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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

SOLIDÃO


Cat2007

08.08.09

 

 

 

Há um livro que se intitula "Fazes-me falta". Comçei a lê.lo, e não pude terminar. Coisa rara em mim. Costumo levar todas as tarefas até ao fim. Especialmente a leitura dos livros que me vêm parar à mão. Acho sempre que vou descobrir alguma coisa importante. Contudo,  aquilo, aquele livro, era demais. Portanto, um mau livro. Um mau livro que me cansou na parte que li e não me acrescentou nada de novo, segundo aquilo que pude prever com todas as certezas antes de o terminar. Eu que faço tantas coisas que não valem a pena, como se fosse uma masoquista licenciada, entrei em incumprimento.

 

Mas este título vem a propósito nesta altura da minha vida. Porque sinto a falta de alguém. Não de alguém em abstracto. Faz-me falta uma determinada pessoa que perdi. Normalmente, não perdemos porque decidimos perder. Não faz sentido. Ninguém quer perder. Isso, em regra, acontece sem querer. Na maior parte dos casos, por distração. Todavia, neste caso, decidi perder na parte em que a decisão me coube. Na outra parte, estava um bocado distraída. Daí que isto até tem um bocado de sentido. Pois perdi sem querer. E, já agora, sem crer.

 

Ultimamente ando tão distraída que já bati duas vezes com o carro. Nada de especial. Um espelho e algumas pequenas mossas. Não importa. Tenho  a cabeça cheia de pensamentos de angústia. O peito aperta-se-me. Dor. Saudade. Rejeição nos dois sentidos. Querer saber. Não querer saber. Precisar de avançar e estar parada. Actualmente, ando um centímetro por hora.

 

A solidão só tem a ver com estar sozinho quando precisamos de companhia. Para falar, ou para chorar, ou para sentir que alguém está mesmo ali ao lado para qualquer eventualidade. Normalmente gosto de estar sózinha. Normalmente sinto-me só quando me sinto assim. Não vejo um campo de girassóis. Não vejo uma estrada recta. Não vejo o azul turquesa do Mediterrâneo. Não vejo copos a tilintar. Não vejo uma comédia. Não vejo a alma de uma criança. Vejo uma barra de ferro ferrujento. Do tipo de um carril por onde andam os combóios.

 

Não vale a pena pensar com arrogância que alguém não nos mereceia. porque nunca foi capaz de nos ver. De nos ver no nosso melhor. De nos tirar o mais fantástico. E porque quererá alguém ver-nos?  E o que haverá em nós de fantástico? Na verdade, é tudo relativo nesta matéria, como em muitas outras. Não adianta saber que o que nos davam não era o que sonhávamos. Não adianta perceber que um projecto não prometia uma obra perfeita. Porque resta o cheiro e as dedadas na nossa pele. E o calor. E as humidades. A impressão dos beijos.

 

Eu que procuro tantas coisas na vida, entre as quais trocas. Perdi alguém que não tinha nada para a troca. Só queria de mim. E sinto-me absurdamente só porque já não tenho a pessoa que só pedia. Que nunca me deixava em paz. Mas, finalmente, deixou-me em paz. Como consequência, o meu espírito vive neste conflito. Não te quero, mas fazes-me falta.  

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