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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

FALAR VERDADE - QUANDO E COMO


Cat2007

18.08.10

 

 

 

 

É verdade. Na verdade, vou falar de verdade na verdade.

 

Verdade na verdade quer dizer a verdade objectiva dentro da verdade subjectiva. Bem, na verdade, vou falar de ambas as verdades. A verdade de cada um e a verdade factual. Enfim, posso ainda acrescentar a verdade que só Deus sabe. Mas esta talvez seja mesmo a factual. É que mesmo as intenções são factos. A dificuldade está em prová-las. Portanto, a verdade dos factos é tão divina como a verdade de Deus. 

 

É difícil controlar o labor interpretativo. Certamente qualquer objecto carece de interpretação. Como compreendê-lo sem o instrumentalizar desta forma? Porém, é necessário parametrizar, limitando. Senão, todos falamos e a língua é outra.

 

Na maioria das vezes, e dentro de uma mesma conversa, uma esponja nunca é só uma esponja. Pode ser um objecto de absorção, um ser vivo, amarela ou de outras cores, tingida, para o banho ou para a louça, objecto de um homicídio por sufocação, detestada, amada, ignorada (SIM, HÁ QUEM NUTRA SENTIMENTOS POR ESPONJAS!). Mas nunca é só uma esponja. Portanto, não existe objectividade na interpretação. Logo, não há interpretações perfeitas porque certas.

 

As pessoas não têm o divino poder de se controlar e evitar olhar para o próprio umbigo. É por esta razão que a falar é que a gente se desentende. Qualquer conversa suscita pontos de discórdia. Mesmo quando estes são inconfessáveis ou não são confessados. Aliás, qualquer conversa deve terminar quando a discussão já a substituiu. O ideal será retomar vinte minutos depois, quando todos estiverem mais calmos. Qualquer manual de inteligência emocional dirá isto. De qualquer modo, não sei se estes livros existem.

 

Num discurso circular adianto o percurso e afirmo, perante os mesmo acontecimentos a minha verdade é diferente da tua verdade. Isto é absolutamente verdade. De resto, a minha mentira também é diferente da tua, como adiante se demonstrará.

 

A verdade sobre os mesmos factos pode resultar em factos diferentes, de acordo com as posições, observações e concepções pessoais que se interpõem. E, como se vê, continuo a circular. 

 

Já ouvi dizer que "cada pessoa é um mundo". É capaz de ser verdade. Porém, na verdade, não me parece que a generalidade das pessoas gostem disso. Creio que temem a solidão. As pessoas não gostam de ser um mundo individual. Acham que isso significa isolamento. Na verdade o que se quer é ser especial. Quando se está com esta vontade mais latente, esta vontade de se ser especial, quer-se ser um mundo. Mas isso, isso é a fingir. As pessoas só querem ser vistas como especiais. Não querem realmente sê-lo. Ser especial é ser diferente. A democracia e a igualdade imanentes não suportam a diferença. Aqui ninguém quer ser especial porque aqui ninguém quer ser diferente. Custa muito. É por isso que ninguém se esforça para ser melhor. Antes, faz-se sempre um esforço para parecer melhor, especial e diferente com o aconchegante pensamento que envolve, e que é o seguinte: "graças a Deus que sou igual a toda a gente". 

 

A minha verdade é aquilo em que eu acredito. A minha mentira é aquilo que eu sei que não pode ser verdade mas digo que sim, que é. Posso dizê-lo a mim mesma. E acreditar acreditando que a minha mentira é verdade. Neste caso, trata-se de uma resultante da diferença entre o saber e o sentir. Aquele espaço que fica para percorrer entre o que se sabe e o que se sente sobre uma mesma coisa porque se começa ao contrário. Ou seja, primeiro pensa-se e depois sente-se. O melhor seria, evidentemente, sentir e a seguir pensar. Neste ponto, não faço a apologia do comportamento fundamentalista do tipo irracional-descontrolado-expontâneo. Faço um apelo à autenticidade, Logo, à transparência nos comportamentos. Desejo espaços de liberdade de dizer em paz. Campos de troca com respeito próprio e meta-pessoal.

 

e eu traisse alguém (trair, trair no sentido novelístico da palavra, não dizia. Porque há sempre uma razão para um comportamento. Devemos perceber porque fazemos aquilo que não nos parece bem. Se somos do género de exercer a auto-punição com categoria e empenho, ninguém será capaz de nos punir mais e melhor. Se somos do género radicalmente oposto ou seja do tipo canalha sem vergonha, a crítica e o ressentimento dos outros só nos atingem enquanto nos faz sons incomodativos nos ouvidos.

 

No mais, existe um lado solidário que os que mentem com coragem são capazes de exercer, enquanto que os canalhas sinceros esmagam as suas vítimas com  a verdade. Na verdade, não é preciso magoar as pessoas. Na verdade, há verdades que não acrescentam nada, além de muita dor para o receptor e um certo alívio para o emissor.

 

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