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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

AMOR E AUTO-ESTIMA


Cat2007

07.06.08

 

A baixa auto-estima é uma tragédia que afecta imensa gente. A busca de afecto é incessante. O lema é "gostem de mim, por favor!". Todos. Se alguém não gostar é o caos. Mesmo que esse alguém seja ninguém especial. Daí vem o medo da rejeição. Assim, medo e necessidade são os sentimentos dominantes que enredam o individuo numa malha de solidão. De afastamento das pessoas e do mundo.

 

Lembrei-me, há uns dias, que se podem resolver os problemas de baixa auto-estima através da acção. Pequenas acções. Grandes esforços, é certo. Mas agir. Agir. Agir. Fazer. Fazer. Fazer. Esquecer o eu. Meter a cara (como os brasileiros têm expressões que dão tanto jeito ao expressar!). Esquecer o eu. Mesmo que o ego doa.  A alma ameace esfumar-se. Cair abaixo do abismo do optimismo. Mesmo com o evidente medo. Abrir o peito. Jogar tudo. Jogar o medo. A morrer de medo. E agir. Agir. Mesmo com medo. E afogar o medo. A morrer de medo. Mas agir virado, concentrado no mundo. Nas outras pessoas. Fazer um esforço pelos outros. Esquecer o eu. Agir. Não esperar. Esperar apenas o reflexo dos actos.

 

Pois a ideia é essa: o resultado do reflexo dos actos próprios. Se é verdade que a necessidade é do afecto dos outros, mais certo é ainda que falta muito afecto próprio. Se é correcto que se sente muito a falta de aceitação por terceiros, o maior drama é a aceitação pessoal pelo próprio. É por isso que eu digo que o segredo está no agir. Os actos, ao contrário dos pensamentos, produzem os seus efeitos no mundo exterior. Os pensamentos são invisíveis. Ao contrário, o resultado dos actos é apreensível como o que se vê a partir do reflexo de um espelho. O indivíduo tem de agir para ser ver a partir de fora. Ver as coisas apreciáveis que é capaz de concretizar através de um reflexo de fora para dentro. O ser actua no mundo. O mundo reflecte o acto que apenas deste modo é visível para o próprio. A auto consideração sobe, assim, gradativamente com o agir. O maior obstáculo à vida de quem não tem amor próprio é o vício de ver sempre tudo de dentro para fora, quando o ponto de vista correcto é aquele cujo percurso ocorre de fora para dentro. É preciso perceber, repito, que o individuo luta pela aceitação e estima de si por si mesmo.

 

 A propósito de tudo isto lembrei-me também do tema "quando uma relação acaba". Quando uma relação acaba, na maioria dos casos há sempre alguém que fica mais magoado. É aquele que não queria que a relação acabasse. Quando uma relação acaba porque um deixou de gostar primeiro do que o outro, este fica pior do que o primeiro. Quando uma relação acaba, acabam-se as rotinas viciantes, os hábitos agradáveis, as habitualidades desagradáveis e tudo o que demais compõe uma realidade conjuntural. O fim de tudo isto representa uma mudança. Quem não tomou a decisão não está preparado para a mudança. Daí a aflição. Mas pior é a rejeição. Que não é exactamente uma rejeição, mas é vista assim. Quem é deixado sente-se afectado em toda a sua pessoa. Como se prestasse pouco. Como se valesse menos enquanto pessoa. O que é totalmente falso. O amor romântico ou a paixão não têm essa capacidade de fazer. De desfazer uma pessoa. O amor romântico ou a paixão terminam por razões que pouco têm a ver com a qualidade de cada um dos indivíduos.

 

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