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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

VERGONHA NA CARA


Cat2007

30.12.20

Como superar a tristeza de uma separação, segundo a ciência | Ciência e  Saúde | G1

 

É verdade que o amor e a paixão nos deixam em situações muito desagradáveis quando recebemos a notícia de que não somos amados. Repare-se que estou a confundir o amor com a paixão. É propositado. Porque, em estado de paixão, é mesmo nisso que as pessoas acreditam. Que amam.

Bem, a realidade é que normalmente não recebemos notícia nenhuma. Tenho anotado que as pessoas, a outra pessoa, podem, pode desejar aproveitar a situação. Na maior parte das vezes, porque há um momento em que ainda não se sente suficientemente corajosa para meter os dois pés fora da mesma. Não será mentir se disser que normalmente o amor acaba porque há outra pessoa. Do passado ou uma novidade. Mas há outra pessoa. As mais das vezes.

É claro que o período de indecisão do ser querido, que não será, em muitos casos, de incerteza, cria a dúvida confundindo decisivamente o desamado. E é por isso, e porque estão em dor, que as pessoas cedem e acedem a contextos emocionais caóticos e mais ou menos destrutivos.

Porém, em meu entender, salva-se quem, apesar de tudo, percebe que, por muito que se perca, não pode, não perde, a vergonha na cara. Foi o que disse a quem atualmente vive um processo destes.

 

O PUZZLE


Cat2007

29.12.20

Puzzle: origem, críticas e afirmação

 

Dá ideia de que estamos todos muito acomodados. Casados. Empregados. Com férias. Impostos e contas pagos. Nós. A classe média. Casas. Carros. Temos todas estas coisas. Esta situação. Tudo está perfeitamente encaixado. Vê-se o desenho geral. É assim nos puzzles. Porque é disso que se trata. De encaixar peças para chegar a uma imagem que já estava preparada. A nossa vida é assim. Dar cumprimento ao desenho. Ter o trabalho, fazer o esforço, de montar o puzzle da nossa vida, encaixando peça por peça. Porém, as peças não colam umas às outras. Só encaixam. Por isso é preciso não mexer no puzzle. Para não estragar. E é isto que se faz depois de completar o desenho. O supremo esforço de o manter perfeito. É nisto que se baseia a teoria do interesse. As pessoas movem-se essencialmente por interesse. Por este interesse. Proteger o seu puzzle.

 

SAUDADE: O SIGNIFICADO DE CERTOS LUGARES VAZIOS


Cat2007

22.12.20

 

Decoração de bolo de casamento feita em para de duas cadeiras de balanço Foto gratuita

 

Uma festa de família, como é o Natal, requer que, pelo menos, os pais e os filhos estejam presentes nas celebrações. Os meus pais já não estão por cá. Por isso há dois lugares importantes na mesa que ficam vazios. Uma vez que, por definição, passaram a inocupáveis. Uma pessoa, se resolve ficar, nem que seja por breves instantes, a pensar em vazios deste género, verifica imediatamente que tem qualquer coisa a menos a animar-lhe a alma. Deve ser a isto que se chama saudade.

Em pequena era uma surda odiadora de bonecas. Coisa por demais conhecida de todos. Ora, a minha mãe comprou, como presente de Natal, uma linda boneca quase da minha altura. Um tanto surpreendida, apanhei-me a pensar que àquela eu não ia arrancar a cabeça e os membros ou destruir-lhe as roupas. Sucede que, malgrado as minhas expetativas, a minha mãe foi entregar o brinquedo a uma amiga dela. Era para a filha. E eu assisti a tudo. Uma frustração! De tal maneira, que nem me lembro dos presentes que efetivamente recebi. Nunca tinha visto uma boneca tão grande. Fiquei a pensar nela ainda durante uns dias. E também nas razões que levaram a minha mãe a presentear de tal forma especial aquela miúda tão pouco entusiasmante. Nunca cheguei a saber. Por orgulho, não perguntei nada. E também nada me foi explicado. Claro que a minha mãe achou que não era um presente adequado para mim. Uma menina demasiado dinâmica. Agora porque foi dar uma boneca tão grande, a uma miúda, em meu entender da altura, parva, é coisa que nunca saberei.

Se conto esta pequena estória, e porque é verdade que esta foi a única vez que a minha mãe não acertou em cheio nos meus desejos. E tanto assim é que, já em adulta, recebi (embora não no Natal) um galo de Barcelos porta-guardanapos. Fiquei enternecida. Precisava mesmo de um porta-guardanapos. E o galo nada tinha a ver com as coisas que tinha na cozinha para decorar, pelo que ficava ali muito bem. Destacava-se como se fosse uma peça de arte extraordinária.

Com o meu pai o acento tónico colocava-se na ceia de Natal na parte não doce. Tinha de ser bacalhau. E feito do modo tradicional. Na altura não percebia bem isto. É que andávamos o ano inteiro a comer ceias de Natal. Com efeito, o meu pai comprava regularmente bacalhau ali na Rua do Arsenal. E era tanto, que enchia meia despensa. O prato favorito do meu pai, pois. Bacalhau cozido. Claro que, deste modo, as coisas para nós não eram tão divertidas. Nem para a minha mãe, que detestava a rotina. Era, aliás, também por causa desta rigidez dele que ambos se punham a discutir em alguns natais. Na verdade, para o meu pai o Natal não era uma festa. Tratava-se antes de uma celebração de cariz religioso. E porque não celebrar com o seu prato favorito? O bacalhau era o único prazer material que tinha nestas ocasiões. No mais, o mais importante era o que era mais importante na sua vida: estar com a sua mulher e os seus filhos. A família. Foi com o meu pai que eu aprendi a respeitar o Natal.  

 

O NATAL DOS MIÚDOS


Cat2007

17.12.20

Plantão cadastra crianças para recebimento de brinquedo na Festa de Natal |  Prefeitura Municipal da Estância Turística de Avaré SP

 

E porque é que o Natal é importante? Para mim é. E podia ser importante ao contrário ou em sentido negativo. É que, quando era pequena, houve natais em que, apesar de ser Natal, nem por isso os meus pais abrandaram as discussões, estragando o Natal de todos nós, os miúdos. No entanto, mesmo nos natais estragados, havia sempre alguma coisa. Era um momento do tempo assente no calendário em que nós, os miúdos, nos sentíamos mais ao pé uns dos outros. Era como se uma invisible hand nos impulsionasse a uma proximidade ainda mais próxima. Como se estivéssemos em círculo a olhar atentamente dentro dos olhos uns dos outros. E, se o Natal estava estragado, só o estava a festa. É por isso que eu tenho sempre que passar o Natal com os miúdos.

 

UMA RELAÇÃO DE VIVER


Cat2007

17.12.20

O que significa sonhar com nó? | Personare

 

A certa altura da vida estava numa relação de viver. E tinha um pequeno cão. Este cão foi comigo para lá. Antes, podia dormir na cama e estar nos sofás. Depois, foi relegado para uma cama própria para cães. Não me lembro bem dos argumentos. Recordo melhor os gritos. E foi para não ouvir gritos que acedi. Claro que, quando eu e o cão  estávamos sozinhos em casa, ele saltava para a cama e subia para o sofá. E assim passávamos horas até serem horas de a outra pessoa voltar. Chegada essa altura, eu depositava o cão na cama de cão, que deixava aos meus pés junto ao sofá. No entanto, a pessoa chegava e afastava a cama e o cão para longe de mim. Costumava revoltar-me com isto e ia buscar a cama do cão para ao pé de mim. E lá vinham de novo gritos. Por isso, às vezes, deixava o cão ficar lá onde fora posto. Acabei por deixar o cão mais vezes em casa da minha mãe onde era realmente feliz. E foi uma luz que se fundiu dentro de mim.

Mais tarde, estava em outra relação de viver. E um dos meus irmãos apareceu-me lá em casa doente. Vivia sozinho. Naturalmente, acolhi-o, deitei-o, mediquei-o. Porém, andava eu da cá para lá a tratar destas coisas, quando a pessoa me abordou na cozinha para me dizer que não o queria lá em casa. Porquê? Não me lembro dos argumentos. Só dos gritos. O meu irmão apercebeu-se e foi-se embora. Até hoje estou arrependida de não ter saído com ele naquele preciso momento.

De resto, a minha amiga de toda a vida nunca agradou a ninguém.

E no fim veio o verbo sufocar.  

 

FINALMENTE UM DIA DE SOL


Cat2007

15.12.20

Las ensoñaciones del paseante solitario: Por encima de las nubes siempre  brilla el sol.

 

Finalmente um dia de sol! Até parece que, embora não seja verdade, a pandemia se aligeira. Nos dias de sol parece que tudo o que não é bom se se esbate na mesma medida em que as nuvens negras baixas já se foram. Hoje está sol e até parece que estamos mais livres. Que podemos ir passear de outra maneira. Isto é, com outro espírito. Mais alegre. Apesar das “velhas” máscaras e dos “antigos” cuidados.

A propósito de um telefonema que recebi ontem, ocorre-me dizer que as pessoas invejosas caraterizam-se essencialmente por possuírem um caráter que as faz desejar que os outros estejam numa mó de baixo mais abaixo da delas. Já sabemos que o invejoso, independentemente da situação em que se encontre, não aspira a melhorar. Só a piorar. A situação das outras pessoas e o seu próprio estado de espírito animado por tais energias negativas. Para tanto, e porque pouco mais pode fazer, a pessoa invejosa intriga.

Mas não quero estar aqui a deter-me sobre estes processos de baixa moral. Falei porque me impressionou o tal telefonema. Que aconteceu num dia feio de chuva. Fiquei com pena. Mas hoje está sol. E ninguém telefonou para me aborrecer.

Tenho uma coisas de trabalho para concluir e depois vou fazer uma caminhada. 

 

QUAL É O TEU FAVORITO?


Cat2007

11.12.20

Significados: Cores das Rosas

 

Uma vez, em conversa, alguém (não adolescente), disse-me que o seu cantor preferido era X e, logo de seguida, confessou-me o seguinte: “não é que eu goste assim tanto dele, mas tinha que ter um preferido para quando alguém me perguntasse”.

De facto, as pessoas estão sempre a querer saber qual é a nossa cor, o nosso autor, o nosso livro, o nosso cantor, a nossa música, a nossa frase, a flor ou a planta. Como se, pelas respostas dadas, fosse possível traçar a personalidade de alguém, revelando-lhe alguns segredos, e, claro, chegar a uma proximidade qualquer.

Para, precisamente, responder a um questionário imaginário sobre o tema estou a pensar no azul-marinho, em Dostoievski, no “Crime e Castigo”, em “That’s life”, na Amália, no facto de que “Não é possível comer um bolo sem, ao mesmo tempo perdê-lo”, em tulipas ou em bonsais (que não são plantas, mas árvores muito parecidas com plantas). Porém a questão é que poderia responder castanho, Pessoa, “A amiga genial”, “No teu poema”, Sinatra, “O inferno são os outros”, rosas e numa planta bonita de que não sei o nome.

Não obstante, a verdade é que agora estou com uma camisola encarnada, depois de há pouco ter lido Goscinny e Uderzo, a contarem mais uma aventura de “Astérix”, a ouvir o “Love never felt so good” do Justin Timberlake, sem me lembrar de qualquer frase guia, num cenário tocado pela ausência de flores ou de qualquer planta. E tudo isto faz parte do meu plano favorito para hoje.

 

PERDÃO FEITO À PRESSA


Cat2007

10.12.20

 

Pedras Fotografias de Banco de Imagens, Imagens Livres de Direitos Autorais  Pedras | Depositphotos®

 

Sobre o ressentimento, creio que a dor que faz ressentir não tem de ser propositadamente provocada. Pese embora seja claro que a intenção também conta um bocado nestas contas. Seja como for, as coisas não estão tanto nos atos praticados pelo agressor, mas situam-se mais nos planos da sensibilidade e da história de cada um que é ofendido.

Como sabemos, não é qualquer dor infligida, ainda que séria, que provoca ressentimento. No âmbito da normalidade das coisas (portanto, fora dos planos de vida das pessoas neuróticas, hipersensíveis e outras), é preciso tocar em certas áreas, eu diria, mais estruturais das emoções para termos quem nos ressinta.

É evidente que o verdadeiro ressentimento só nasce, cresce e amadurece nas relações mais profundas entre as pessoas. Ou seja, nas relações de amor romântico, não romântico (amizade) ou amor de família, onde as pessoas são mais capazes de magoar e suscetíveis de serem magoadas, dado que todos, de uma maneira ou de outra, dão o flanco.

O ressentimento não é mais do que a dor calcificada pelo perdão feito à pressa em nome da preservação do amor. Resta saber quantas pedras destas suporta a alma de cada um ou quando é que o amor acaba.

 

OS PEQUENOS CANALHAS


Cat2007

01.12.20

O acolhimento necessário da criança ferida do adulto - Toda On

 

Sei de um rapaz que, em criança e depois na adolescência, ouvia permanentemente elogios da mãe. O mais inteligente, o mais bonito, o mais forte, e por aí fora. Na verdade, aquela mãe, sem nunca demonstrar porquê, sem jamais o por à prova, dizia-lhe sempre que era o maior, sendo que ele se convenceu firmemente disso.

Claro que, desde muito pequenos e pela vida fora, temos de enfrentar os outros e as situações fora de casa. Sobretudo, a escola e, mais tarde, o trabalho e, claro, o amor. Assim, aquele rapaz descobriu que não era bem o que a mãe lhe tinha dito (o que, de resto, não existe). Que, afinal, era só uma pessoa como as outras, embora baixo e com pouco cabelo.

Então, deixara de acreditar na mãe, e, portanto, sentia raiva dela. Igualmente, enganava a namorada de há um ano porque, consequentemente, não confiava em mulher nenhuma que lhe tivesse afeto. E, por fim, não tinha boa relação com os colegas de trabalho por sentir-se sempre pressionado (por si mesmo, claro) a mostrar mais do que eles.

Apesar de perceber os seus problemas, compreendendo que sofria, não consegui sentir empatia. Um gajo que já não gosta da mãe, que engana a namorada e que faz a vida negra aos colegas de trabalho…

Como todos os que são assim, este era apenas um tipo que procurava a fórmula para sentir-se melhor com o que fazia. Para ser desculpado pelo que de mau praticava. Não tentava reinventar os seus afetos e, tão pouco, queria saber do valor da humildade.  

Quero lá saber dos passados infantis, de pessoas atualmente infantis, mas que já são adultas. Não há nada pior do que um adulto-criança. Um pede-pede, mas não quer comer a sopa de legumes. Em suma, um pequeno canalha.  

 

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