de desinteresse de toda a espécie é muito importante. Mesmo fundamental, eu diria. Falar na televisão representa o ganho de atenção e de importância, ainda que não perdurável, que as pessoas sentem que não têm. Pela minha parte, penso que "chutar" drogas duras ou começar a beber a sério, também pode ajudar.  

 

E, já agora, porque razão a generalidade das pessoas não gosta do seu trabalho? Pois, haveria tanto para dizer sobre o assunto... Mas, infelizmente não temos tempo! Ou, por outro lado...está bem. Só um minutinho. Então lá vai: basicamente, as pessoas que trabalham estão, em princípio,  integradas em estruturas organizacionais. Estas estruturas parecem máquinas. Embora não o sejam verdadeiramente. E porquê? Porque os seus elementos fundamentais são seres humanos. Esquecido este "porque", voltamos à preposição inicial. As organizações parecem máquinas. Logo, as pessoas que nelas trabalham são confundidas com peças da engrenagem. Ora, nenhuma peça mecânica tem importância por si só e todas as peças são substituíveis. E quando digo todas, são mesmo TODAS!

 

Bem, mas, vou permitir-me falar do meu caso pessoal. Apenas para sublinhar uma evidência. Eu não gosto do meu trabalho porque o que eu queria era ser escritora, cronista, e coisa tal deste género e tal, coisa e tal. Claro. É muito mais giro do que ser jurista. Enfim, coisa e tal. Tenho este blog e tal. Assim posso ser mais ou  menos isso e tal. É que assim e tal eu não tinha que pensar muito e tal. E a minha vida era mais fácil e tal. Talvez eu possa escrever um livro de auto-ajuda e tal, que parece ser super fácil e tal, e pode ser um top de vendas e tal. E depois, e tal vou à televisão falar do livro e tal. E é mesmo giro e tal porque fico logo conhecida e tal, e assim toda a gente me conheçe e me vai adorar e tal. É uma forma mais fácil de ganhar a vida e tal. E portanto e tal fim de conversa e tal. 

 

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