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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

AZUL - Cap XVI


Cat2007

19.09.16

Madalena: Desde quando me apareces aqui sem telefonar?

Teresa: Fiz mal?

Madalena: Tenho trabalho para fazer. Interrompes-me.

Teresa: Aposto que era isso que dizias à miúda.

Madalena: Apostas bem. Não me posso dar ao luxo de perder muito tempo.

Teresa: Mas não penses que me vais tratar da mesma maneira.

Madalena: Eu só estou a dizer que estava ocupada. De qualquer forma, contigo é muito mais fácil distrair-me do trabalho.

Teresa: Sim. Por tua causa também me distraio do meu. Hoje de manhã tirei o dia para ti. Não vou ao escritório.

Madalena: Pois. Decidiste não ir ao escritório, não telefonas e vens aqui ter comigo. És tu que decides a minha vida, agora?

Teresa: Não é isso. Pensei que também tinhas urgência em ver-me. Não telefonei para te fazer uma surpresa.

Madalena: Porque disseste que o que aconteceu entre nós não devia ter sucedido?

Teresa: Desculpa. No entanto, o que eu disse foi que o que aconteceu entre nós foi grave. No momento, estava só a pensar na minha filha. Na minha relação com ela. Mas não é só a relação com a minha filha que me importa neste momento. A nossa também me tortura. Depois de fazer amor contigo alterei-me. Estou mais frágil. Confusa. Deixei de me comportar como a pessoa que ela conhece. E por isso estou sem moral para continuar a ser o seu exemplo.

Madalena: Que confusões que tu arranjas. A miúda nem sequer sonha com o que te anda a acontecer. Além do mais, não percebo porque razão há-de ela imitar-te em tudo. Chegaste a falar com ela?

Teresa: Não. Tive medo de me trair a mim própria. Mas sim, ela imita em muitas coisas.

Madalena: Isso é doentio. Não se pode ter uma relação assim com uma filha. De qualquer forma não se imita a orientação sexual. Que ridículo.

Teresa: Talvez. Mas essencialmente não quis que ela sentisse vergonha de mim.

Madalena: Para ela tu tens de ser o máximo.

Teresa: Não é nada disso. Eduquei-a sozinha. Tive que ser um exemplo marcante. De força, de energia, de coragem… Para ela não se perder. Mesmo quando tudo isso me faltava às vezes.

Madalena: Que dramática, Teresa. Parece que a miúda te pesa.

Teresa: Não digas um absurdo desses! A minha filha é o maior amor da minha vida. Sem ela nem sei o que faria. Eu não quero que ela seja gay. É isto. Aquela Joana é agora a grande amiga dela. Tenho tanto medo.

Madalena: Medo de quê, mulher? A Joana não lhe vai dar a volta para a meter na cama. E mesmo que metesse, a tua filha não iria tornar-se homossexual por causa disso. Se ela não é homossexual. Não é pois não, Teresa? 

Teresa: Claro que não.

Madalena: Então descansa.

Teresa: Não posso descansar. Eu ainda tenho que lhe contar de nós. Não sei como ela poderá reagir e… Sabes, entre nós sempre se disse a verdade…

Madalena: Tens que contar? Não tens nada que contar. A verdade, mas qual verdade? Nós não sabemos nada de nós.

Teresa: Fomos para a cama. E foi maravilhoso.

Madalena: Sim. Isso há-de ser sempre, já percebi. Temos uma comunicação íntima própria que, apesar de tudo o que se passou, nunca se perdeu. É espantoso. O que não temos é um grande património juntas. Nem nos entendemos em coisas fundamentais. Além disso, tu não mudaste nada. Não estás preparada para viver nada.

Teresa: Estou preparada para fazer amor contigo novamente. O resto não sei. 

Madalena: Tu és heterossexualista e homofóbica, como já te disse. Nunca vais passar daí. O que queres é uma coisa parecida com o que tivemos em miúdas. Muita cama. Mas tudo às escondidas. Ora, eu já não tenho paciência para essas coisas.  Nem estou disponível para uma relação, caso fosse esse o teu interesse, que não é.

Teresa: De facto não te estou a pedir namoro. Claro que não estou preparada. Vivi 20 anos noutro registo. Não vou alterar a minha vida toda agora. É tudo muito difícil. E tens razão. Para já, não vou contar nada à Clara. Porque não vou mudar nada.

Madalena: Como na altura não contaste à tua mãe. Só que aqui eu compreendo. Uma filha não é uma mãe. Não é necessário destabilizá-la por algo que não vale a pena.

Teresa: Ir contigo para a cama vale imenso a pena.

Madalena: Sempre a mesma hipócrita.

Teresa: Não. É que não estou a conseguir racionalizar as coisas. Sei que te desejo de uma forma… Tenho fome de ti. Não quero pensar em mais nada.  Acho que devíamos continuar a fazer amor até as coisas ficarem mais claras. Até percebermos o que queremos uma da outra. Pode ser que nos cansemos. Ou não. Pode ser que decidamos ter uma nova oportunidade. Pode ser que fiquemos amigas. Para já sei que nos desejamos. 

Madalena: É verdade.

Teresa: Então vem.

CUMPRIR AS REGRAS


Cat2007

19.09.16

 

As regras obedecem a princípios. Mas isto não é verdade na prática. As regras não respeitam os princípios. Muitas delas. Assim, deviam ser banidas. Essas regras. Ou, pelo menos, substituídas por outras. E é por isto que bem sabendo que sou obrigada a isso, nunca gostei de cumprir regras que não percebo. Daí, resolvi licenciar-me em Direito.

 

De facto, é de sublinhar que as regras que não respeitam os princípios são normas de “apertão”. São imposições puras e, muitas vezes, ingerências. Claro que, estou a falar de normas jurídicas. Ou seja, das normas que regulam as condutas humanas em ordem a uma estruturada organização da sociedade nos campos económico, social, ecológico, das relações internacionais e na área da vida das famílias. Como se vê, as normas jurídicas estão por todo o lado, acompanhando o nosso dia-a-dia e metem-se dentro das nossas casas.

 

O problema com este meu problema de resistência a modeladores de conduta puros é que, pela força do hábito de fugir, acabo por não cumprir com as autovinculações. Ou seja, com as regras predefinidas por mim própria para fazer alguma coisa. Simplesmente não cumpro. O problema é quando isso colide com as expetativas de terceiros criadas por mim. Nestes casos, devia ser punida por não respeitar os princípios.

 

E tudo isto vem a propósito de eu ter dito aqui que publicaria um capítulo por dia (do livro) entre as 17h e as 21h. Ora sucede que já sucedeu que no mesmo dia cheguei a publicar três capítulos e fora do horário predeterminado.

 

Era para pedir desculpa.

 

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