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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

UM DIA DE DOMINGO


Cat2007

22.03.15

 

Amanhã já é segunda. Deviamos ter 3 dias de fim de semana. Estou  a sentir-me bem neste domingo tranquilo e com boas cores. Só se detesta o domingo porque o fim de semana não tem 3 dias. Se tivesse, odiava-se a segunda. Como já se odeia, aliás. Mas de forma diferente. Seria igual ao domingo atualmente.

 

Estou aqui  escrever e toca a Maria Bethânea. "Olha você tem todas as coisas que um dia eu sonhei para mim". É bom sentir que alguém está assim a pensar assim de nós. Tenho sorte.

 

Acabei de tomar um café e sinto-me um bocadinho speedada. Comme il faut. É claro que devia sair de casa. Mas não me apetece. Não me apetece ir enferentar trânsito e gente que se esforça por estar bem disposta. Na semana passada fui até à Casa da Guia. E pude confirmar isto. 

 

Nota-se, claro, que estou uma esponja sorvedora da energia alheia. O que é péssimo. Sobrecarrega o espírito e a cabeça começa a dispersar. Já me ensinaram a evitar isso.  Basta concentrarmos a ideia nos nossos pés e sentir bem o chão. Mas para isso é preciso fazer um esforço. E eu nem sempre, ou quase sempre, evito fazer esforços para não cansar muito as costas.  

 

Veio-me à ideia aquele sistema das recompensas. Acho que temos que saber adiar as recompensas. Coisa que não sucede com preguiçosos como eu. Eu quero tudo aqui e agora sem fazer esforço. Parece que isto é profundamente errado. Não querer fazer esforço. Consta que sem esforço não se consegue nada. Foi o meu amigo Pedro quem me explicou como funciona a coisa. Das recompensas. É preciso agir. Depois é preciso insistir. Por fim vem a recompensa. Não vou dizer que não concordo com isto. Parece óbvio que é verdade que é assim que as coisas funcionam quando se tem objetivos. 

 

Eu sou psicoanalisada. E custa-me simplificar assim. Não é por acaso que se quer ou não quer mexer um dedo. E  sei porque não me mexo muito em direção a certos objetivos. Tenho uma consciência sobre o que cada coisa vale para mim. Independentemente do que possa valer para os outros. E sobre o bem que me faria alcançar certas metas.

 

O que está aqui em causa é a paixão. É o meu combustível. Sem paixão desdenho os objetivos. E é sempre certo que não me custa nada vir aqui e escrever um texto por dia.  

CABELEIREIRO DE BAIRRO


Cat2007

21.03.15

 

Quando quero dar um corte ao cabelo ou fazer cor vou à Guida da Lúcia Piloto das Amoreiras. Mas quando é só para lavar vou ali ao Namur à Bela. A Bela, tal como as suas colegas, anda na casa dos sessenta. E, tal como as suas colegas, está um bocadinho gorda. Saio sempre de lá super penteada. Pelo que vou imediatamente deitar-me no sofá.

 

A Bela tem o cabelo cheio de grossas madeixas louras e cobre. E está assim armado em formato redondo. No fim pergunta-me sempre se eu quero um bocadinho de laca. O que eu declino. Quando chego. Dá-me sempre um beijinho num sorriso aberto. "Olá minha querida. Como está?". É diferente da Guida que também me dá um beijinho mas está logo a mexer no meu cabelo para pensar "no que vamos fazer hoje". Quando saio da Guida nem parece que estive a arranjar o cabelo. Estou só gira. 

 

Nestes cabeleireiros de bairro, as funcionárias têm imenso jeito para fazer armações. Para dar aquele ar de cabeleireiro. Depois há o ambiente demasiado descontraído. "Anda cá para ao pé de mim minha querida. És linda, amor". As senhoras, as clientes, são velhas. Mais velhas do que as cabeleireiras. Tenho impressão.

 

Uma das raparigas que lava cabeças  (porque as que lavam cabeças e as que arranjam as mãos são novas) perguntou a uma cliente se ia fazer ondulação. Era uma senhora de cabelo grisalho com uma pelada aqui e ali. "Só faço para a semana. Mas tenho mesmo que fazer". E a outra: "Pois a senhora tem aqui um cabelo que é uma porcaria". Dizia isto enquanto lhe agarrava a cabeça e lhe puxava os poucos cabelos. 

 

Enquanto me penteava, a Bela virou-se para a cliente da colega do lado. Logo eu também me virei. Estava com uma cabeça enorme à conta das dezenas de caracolinhos colados a  laca que lhe fizeram. Parecia contente. A  cabeleireira dela e a Bela trocaram logo uns mimos e umas piadas entre si, tendo envolvido a senhora. E depois a Bela disse-lhe: "sabe minha querida, nós não estamos cá só para dar beleza. Também passamos muito boa disposição".

 

Eu, por minha parte, igualmente tenho que estar a sorrir. Para garantir que a "boa disposição" me afeta seriamente. Devo igualmente elogiar o trabalho da Bela. Que dá sempre o seu melhor e espera receber as minhas melhores manifestações de agrado. Muitas vezes tenho vontade de gritar. Mas, como disse, antes pelo contrário, sorrio. 

 

Basicamente são estas coisas que se passam no Namur.

 

 

BOLAS CONTRA A PAREDE


Cat2007

19.03.15

 

Estou sozinha em casa. A acabar de fazer o jantar. Fui à terapia. Foi bom estar ali sentada no sofá de veludo azul claro. A olhar de frente para ela. Preciso muito dela para viver este ambiente. Hoje fartei-me de falar demais. Ela, por eu estar a falar demais, puxou-me para a questão de ter vivido com poucos elogios dos meus pais.

 

Eles elogiavam-me pouco. Uma questão de mentalidade. Mas que provocou dano em mim. Agora tenho pouca consciência do que valho. E não vou dizer, se é que valho alguma coisa. Porque dizer isto é precisamente um sintoma daquilo. No entanto, disse. É assim. Um dia destes hei-de dar por mim curada. Mas de hoje a 15 dias não será a véspera desse dia.

 

É uma chatice atirar as bolas à parede. Querer saber das pessoas coisas sobre mim. Ao fim de algum tempo, uma pessoa chateia-se do ténis assim. É também por isso que faço terapia. Um jogo a pares em que a terapeuta joga sempre do meu lado. As bolas dela nunca são para mim. Da parte dela só vem ajuda para pontuar. Quando conseguir fazer uma partida de singulares, ela não volta mais. E acabaram-se os momentos quentinhos no sofá azul claro. 

 

Quando me meti no carro ouvi a musica da minha mãe. Fiz de propósito. E foi isso que me deu o propósito de vir para aqui escrever. "Se eu beber dessa luz que apaga a noite em mim". È da Sara Tavares. E a minha mãe estava prestes a morrer. "E se um dia eu disser que já não quero estar aqui. 

 

Apetece acabar o post neste momento. E continuar a jantar sozinha enquanto já não escrevo. Só para pensar nestas coisas mais à vontade. Mas não posso sair sem dizer que, se a minha mãe me calou durante muito tempo aqui depois de ir ("e se um dia eu disser que já não quero estar aqui"), é também verdade que agora ela também me inspira  a cá estar. "Se eu beber dessa luz que apaga a noite em mim". 

 

D. Amélia


Cat2007

19.03.15

 
 

PSICOTERAPIA


Cat2007

18.03.15

 

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Amanhã tenho psicoterapia. Agora só tenho de 15 em 15 dias. Como o processo já vai em alto estado de composição, não é preciso ir mais vezes. Por vezes, nem me apetece muito ir. Outras vezes, é-me indiferente. E ainda outras, quero muito lá chegar. Seja como for, venho sempre como que abençoada por uma nova descoberta. Sobre como é que as coisas funcionam em mim ou para mim.

 

Além do mais ou acresce, sinto-me muito bem lá. Nesta longa terapia, já passei a fase das grandes angústias e outros temores. Que é a fase da desestruturação. E depois os outros momentos mais à frente. Em que acontecem desgostos variados, como perdas sérias e outros horrores. Não é que não venha a ter momentos mais à frente parecidos com estes. Mas agora, neste meu presente atual, não. Não há nada de verdadeiramente mau a que me possa agarrar. Agora é sentar-me ali no sofá a falar com calma. Sobretudo daquilo que me confunde ou está obscuro para mim. Depois, ou é um alívio ou um motivo para reflexão profunda.

 

Esta quinzena estou com muita vontade de lá ir. Preciso de contar que mostrei um texto meu a algumas pessoas. E que todas gostaram muito. É necessário contar o que achei eu disso. Que perspetivas tinha antes de mostrar. Como fiquei depois. E como fiquei ainda depois.

 

Desde muito cedo sei que não devo falar seja com quem for sobre os assuntos que são tratados na terapia. É por isso que, para já, não posso adiantar mais nada.

O TRABALHO QUE NÃO ME APETECE FREQUENTAR


Cat2007

17.03.15

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Posso falar do trabalho. Que não me apetece frequentar. E não é não me apetece. É um desejo sólido. Tão sólido como uma casa sólida. Por vezes, sou agarrada pela sensação de que vou perder o que me resta da juventude aqui. A trabalhar oito horas por dia cinco dias por semana. A fazer coisas que realmente não me importam. A falar daquilo que eu verdadeiramente não quero saber. São dois terços de uma vida ocupados a trabalhar. É demasiado tempo que eu não tenho na alma. Porém, não vejo outra solução. E sinto claustrofobia. Porque é como se estivesse num sítio pequeno fechado. Sem espaço para respirar e para o movimento. E falo apenas da parte técnica e logística. Levantar cedo. Escolher a roupa. Dirigir-me ao local. Fazer os trabalhos propostos.

 

Falta o resto. Passar por entre as auras. As auras carregam energia, como se sabe. É duro atravessar tantas energias diferentes. Nem que seja só por um bocadinho junto à máquina do café. Existem duas mulheres que andam sempre juntas. Cada uma é mais pequena do que a outra. Parece que caminham sempre três degraus abaixo. Creio que dizem coisas desagradáveis sobre as pessoas. Tenho a certeza que já disseram coisas desagradáveis sobre mim. Porque eu, como todos os demais, sou comentável. De qualquer forma, o que me incomoda verdadeiramente nelas é a altura. É, portanto, a energia que emanam.

 

Por outro lado, no trabalho fazem-se muito as chamadas amizades laborais. Não temos muitas razões para estabelecer vínculos. A não ser o facto de sermos obrigados a encontra-las cinco dias por semana oito horas por dia. Nas amizades laborais somos mais amigos de uns do que de outros. Assim, temos os nossos melhores amigos laborais. Eu tenho uma melhor amiga laboral. Todos os dias ela me preenche o espaço disponível com os seus problemas. As suas amizades não laborais não são de cá. Por isso está sozinha em Lisboa. Não tem com quem partilhar as dificuldades emocionais provenientes das questões materiais que não consegue resolver facilmente. Está a separar-se do marido. É duro. Por isso eu oiço tudo. E respondo como sei, quando o detalhe é novo. E como posso, quando o detalhe é repetido. O que sucede imenso. Às vezes trato de não ouvir nada. Sinto-a a abarrotar. Tenho que deixar esvaziar. Por tudo isto não me ocorre dizer-lhe nada sobre mim. Ela não pode ouvir. Pode rebentar. Seja como for, é verdade que das amizades laborais podem surgir amizades das outras. Das boas. Quentinhas. Digo isto porque já me sucedeu.

 

 

FALAR DA VIDA DOS OUTROS OU FALAR DE NÓS


Cat2007

16.03.15

 

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É verdade que pensei que ia desistir. Largar isto de vez. Não sentia senão desertos dentro de mim. Nada para dizer. Mas, por outro lado, angustiava-me quando vinha aqui fazer visitas. De vez em quando. Ver isto para aqui abandonado com a cara do Ronaldo derrotado… Além do mais isto nunca foi um blog de futebol. Era um mau fecho.

 

Há outra coisa. Hoje já ninguém me vai ler. Quem não aparece, esquece. Mas ainda bem. Fico com mais privacidade. Como se estivesse num útero. Quando se está no útero só nos vêm através de ecografias. E não nos podem tocar. A propósito, a terapeuta observou que ainda estou na fase de querer voltar para o útero. Estar quentinha, sossegada, de preferência em casa. Enrolada numa manta. É por isso que não tenho saído muito aos fins de semana.

 

Enfim, tenho chateado um bocado as pessoas. As que gostam mesmo de mim. Que são as que precisam de mim. A rir e a apanhar sol. O sol também só veio agora e ninguém sabe se é para ficar definitivamente. Estou a preparar-me para andar mais ao sol. Ou até para andar muito ao sol. Falar.

 

Falar da nossa vida é sempre falar da vida dos outros. Acha-se muito mal que se fale na vida dos outros. Mas senão como é que aprendemos coisas com eles? Coisas que é preciso aprender. É preciso falar da vida dos outros. Das coisas que acontecem aos outros. Para ficar a saber o que não sabíamos. Para nos compararmos. Não para saber se somos melhores ou piores. Porque isso nunca se consegue. Quem me garante que sou melhor do que um sem-abrigo? E posso falar um bom bocado sobre os seus vómitos de bêbado. Da sua cama de papelão. Das insanidades que lhe ouvi. Falar da vida dos outros é para comparar com a nossa. Para ver as afinidades. Para descobrir as diferenças. Para sentir indignação. Nojo. Desprezo. Inveja. Admiração. Espanto. Para absorver.

 

Venho aqui para falar da vida dos outros aplicada a mim. Nos termos em que acabei de explicitar. Como sempre fiz. Como vou voltar a fazer. Vou voltar a falar de mim, portanto. O que faz todo o sentido porque este "útero" é meu.

 

 

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