Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

HUMILDADE


Cat2007

16.06.17

Resultado de imagem para mafalda humildade

Ainda a propósito do que escrevi atrás, venho afirmar que a humildade é fundamental. Irritam-me e desapontam-me as pessoas que não são capazes de dizer: "eu não sou capaz". Que "não percebem". Que "não sabem". 

 

Toda a gente sabe que ninguém sabe tudo sobre aquilo de que fala. Toda a gente aceita que as pessoas se metem a falar de assuntos que não dominam. É saudável isto, aliás. Falar de assuntos não dominados. De outro modo, para quê falar? Só se for para andar a dar prelecções aos outros. Assim para obter o retorno sobre o próprio ego. Talvez. 

 

Em qualquer matéria o que é mesmo interessante é reflectir. E se puder ser numa troca, melhor. Surge conhecimento da humildade partilhada. Não obviamente o cabal. Mas mais algum. O que nos ajuda. E não cansa mas alivia. Ao contrário do que se possa pensar.  

 

A base da honestidade é pessoal e íntima. Quem não percebe isto só faz tristes figuras. Com certeza que todos sabemos um bocadinho das coisas. De várias coisas. De alguma coisa. Temos a sensibilidade, a inteligência, e experiência a cultura e a educação. Estes processos contínuos que nos dotam dos meios necessários para tentar aprender alguma coisa.

 

A FELICIDADE É UM PONTO DE VISTA PESSOAL


Cat2007

14.06.17

Resultado de imagem para bertrand russell em busca da felicidade

 

Porque é que alguém se há-de lembrar de uma colega da escola primária? Isto se nenhuma teve um significado especial. É verdade. Não gostava de especialmente de nenhuma menina. Passo as classes todas. Da 1.ª à 4.ª. E não me lembro de ninguém com exactidão.

 

Talvez fosse estranha. Entre os 5 e meio e os 9 eu devia ser estranha. O que farão hoje em dia as pessoas de quem eu não me lembro? Uma só. Será feliz? Que pergunta parva. Aposto que não. Apenas porque a felicidade é um ponto de vista pessoal e a maior parte das pessoas não atina com isso.

 

Só conheci duas pessoas na vida que se declararam felizes. Declararam-mo. Confesso que fiquei escandalizada na altura. O meu pai e um ex-namorado. Escandalizou-me a convicção e a certeza.

 

Depois do choque, reflecti em ambos os casos. A felicidade nada tinha a ver com posses materiais, realizações profissionais ou com o amor. A coisa estava toda no chão. Ambos tinham os pés muito bem assentes no chão. Que não era chão, mas uma base constituída por um conjunto de certezas sobre as quais actuavam no dia-a-dia. Uma pessoa pode ser feliz se tiver mais ou menos a certeza sobre aquilo que lhe vai acontecer. Embora, antes de mais, seja preciso ser saudável. E sentir que sim. Era o caso. Também não eram demasiado introspectivos. Suficientemente Inteligentes para manter o raciocínio virado para fora. Sabiam intuitivamente que, a partir de um certo ponto, pensar sobre o eu é como fazer um caminho para dentro de uma gruta onde não há mais nada para descobrir para além de escuridão, humidade e pedra. Não sei se leram o Bertrand Russell.

 

Em resumo, o que estes dois tinham era confiança. Em si. Nos outros. E nos imponderáveis da vida. Esta ordem não é aleatória. Em si. Nos outros. Nos imponderáveis da vida. Um tipo que confia em si mesmo acredita que é capaz de resolver qualquer problema vindo dos demais ou do acaso. E se não for capaz, é porque não pode. Aceita. Não se culpabiliza. Nem se acha um fraco. Um tipo confiante é humilde.

 

Se houvesse alguém na minha escola primária que fosse humilde eu lembrava-me. Talvez não pudesse dizer o que faz hoje. Porque o percurso de vida de uma pessoa humilde corre mais ou menos como um rio. Quero dizer, acontece naturalmente. Nesta naturalidade, um ser humano pode acabar a vender bolas de Berlim na praia ou construir um império económico. Em qualquer dos casos, não é onde cada um acaba que define a sua felicidade. Se me lembrasse de alguém que fosse genuinamente humilde da minha escola, era capaz de apostar que hoje é feliz.

 

PAGAR PELOS ERROS


Cat2007

12.06.17

Resultado de imagem para mafalda errare humanum est

 

A responsabilização faz-se sobre as pessoas em relação às coisas que elas não fizeram bem mas deviam. Está delimitado o âmbito. Mais do que isto é abuso. Menos do que isto é laxismo. O sentido de justiça é o princípio que rege a matéria.

 

Como diz, e bem, a Joss Tone, todos tem os o direito de errar. "The right to be wrong". Errar é, aliás um exercício de grande utilidade. O erro liberta o espírito de embaraços supréfulos e é um dos mais eficazes instrumentos de aprendizagem. Sobretudo porque não há quem não erre. Não errar é desumano. Por isso seria um absurdo proclamar "no right to be wrong".  

 

O que importa é medir os danos. É preciso responder pelos danos. Na medida certa. Ou seja, a medida do pagamento tem de ser igual ao montante dos prejuízos. Assim mesmo. Se mais. Sem menos. Com certeza que os danos morais e as expectativas legítimas estão aqui incluídos. São contabilizáveis. Embora de conta difícil. Porém, não impossível.

 

Pedir desculpa é bom. Faz bem à contraparte, mas se for só isso é um facto de baixa produtividade e de nenhum interesse. Pedir desculpa é só a primeira parte. O primeiro acto. O acto que fica sem sentido se não for seguido pelos demais correspondentes.

 

E voltando atrás, os erros pagam-se em função dos danos. É natural que este processo implique dor. Temos pena.

 

Mas temos mais pena de quem pede cabeças. Eu sou contra a pena de morte. Porque o princípio aqui em causa é o da justiça. Justiça sem humanidade não faz sentido. Humano é o erro. Não pode ser tão irreversível como a morte.

 

CIÚMES


Cat2007

07.06.17

Resultado de imagem para ciumes doentios

 

Existe, creio eu, uma certa tendência geral para confundir uma monumental cena de ciúmes com uma poderosa demonstração de amor. A mim as cenas de ciúmes provocam poderosas dores de cabeça e monumentais ataques histéricos. É que o ciúme, só por si, não tem nada a ver com o amor. Desiludam-se os ditos optimistas, os egocêntricos, os chamados crédulos, e todos os demais que, por uma razão ou por outra, gostariam que assim fosse. Só para darem um tiro no próprio pé.

  

O ciúme em si é uma manifestação de um traço particular da personalidade de uma pessoa. O caprichoso. O caprichoso quer o que quer porque quer. E se não lhe dão o que quer, até é capaz de chorar. O caprichoso decide secretamente sobre os actos que as outras pessoas hão-de ter. Espera, não apenas que se actue em conformidade com os seus desejos, mas inclusivamente, que se adivinhe que desejos são esses. O caprichoso apaixonado é pior do que uma abelha confundida. Mete o ferrão em todo o lado porque acha sempre que são tudo flores. Quem gosta disto devia usar pólen em vez de creme hidratante!

 

GOSTAR DO PRÓXIMO


Cat2007

06.06.17

Resultado de imagem para gostar

 

Em casa. É o melhor sítio onde se pode estar. Também gosto de estar na cama. Uma vez uma miúda disse-me que a cama é o útero. Pareceu-me logo que ela tinha razão.Acho uma grande maçada estar e ser integrado. A não ser que seja em casa. Na nossa casa (aqui temos que nos sentir bem, evidentemente). Estar integrado é fazer parte de alguma coisa e, sobretudo, acreditar nela. Compreende-se, portanto, o número absurdo de gente desintegrada que por aí anda. Bom, mas ainda bem. É muito positivo não acreditar nas coisas que não se percebem e ter uma sensação de desadaptação. É positivo porque desenvolve um certo espírito inconformista, logo um certo dom de ser criativo.

 

De qualquer forma as pessoas só são iguais porque acreditam que sim. Mas não são. As pessoas mais iguais são muito diferentes. Todas as pessoas não partilham de valores e emoções análogas. E falo de valores estruturais e emoções persistentes. As pessoas esforçam-se. É só isso.

 

Em vez de se esforçarem as pessoas podiam só gostar umas das outras. Porque é isso que as outras pessoas procuram nas outras. Que gostem delas. As outras pessoas querem que as outras pessoas gostem delas. Pois. É verdade. É a busca de afecto que nos move a todos. Só que, no meio do caminho, as pessoas deixam de saber isto. E procuram promoções, automóveis e casas. São como beijos e abraços estas coisas para as pessoas.

 

Mas, por outro lado, gostar de alguém não é uma decisão. Não é uma decisão que as pessoas possam tomar. Assim, as pessoas não podem gostar das outras pessoas só porque querem. Ouvi, aliás, dizer que a aura tem um papel muito importante nisso. Nisso de gostar dos outros. Trata-se da energia que cada um emana e que o outro não gosta ou, mesmo, não consegue suportar. A energia tem reconhecidamente efeitos poderosos. Há sítios cheios de má energia. O pior, é que não é dos sítios é das pessoas que por lá respirar. É por isso que as pessoas não podem gostar das pessoas, quando querem que as pessoas gostem de si. Das pessoas. E cada um de si próprio. De qualquer modo, não vejo como é que alguém com má energia não se autoconsome.

 

PARECER DIFERENTE


Cat2007

02.06.17

Resultado de imagem para grupo de adolescentes

 

Quando era uma liceal era, para além disso (para além de ser uma adolescente a frequentar o liceu), muito sensível à diferença. Não queria nada ser diferente. Como nenhum adolescente quer. Nisso eu não era diferente de ninguém. Os adolescentes querem ser iguais entre si. Ou uns iguais aos outros. E querem ser diferentes dos pais. Portanto, os adolescentes querem integrar-se, tendo verdadeiro horror à diferença.

 

Lembro-me de alguns liceais diferentes lá no meu liceu (gosto de dizer liceu, e não escola secundária. Senão eu era uma secundarial , e não uma liceal). Uns porque eram obesos. Outros porque tinham óculos. Uns porque eram amaricados. Outros porque eram demasiado feios. Uns porque fumavam charros. Outros porque ficavam grávidas. Uns porque tinham um aspecto freak-pobre. Outros porque eram maria-rapaz. Uns porque eram "marrões". Outros porque não jogavam nada. Uns porque... Outros porque... Os demais, que eram a maioria, não tinham destes porque. Eu era assim. Igual a todos para não ser diferente porque. Porque se eu tivesse algum porque que se notasse, os demais se afastariam de mim porque.

 

Os adolescentes não suportam que se afastem deles. Os seus pares. Os outros adolescentes. Porque os outros são todo o seu mundo de invenções. Na adolescência todos imaginam que cortaram com os pais. A sua família é o mundo. O mundo dos adolescentes. Ninguém quer ser expelido desta atmosfera. O mundo dos adolescentes é o único mundo que existe para os adolescentes. É, portanto, um milagre sobreviver à fase da adolescência.

 

Em boa verdade, a diferença existe para todos. Cada pessoa é diferente. Malgrado o esforço de integração. Somos todos diferentes uns dos outros. E isto não tem que ser uma coisa boa ou uma coisa má. É um facto. Um facto que não significa nada para além do significado que tem.

 

As pessoas tendem a confundir diferença com especialidade. Especialidade para bom. Não especialidade para mau. No entanto, as maiores especialidades são, talvez, de índole culinária. A especialidade está muito mais nos resultados dos actos do que na essência das pessoas. A especialidade só pode ser identificada numa produção ou, então, ser uma ideia relativa. Uma ideia relativa ou a ideia que alguém faz de alguém. O meu vulgar pai é muito especial para mim, por exemplo. E não há forma de eu ver nele uma pessoa vulgar. Ele  é especial. E, talvez, só eu é que veja a coisa assim. A especialidade não infecta, pois, toda a personalidade de uma pessoa, por um lado, e pode não existir para além dos olhos amáveis de alguém, por outro. Ou seja, objectivamente, não existem pessoas especiais. Só produtos ou sentimentos.

 

Pág. 2/2

stats

What I Am

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.