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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

BONS TEMPOS


Cat2007

20.11.20

 

Lembrança dos bons tempos. Quando a saudade bate...

 

Vou falar do tempo. É com o tempo que conhecemos as pessoas. Apesar de nunca as chegarmos a conhecer verdadeiramente, claro. O tempo consiste nas coisas que vão acontecendo na cronologia dos calendários. Os tempos são, pois, os acontecimentos que se sucedem. Descobrir uma algo novo sobre uma pessoa com quem nos relacionamos há algum tempo é sempre um acontecimento. E estas novidades podem aproximar-nos, afastar-nos um pouco ou, em casos extremos, definitivamente - sendo que os arredamentos definitivos não têm de ter uma correspondência material, mas acontecerem apenas no coração.

Poderia pensar-se que, nas relações amorosas com mais tempo, as rotinas de plasticina instalam-se porque passou muito tempo e nada de novo aconteceu. Mas não. Só numa relação com tempo é que é possível descobrir novos tempos. Bons tempos. No sexo, por exemplo. Mas não é no sexo. Na verdade, o ato em si, do ponto de vista da forma e da perícia, não se altera muito. O que muda é o grau de intimidade que é tanto mais alto quanto mais fundo as pessoas conseguem chegar na entrega. Assim, na verdade, as pessoas tornam-se mais ágeis e adquirem maior perícia nas emoções, reinventando as formas imediatamente anteriores de amar, criando, assim, também a permanente novidade. Ora, voltando às rotinas de plasticina, é como disse. Estas instalam-se porque passou muito tempo e nada de novo aconteceu.

 

CHÁ COM BOLO


Cat2007

05.11.20

A história e a verdade por trás do "Chapeleiro Maluco"

 

Estava a pensar no passado. No chamado tempo que vive nas emoções presentes. Dá ideia que as vivências positivas do passado se incorporam na personalidade de um modo automático, suave e a outras, as más, são como os grumos na massa dos bolos. Tornam a personalidade inconsistente. Agora não me lembro precisamente do que acontece aos bolos quando são cozidos com grumos. Tenho apenas a ideia de que não são bolos bem conseguidos, perfeitos, e que também não têm muito bom sabor - porque, enfim, a farinha não está desfeita. A questão está no que fazer: deita-se o bolo fora? Deita-se a vida fora? Fazemos como no mindfulness. Só importa o momento presente. Vivemos a partir de hoje. Um novo início. O que está para trás é varrido da memória? Mas como? Então não faz tudo parte do mesmo? Do bolo? Uma vez pedi a uma amiga pintora para fazer uma pequena alteração num quadro que acabara de acabar. Porque tinha desenhado uma pequena ironia que não iria ser bem aceite. Era só alterar esse pormenor. Ela disse-me logo que não. Que não era capaz de fazer isso. A obra era o que era. Alterada já não seria a obra. Percebi logo. E o quadro ficou, como ficou. É como o bolo. Já tentei algumas vezes, mas o mindfulness comigo só resulta para dormir – uma vez que tem aquela parte inicial do relaxamento. O passado, o quadro da minha amiga ficou ótimo inalterado. Embora houvesse exatamente quem, como era esperado, não tivesse gostado. O meu passado, na parte em que foi doloroso, ajudou-me muito a chegar mais próxima de mim própria. E isso constitui uma boa experiência pessoal. Há grumos, um certo sabor a farinha em certos pontos, portanto, mas o bolo cresceu como se esperava, havendo ainda várias fatias que se salvaram. Bem, vou servir um chazinho.

 

 

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