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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

NÃO QUE PREFERISSE BRINCAR COM RAPAZES


Cat2007

28.05.21

 

Rumo a uma União da Igualdade | Portugal 2020

 

Quando era pequena, não preferia brincar com os rapazes. O que realmente gostava era das brincadeiras deles. Não queria ser um rapaz. Na verdade, o que tinha era pena de não ter muitas companheiras para brincar assim. Pelo menos, poderia ter uma irmã. Para ser como eu. Uma miúda que gostasse de liberdade. Mas não tive.

No entanto, ainda assim, no que diz respeito às brincadeiras, os meus irmãos não me distinguiam. Eu era como eles. A questão colocava-se lá fora.

Sob o controlo apertado das respetivas mães, as miúdas mal saiam de casa. A não ser para irem para casa das outras. Não tinha, pois, como disse, mais do que uma ou duas amigas. Talvez por isso, até hoje, não seja uma pessoa que goste de andar em grupos alargados.

Eu via bem que a minha mãe era substancialmente diferente. Uma mulher da liberdade. Sempre atenta às sensibilidades. Sempre a ver o que fazia as pessoas felizes, acreditando que a felicidade estava exatamente na possibilidade de cada um fazer as coisas de que gostava. Eu gostava de jogar à bola e de brincar com carrinhos, correr e subir árvores. Para ela estava muito bem.

Assim, se é verdade que as outras meninas acreditavam que não queriam nada comigo, é também certo que eu própria há muito as excluíra do meu contexto. Quanto aos rapazes com quem brincava, estes, embora me deixassem entrar no seu mundo, faziam questão de me lembrar que jamais deixaria de ser uma rapariga, logo inferior. Isto obrigou-me a correr mais, a jogar melhor, a subir mais alto, a arriscar mais e a distribuir chapadas para um lado e para outro. Tudo para me fazer respeitar.

Como se observa, não fui como, de resto, não sou poupada a uma certa solidão e ao stress. Difícil, muito difícil.

 

PENSAR MENOS NO TRABALHO


Cat2007

25.05.21

COVID-19: Recusar teletrabalho terá de ser feito por escrito

 

Todos temos de pensar menos no trabalho. Porque pensamos muito e não é preciso. A maioria dos pensamentos sobre trabalho incidem sobre realidades paralelas às tarefas em si. Já sabia disto, mas, desde que estou em teletrabalho, percebo empiricamente o fenómeno. Agora, que só penso naquilo que tenho de fazer, registo uma melhoria assinalável nas minhas condições psicológicas e emocionais. Além disso, e também por causa disso, trabalho melhor, em menos tempo, produzindo substancialmente mais. E, como já estou em casa, não levo assuntos de trabalho para casa. Ou seja, em minha casa deixaram de entrar a ditas questões paralelas.

Vejamos:

Por um lado, quem está em trabalho presencial leva a casa para o trabalho. Quando digo a casa, falo, por exemplo, das chatices ou das alegrias da vida pessoal. Grande parte das pessoas vai para o trabalho partilhar sobre as coisas da vida privada (não disse vida íntima, mas também pode suceder) e, se não fala disso, vai com o estado de espírito determinado por isso. É, aliás, por esta ordem de razões que muitas pessoas enchem o seu ambiente de trabalho, com fotografias dos seus mais queridos, plantas e flores, bem como uma série de objetos a pretender ser personalizados, como pesa-papéis, agrafadores, caixinhas, clips, etc. decorados com corações, abelhas e joaninhas, pistolas ou notas de dólar.

Em segundo lugar, há a velha e má intriga. Embora algumas pessoas criem intrigas para disfarçar a sua própria incompetência ou para serem promovidas ou as duas coisas, o certo a que, na maior parte das situações, os maiores geradores de intriga laboral são a invejazinha ou a simples embirração. Ou seja, intriga-se porque sim sem um objetivo útil.

Salvaguardadas as pessoas com é possível estabelecer uma amizade, a maioria das relações laborais originam um ambiente desagradável que cansa muito e dá cabo dos nervos, com efeitos diretos na produtividade.

 

O TEMPO QUE DURA O AMOR


Cat2007

21.05.21

Entenda as diferenças entre amor e paixão - Diferença

Estou convencida de que a paixão e o amor consubstanciam a mesma realidade afetiva. Assim existe apenas o amor. Já amei mais em três meses de infinitude do que em muito respeitáveis seis anos de vida em comum.

Por outro lado, não estou convencida que o tempo mantenha o amor. Mas, antes pelo contrário, creio que é o amor que determina o tempo. O tempo das relações. O quanto duram – isto sem embargo de muitas relações ficarem muito tempo para além do tempo em que amor que já se diluiu.

Quero partilhar o “Soneto da Fidelidade” de Vinícius de Moraes através das palavras de Alexandre O’ Neill: “Aquela coisa do amor a ser eterno enquanto durar só mesmo dum malandro de génio, que era o que era o Vinícius. Dava a impressão que ele fazia poesia para engatar, para ser imediatamente útil, o que é uma excelente maneira de fazer poesias. Os especialistas não gostam, dizem que se sacrifica muito ao anedótico, mas haverá coisa mais excitante do que conseguir engatar uma mulher com um soneto? Só mesmo os dois fingirem que foi por causa do soneto...

Eis o soneto:

“De tudo, ao meu amor serei atento antes
E com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure”.

 

A INCOMPETÊNCIA E A LAMA


Cat2007

20.05.21

Floral Meninas Vestido De Pérolas Arco Vestidos De Verão 2017 Vestido  Branco Vestido De Noiva Rosa

Gosto muito de ver páginas em branco. Apetece-me logo rabiscar qualquer coisa. Como quem quer deixar uma mensagem. Tal qual fiz no vestido imaculadamente branco da menina que, cheia de curiosidade, se aproximou de mim em passinhos de bailarina quando eu, em pequena, brincava com lama junto a uma obra. Olhou para mim como quem espreita lá de cima. E eu lancei-lhe a dita lama em cima. Foi a forma que eu vi certa de a qualificar para brincar comigo. Porém, não resultou: a miúda desfez-se em prantos e brados. É assim, muitas vezes, a intenção com que escrevo certas coisas não é entendida nem bem aceite. Não obstante, tenho muito gosto em escrever.

Agora tenho vontade de escrever a uma ou outra pessoa que conheço. A algumas pessoas que se encontram visivelmente deslocadas dos contextos em que estão tão mal integradas como a menina do vestido branco. Gostaria de partilhar com elas a ideia de que é preciso humildade para ter vontade de aprender e fazer o respetivo esforço, contando com todos os que trabalham na mesma obra. É preciso esquecer a vaidade, despir a arrogância e tirar o vestido branco, vestir uns calções e uma t-shirt, pôr uns ténis e adotar a atitude de quem está verdadeiramente interessado em perceber por que razão e com que objetivo se mexe lama dentro de uma lata de tinta. Eu queria fazer barro para depois construir bonecos e casas. É preciso compreender qual é o projeto subjacente às atividades e trabalhar com seriedade e respeito. Não há outra forma de estarmos íntegros nos contextos onde a vida nos vai integrando. E é a isto que eu chamo competência.

PAREDÕES BRANCOS


Cat2007

17.05.21

Just as she is: Paredes brancas

 

Sempre tive medo daqueles elevadores que passam por grandes paredões porque fantasio que, se o aparelho parar, nunca mais saio lá de dentro. Como sair? Não há porta. É preciso ir puxar as roldanas ou lá o que é do elevador para o tirar do sítio. Tenho impressão que isso demora uma eternidade. Entretanto, fico com falta de ar e morro. Quando era pequena brinquei umas vezes dentro de um elevador assim. Um grande paredão branco a passar. Meti-me lá dentro sozinha. E andava para cima e para baixo. Era tão pequena, que mal chegava aos botões. Entretanto, apanharam-me nesta atividade e levei uma repreensão. Podia ter-me acontecido algo. Como não compreendi que poderia ser entalar uma mão ou coisa parecida, conclui que o pior que podia acontecer seria o elevador parar e eu ficar para ali esquecida para sempre. Nunca mais me meti naquele específico elevador. Desde então, detesto paredes brancas muito altas atrás das portas. É que as portas ficam inutilizadas no seu sentido útil se a parede não se afastar. E normalmente, as paredes não se afastam, embora não saiba se existem, para além das que estão à frente das portas dos elevadores. Então, sendo assim, as paredes brancas correm à frente das portas dos elevadores que, se não pararem, nos levam à porta de fora, que se, abrir, dá-nos um novo cenário. Enfim. Na vida, o elevador pode parar a meio da parede branca. E uma pessoa pode ter o tal ataque de falta de ar e até morrer. Porém, não é assim que as coisas se passam. Ou seja, as pessoas não costumam morrer dentro de elevadores. A menos que se incendeiem ou caiam nos buracos próprios. Na vida fora da minha fantasia da morte por asfixia, acontece o que disse. Chamam os homens que arranjam elevadores e eles vão lá acima mexer nos mecanismos. De maneira que o elevador acaba por chegar até uma porta qualquer. Claro que é sofrimento aquele sentimento que acompanha tal processo. E depois há o cenário que se abre. Não sabemos exatamente como será. Pelo menos é assim quando entramos em edifícios desconhecidos.

TESTES À PERSONALIDADE


Cat2007

10.05.21

Cartão usado em teste psicológico

 

Estava a lembrar-me de uns testes psicológicos que fiz. A certa altura, pediram-me que escrevesse, já não sei em quantas poucas palavras, sobre a matéria que escolhesse. Não me ocorreu nada. As férias. Política. Futebol. Sociedade civil. Ambiente. Nada. Por isso comecei a escrever sobre estar naquele momento a escrever a pedido e o que achava eu disso. Gostaram. Os psicólogos. Sei isto porque, tendo perguntado quando passei para o “Teste de Rorschach”, disseram-me que era criativa e resolvia bem problemas. É por isto que digo que gostaram. O dito Rorschach também correu bem porque não vi monstros nem figuras agressivas nas imagens das pranchas. Isto, sabe-se, revela um certo equilíbrio. Também devem ter gostado. Os psicólogos.  Fico contente por eles. 

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