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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

ERRAR


Cat2007

02.06.08

Escultura representando um anjo

 

Responsabilização. Faz-se sobre as pessoas em relação às coisas que elas não fizeram bem, mas deviam. Está delimitado o âmbito. Mais do que isto é abuso. Menos do que isto é laxismo. O sentido de justiça é o princípio que rege a matéria.

 

Como diz, e bem, a Joss Tone, todos tem os o direito de errar. "The right to be wrong". Errar é, aliás um exercício de grande utilidade. O erro liberta o espírito de embaraços supréfulos e é um dos mais eficazes instrumentos de aprendizagem. Sobretudo porque não há quem não erre. Não errar é desumano. Por isso seria um absurdo proclamar "no right to be wrong".  

 

O que importa é medir os danos. É preciso responder pelos danos. Na medida certa. Ou seja, a medida do pagamento tem de ser igual ao montante dos prejuízos. Assim mesmo. Se mais. Sem menos. Com certeza que os danos morais e as expectativas legítimas estão aqui incluídos. São contabilizáveis. Embora de conta difícil. Porém, não impossível.

 

Pedir desculpa é bom. Faz bem à contraparte, mas se for só isso é um facto de baixa produtividade e de nenhum interesse. Pedir desculpa é só a primeira parte. O primeiro acto. O acto que fica sem sentido se não for seguido pelos demais correspondentes.

 

E voltando atrás, os erros pagam-se em função dos danos. É natural que este processo implique dor. Temos pena. Mas temos mais pena de quem pede cabeças. Eu sou contra a pena de morte. Porque o princípio aqui em causa é o da justiça. Justiça sem humanidade não faz sentido. Humano é o erro. Não pode ser tão irreversível como a morte.

 

 Não há nada pior do que desejar a queda de um anjo. Só porque ele pôde voar durante tanto tempo, e nós não. Porque isto não é justo. Logo, não é humano. Porque é irracional. E um ser racional só pode ser humano. Pelo menos, até a Ciência nos fornecer dados novos. Nós rezamos aos anjos. Só os humanos rezam. Nos termos dos dados científicos conhecidos, certamente. Rezar é viver um estado ansioso que aspira ao alívio. Nós rezamos aos anjos. Também aos santos. Nós também rezamos aos santos. Não é justo que os queiramos fora dos seus altares. Se eles não estivessem nos altares, nunca lhes rezaríamos. Porque não eram santos. Nem anjos. Então, se eram, são. Não é justo dizer que um anjo não é anjo e que um santo não é santo, só porque caiu. O anjo não tem culpa que nós imaginássemos que a sua queda era impossível. Nem que, depois de tantos pedidos que lhe fizemos, não sejamos capazes de lhe dar a mão para o ajudar a levantar.

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