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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

INSEGURANÇA


Cat2007

06.08.10

 
 
Todos nós temos as nossas inseguranças. Esta frase é mais batida do que um capacho. Não sei se não lhe devíamos bater menos. É que manifesta tanta verdade, que talvez não mereça ser assim tratada. Isto se estamos de acordo sobre a bondade da verdade. Podemos não estar. Pode haver quem considere a verdade uma coisa má. Ás vezes, eu acho que sim. E não falo na perspectiva do mentiroso, mas do outro. Seja como for, eventualmente, é de se guardar algum respeito, alguma deferência, às coisas certeiras. Porque tudo aquilo que é capaz de se afinar perfeitamente com um alvo tem qualidade superior. Superior à média de grande parte do que somos e fazemos.
 
Pensava no antónimo de inseguro. É seguro. Então, e um sinónimo de inseguro? É solto? Cambaleante? Trémulo? Desconfiado? Duvidoso? Frágil? Medroso? Novo rico? Agressivo? Malcriado? Nervoso? Escondido? Descapotável? Encarnado? Doente? Velho? Apático? Criança? Paixão? Vivo? Então um sinónimo de seguro? Preso? Firme? Certo? Consciente? Forte? Corajoso? Velho rico? Compassivo? Benevolente? Compreensivo? Declarado? Com capota? Preto? Saudável? Adulto? Amor? Morto? Não. Estes sinónimos e antónimos não ajudam na definição. O que eu queria era saber o que é ser inseguro. Concretamente, o que é uma pessoa insegura.
 
Todos nós temos as nossas inseguranças. Foi o que comecei por dizer. Portanto, não existem pessoas sem inseguranças. Pelo menos uma. Só uma. Não há ninguém que não tenha. Depois de muito reflectir, cheguei à conclusão que a insegurança não está directamente ligada ao medo. Pelo menos, não nasce daí. Na verdade, o medo  é, num primeiro nível, uma reacção normal ligada ao instinto de sobrevivência. A insegurança, por seu lado, tem mais a ver com uma certa necessidade de afirmação. Quanto mais a pessoa deseja ser aceite e/ou amada, mais insegura ela é ou se torna.  E, agora, já é fácil perceber que todos temos as nossas inseguranças, mas uns mais do que outros.
 
A ideia aqui não é dar uma explicação técnica para a qual não estou habilitada. A ideia aqui é mesmo ir dizendo umas coisas sem assumir responsabilidades. Sou demasiado insegura para me pôr a estudar o assunto e fazer uma exposição condigna. Tenho medo de não fazer a coisa bem feita. Eu disse tenho medo? Mas, então... Parece que sempre há uma relação entre o medo e a insegurança. Bom, também não disse que não havia. Trata-se de uma relação de sentido ao contrário. Ou seja, não é o medo que provoca a insegurança, mas a insegurança que provoca o medo. Quer dizer, se eu tenho medo de gays ou aranhas, sou fóbica (com todas as respectivas consequências), não insegura. Se eu não arrisco uma determinada atitude desconhecida aos meus padrões habituais mentais ou comportamentais,  sou insegura porque temo os juízos alheios.
 
Eventualmente, pior do que temer as valorações alheias é mesmo não aguentar com a crítica interna. É que dos outros podemos sempre fugir, já de nós próprios...  Então, de onde virá a crítica interna ou auto-critica sem comiserações? Qual a raíz do mal que impede o amor-próprio e só deixa ficar alguma simpatia própria? Eu creio que pode ser o relacionamento, de alguma forma estranho, com os pais na infância. É que, se analisarmos bem, os pais são culpados de tudo. Basta serem os responsáveis pelo inicio desta nossa tortuosa existência na terra.
 
Ao que acresce o aditivo poderoso que é a nossa educação judaico-cristã (parte dela também da responsabilidade dos pais, está claro). Velho e Novo Testamentos. As contradições fundamentais entre ambos, só por si, podem enlouquecer qualquer seguidor mais convicto. Porém, o pior é a materialização dos Evangelhos pelos padres na missa dominical (ou de sábado, para quem não pode). Desde muito pequena que eu sei que sou culpada. Culpada! De quê? Basicamente de tudo. Sobretudo da morte de Jesus Cristo. Desde muito cedo que me sinto uma assassina de um santo. Do Salvador, digo. Tenho tentado, em vão, lembrar-me do que aconteceu. Como se passaram as coisas. Ajudei a prendê-lO, denunciei-O, chicoteei-O? Preguei-Lhe as mãos? Não me lembro. E devia lembrar-me, já que sou culpada da sua morte. Mas não é fácil. Foi há mais de dois mil anos. O que terei feito eu a Cristo há dois mil anos?
 
Em resumo, estamos todos cá para pagar os nossos pecados. Desde que nascemos que é assim. O próprio acto de nascer já é um pecado. Não percebo como a Igreja Católica não é a favor, mas contra o aborto. Só não digo que isto é um contra-senso porque sou demasiado imperfeita aos olhos de Deus para conhecer das revelações. Só o Papa sabe a resposta. Porque ele é o Santo Padre.
 
Peço, portanto, desculpa. Sou culpada. Peço desculpa. Prometo sentir-me sempre insegura porque a culpa é minha. Não interessa de quê. Sou tecnicamente culpada de tudo. Serei sempre insegura e pedirei sempre desculpa. Porque, quando morrer, quero ir para o Céu.

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