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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

EGOTRIP


Cat2007

10.04.17

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Hoje acordei cansada. É segunda. E as segundas cansam-me especialmente. Mas no trabalho não é o trabalho que me mata. São as burocracias e certas pessoas. Por exemplo, tenho aqui à volta um ser que transpira vaidade e acumula frustrações. Agora parece que lhe vão dar umas tarefas um bocadinho mais importantes. Está que não se pode aturar de soberba. Como tal, prevê-se que não vá fazer as coisas bem-feitas.

 

Infelizmente é assim. Não é possível fazer bem o que é para os outros quando se pensa apenas em função do ego próprio. Na verdade, tudo o que fazemos no trabalho, as nossas produções, dirigem-se aos outros, servindo para servir os interesses e as necessidades dos outros.

 

De facto, contraria-me bastante ter que me dar com pessoas da egotrip. Vê-se mesmo que estão prontas a atropelar o parceiro. Assim, uma pessoa tem que andar cheia de cuidados. Detesto mexer-me com cuidado. Sou gente da liberdade.

 

PODER


Cat2007

07.04.17

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Não sei dizer exatamente porquê mas hoje estou centrada na questão do poder. Lembrei-me de uma estória que me contaram. Nesta estória, a mulher-a-dias exercia poder autoritário sobre a senhora que lavava as escadas do prédio. A questão é que a mulher-a-dias não tem poder nenhum sobre a que lava as escadas. Mas achou esse poder em qualquer lado. Muito provavelmente no profundo sentimento de inferioridade da outra. Portanto, a legitimidade do poder também vem das desvalorizações que os possuídos imprimem a si próprios.

 

Para mim é estranha esta hierarquia que referi. Com efeito, no meu prédio da infância, era a porteira quem lavava as escadas e recolhia os lixos. No entanto, sentia-se cheia de à vontade para fazer críticas e reivindicações. Dizia, por exemplo, “se o lixo não estiver à porta quando eu passar, não é recolhido”. Também, já no condomínio de adulta, vinha sempre o porteiro, em tom autoritário, chamar a atenção sobre a necessidade de fechar as portas ou não pisar a relva do jardim. Assim se conclui que o poder também está do lado de quem o sente.

 

Nas relações amorosas, há relações que são de competição pelo poder. Uma pessoa quer mandar na outra. No fundo, quer que esta se comporte de acordo com um determinado padrão idealizado. Idealizado por quem quer mandar. Está claro. Creio que isto tem a ver com dois fatores. O primeiro prende-se com a idealização do outro. O segundo com a insegurança que o primeiro sente mas, na maior parte dos casos, não admite. É claro que, neste tipo de relações, o fim é um epílogo anunciado. Mesmo que a relação formal não termine.

 

Não obstante o que atrás disse, creio que existe o poder brando. Aquele que acontece e não magoa ou contraria ninguém. Trata-se do poder que cada ser humano tem que decorre das qualidades que sustenta. O recuso aos recursos naturais positivos de cada um, feito pelo próprio, confere-lhe um crédito de poder que é dado pelos outros. Por exemplo, quero ouvir falar quem tem alguma coisa para ensinar, desde que isso não me seja imposto. E se, nesse ensinamento, descobrir algum caminho ou solução, eu quero ir por aí. É simples.

 

A extensão do poder de cada um é medida pelo que cada um vale. E toda a pessoa vale algumas coisas. Fica, então, a frase feita: "precisamos todos uns dos outros".

 

O CIÚME


Cat2007

05.04.17

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Queria falar de ciúme através de um poema próprio. O Fado falado, por João Villaret (e por mais ninguém). Eis um excerto:

 

Viu ele acompanhado/Com outra ao lado, de braço dado/Gingão, feliz, levião/Um ar fadista e bizarro/Um cravo atrás da orelha/E preso à boca vermelha/O que resta de um cigarro/Lume e cinza na viela,/Ela vê, que homem aquele/ O lume no peito dela/A cinza no olhar dele/E o ciume chegou como lume/Queimou, o seu peito a sangrar/Foi como vento que veio/Labareda atear, a fogueira aumentar/ Foi a visão infernal/A imagem do mal que no bairro surgiu/Foi o amor que jurou/Que jurou e mentiu/Correm vertigens num grito/Direito ou maldito que há-de perder/Puxa a navalha, canalha/Não há quem te valha/Tu tens de morrer
 

É neste tipo de ciúme que eu acredito.

 

O VALOR QUE TEMOS


Cat2007

03.04.17

 

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Só em adulta, porque já estavam disponíveis, é que os meus pais me deram a atenção que eu, quando era pequena, necessitava. E deram muita. O que eu agradeço imenso porque me fez muito bem ao coração. Na infância, porém, como referi, andavam ambos demasiado ocupados. Era um entrar e sair de casa. Não tinham tempo para “os miúdos”. Assim, era só mandar fazer coisas e ralhar.

 

Eu era boa aluna. E também era boa desportista. Os meus pais reconheciam isto. Eu sei porque ficavam silenciosamente agradados por trás de um ligeiro sorriso de satisfação. Mas não tinham tempo para me dizer que era importante o que eu fazia. E que fazia bem. Ao contrário dos miúdos a que se prometem coisas, eu nunca ganhei nada por ter boas notas. Nunca fui premiada pelos meus méritos, portanto. Faltou-me, pois, o reconhecimento expresso traduzido na obtenção de compensações pelas boas atitudes e bons resultados.

 

Assim, por falta daquele feed back fundamental, demorei muito muito tempo a ganhar uma consciência adequada de mim própria. Consciência esta que só adquiri quando passaram alguns anos de psicoterapia. Pois é. Os pais não nos atendem e nós, se tivermos possibilidades, vamos parar à psicoterapia.

 

Pelas apontadas razões, hoje eu sei que preciso de reconhecimento quando o mereço. Desta feita, é-me muito difícil manter-me quando não me dão o devido valor. Sofro verdadeiramente. Como sofria em pequena. Os sintomas são dores no peito e na cabeça, bem como alguma dispersão mental.

 

É claro que, sendo adulta e psicoanalisada, já sei como contornar estas sensações. Uma dor de infância é uma dor de infância. As coisas doem mais na infância porque não dispomos das armas adequadas. Um adulto com dores de infância só tem de as situar no tempo, percebendo que agora tem outros recursos que vai naturalmente usar.

 

O DIÁRIO QUE NÃO É


Cat2007

01.04.17

 

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Ainda é de manhã. E eu estou aqui deitada no sofá a olhar pela janela de onde vejo a copa de uma grande árvore que ocupa cerca de dois terços do vidro. Já me fartei de fumar. Agora estou a comer fruta. O meu desejo é escrever qualquer coisa. Como se isto fosse o diário que não é.

 

Nunca tive um diário. Mas desde muito cedo que escrevo coisas. Quando era adolescente, costumava discutir com o papel as minhas preocupações. No fim destas discussões, acabava a escrever textos que, pelo menos aparentemente, não focavam aquilo que me chateava. Uma vez até escrevi um poema sem rimas.

 

Não gosto muito de rimas em poemas. Parece que a rima força o sentido. Embora goste muito do Camões lírico e do Almeida Garrett. No entanto, confesso que não dediquei muito do meu tempo de buscas à poesia rimada. Especialmente, não procurei os britânicos. E creio que terei perdido alguma coisa com isso. Paciência.

 

Mas falava de diários. Pois os meus textos de adolescente só não eram folhas soltas de um diário porque eu nunca me confessava. Além do mais não tinham dia e hora apostos. Daqui, deste processo, resultavam alguns produtos da criatividade. Coisas que eu escrevia para apenas para desinchar mas que tinham, pois, boa forma. Normalmente, deitava-as fora. Porque, como disse, desinchava e o referido processo ficava concluído. Hoje tenho pena de não ter essas coisas para ler. Tenho a certeza de que me aproximariam mais de mim.

 

Sempre tive este vício de me desfazer das coisas. Mesmo as fotografias tipo-passe, que tirava para as inscrições anuais da escola, eram oferecidas aos colegas da turma e as que restavam desapareciam não sei como. Agora, já não sei como era. Hoje tenho pena de não ter essas coisas para ver. Tenho a certeza de que me aproximariam mais de mim.

 

Como se verifica, durante anos, só me apeteceu esquecer-me. O que já não sucede. E, nem que seja só por isto, sou feliz.

 

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