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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

QUANDO ALGUÉM DEIXA DE GOSTAR


Cat2007

31.05.19

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Sucede-me ter os afetos e os respetivos objetos bem arrumados em espaços próprios e distintos no meu coração. É por isso que não poderia jamais ter sexo com alguém que fosse um amigo. É também por isso que há algumas pessoas que são a pessoa mais importante da minha vida. É por áreas, espaços, de afeto, sublinho. Ou seja, para cada contexto afetivo existe a pessoa mais importante. Que são várias, portanto. Repito. Mas não muitas. Esclareço. O fio condutor é o amor. Um amor de cada tipo. Para cada tipo. Claro. Uma mãe e um pai e os irmãos. Um amor. Um amigo ou dois. Vivo convencida de que as pessoas destes lugares de afeto apenas os ocupam porque também elas o sentem em igual medida. É a coisa da alimentação dos sentimentos. As pessoas não se alimentam de pessoas, de certo modo. Mas os afetos alimentam-se de afetos. Assim, as perdas não têm significado de relevo quando alguém deixa de gostar. Uma perda só o é realmente quando o amor existia e foi a vida que nos espoliou. Dito isto, penso em amores e amigos que já não o são. E não dói nada.

 

ABORRECIMENTO


Cat2007

30.05.19

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É interessante. O que é interessante? Falo das pessoas. Do meu ponto de vista, as pessoas interessantes são aquelas que conseguem despertar-me a atenção. Não falo do físico, naturalmente. Apesar de que tudo é sempre um conjunto. Não sei se peço muito. Ou se peço pouco. Não sei o que é muito ou pouco nesta matéria. Também não sei se não serei um bocadinho esquisita. É interessante uma ou duas frases com conteúdo improvável. No sentido de inesperado. Ou, então, inovador. Confesso que aborrece-me ouvir sobre o que já sei de todos os dias. Deste modo, andei a acompanhar religiosamente uma série sobre uma psicopata chique e bem-sucedida. Mas muito muito entediada. Vilanelle. Claro que é necessário ver para compreender o que quero dizer.

 

MUNDO DE AVENTURAS


Cat2007

28.05.19

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Desde pequena que leio muito. Muitos livros. No início todos os que me apareciam à frente. Hoje em dia, escolho. Mas, como ia dizendo, lia muito em pequena.  Por isso, logo cedo, li todos os livros do meu pai. Além daqueles que também ia buscar à biblioteca perto de casa.

 

O primeiro impulso foi a curiosidade. Porém, o segundo estímulo veio do meu irmão mais velho (2 anos mais), que lia muito mais do que eu, diga-se. Assim, estava sempre a desafiar-me para mais uma leitura. E passou a ser ele quem me apresentava aos títulos.

 

Bem, para dizer verdade, não li todos os livros do meu pai. É que havia a coleção do Aquilino Ribeiro. Tentei. Abri um e a linguagem fechada, agreste, teve em mim um impacto semelhante ao de um pontapé no traseiro. Senti-me, assim, expulsa daquele mundo particular.

 

Porém, o meu irmão não. O meu irmão lia aquilo e vibrava. Quantas vezes o vi a sorrir e mesmo a rir no âmbito daquelas leituras. Depois vinha contar-me as estórias que por ali encontrava. Que me admiravam muito. Quer me fascinavam, quero dizer. E lá ia eu tentar de novo. Ele disse-me que “Quando os lobos uivam” era talvez o melhor. Tentei de novo. E não fui, mais uma vez, capaz.

 

A questão é que aquilo estava demasiado longe da minha zona de conforto literária. Eu, como na prosa e na poesia, tenho na vida um espírito aventureiro com açaime. É assim.

FOBIAS


Cat2007

23.05.19

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Quando eu era pequena a minha mãe tinha o hábito de contar a toda a gente que eu não queria tomar banho. Tratava-se do seu modo particular de pedir auxílio em vão.

 

Eu gritava na banheira. Havia necessidade de dois adultos para a tarefa. E o chão ficava totalmente alagado. Entretanto, a paciência esgotava-se e, portanto, havia dias (felizes) em que me deixavam em paz. A sensação da água a correr sobre a cabeça causava-me ansiedade e falta de ar.

 

Conheço uma pessoa que tem terror de baratas. Mas não pensa nelas muitas vezes. Apenas entra em pânico quando as vê. A isto eu chamo uma fobia bem colocada. O medo surge, e somente surge, em face do objeto ou da situação objeto.

 

Enfim, vou a Itália e o avião, embora da TAP, é pequeno. Claro que já fui a Barcelona, embora na TAP, e o avião ainda era mais pequeno. E fui e vim. Tão confortável, que até dormi. Acresce que, no outro dia, atravessei um túnel já grandinho e nada me sucedeu lá dentro. Aos nervos, quero dizer. Porém, senti ansiedade e falta de ar antes de lá entrar. Devo ter, então, uma clautrofobia em perspetiva. 

 

PERFECIONISMO


Cat2007

16.05.19

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Na medida em que possuo o nível de exigência de uma perfecionista, eu nunca faço as coisas muito bem feitas. É como se fosse duas pessoas. Uma que faz e outra que manda. A que faz fica muitas vezes desanimada. Porque não acredita que alguma vez chegará ao nível exigido pela que manda. É por isso que não tenho grandes expetativas quanto à minha pessoa, bem como me sinto aturdida quando me reconhecem mérito.

 

O AMOR AO ESCORPIÃO


Cat2007

03.05.19

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As qualidades humanas constituem dados relativos, dependendo sempre do alvo, o qual é terceiro interessado (quem aprecia ou aquele não parecia). Mas, em vez de dizer qualidades, é melhor falar de características – que se transformarão em qualidades ou defeitos em função da apreciação que lhes seja feita pelos referidos terceiros interessados. Significa isto que, embora existam boas e más pessoas, assim classificadas em conformidade com os conceitos universais do bem e do mal, não será isso (a bondade ou a maldade) que releva do ponto de vista das relações que se vão estabelecendo entre os indivíduos.

 

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