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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

DAR A VOLTA COM AS PALAVRAS


Cat2007

04.11.09

 

 

 

Eu dou a volta às pessoas com as palavras. O que eu digo é sempre verdade. Sim, que eu nunca minto. Mas digo as coisas de uma forma que altero tudo a meu favor. Isto foi dito por alguém que dizia que me amava. Apetece-me imediatamente dizer que, se fosse eu, não amaria uma pessoa assim como eu, malgrado o nível do desejo sexual que eventualmente sentisse por alguém que fosse assim parecido comigo.

 

Uma pessoa que diz uma coisa destas, se acredita no que diz, se não está apenas e exclusivamente a defender os seus interesses (e já agora, pergunta-se que interesses serão esses), e, portanto, de má fé, está, no mínimo, equivocada.

 

A vida não é um jogo. Nem um julgamento. Há muitas coisas em comum entre os jogos e os julgamentos, nomeadamente a importância do resultado final. Adiante-se, desde já, só para relembrar aos mais distraídos, que o resultado final na vida é a morte. Para todos, sem excepção. Quer num jogo, quer num julgamento pode haver muitas ou poucas coisas em jogo. Mas há sempre algo que está em jogo. Pode ser muito, pouco ou relativamente importante.  Nos jogos e nos julgamentos, usamos as melhores armas que temos. Ganha quem levar as melhores armas e as conseguir usar nos momentos apropriados. É muito importante ganhar os jogos e os julgamentos. A vida não é um jogo. Nem um julgamento. Repito. A vida não é uma disputa. Não temos qualquer interesse fundamental em jogo na vida que possamos perder ou ganhar. Nenhum de nós. Embora, diga-se, sempre haja quem pense o contrário.

 

Na vida, posso perder a vida, a saúde, o emprego, o dinheiro ou, mais importante que tudo isto, alguém que eu ame porque este alguém perdeu literalmente a vida ou porque se perdeu de mim (sim, talvez interesse menos perder a própria vida do que a vida de um ser amado). Nada disto está em jogo, como é bom de ver. Porque perder ou ganhar nestas matérias da vida não tem nada a ver com as vitórias e derrotas em campo, no tabuleiro ou no tribunal. Todas as espertezas, truques, argumentos ou jogadas que se façam não podem nada contra um certo tipo de imponderável que a vida tem, e o jogo e o julgamento não têm. Nem sequer a sorte ou o azar na vida tem a mesma natureza. Acresce que muitos dos resultados que obtemos na vida pela vida que fazemos e pelo que fazemos na vida não são imediatamente apreensíveis, nem compreensíveis, nem calculáveis.  

 

Não fumadores morrem de cancro no pulmão, enquanto fumadores inveterados vivem até aos 90. Desportistas cedem a ataques cardíacos, enquanto balofos sorriem com um hambúrguer entre os dentes. O executivo mais brilhante perde o emprego e vai à ruína por causa da conjuntura económica, enquanto o traficante de droga que mal sabe ler e escrever fica rico. Houve pelo menos uma mulher que esteve apaixonada por Hitler, enquanto que a maioria dos seres humanos não tem ninguém disposto a suicidar-se consigo ao mesmo tempo. São exemplos recolhidos à pressa. Talvez nem sejam os melhores.

 

Para o que importa, eu queria dizer que não vale a pena andar a jogar na vida. Porque, como disse, a vida não é um jogo com um princípio e um fim, e a vida continua. A vida acaba-se um dia. E tem um toque de definitividade este acabar, que arrepia. Nada se lhe compara. É muito importante tirar da vida a verdade que ela tem. Seja ela qual for. Porque é muito triste morrer, tendo aprendido muito pouco. É muito importante ver exactamente as pessoas como elas são. E dar a ver quem somos. É fundamental não morrer vazio porque não se viveu na vida nada que na vida valha a pena.

 

Portanto, e voltando ao principio da conversa, não se tenta dar a volta a ninguém. Isto se eu estou a entender bem o que isto quer dizer. Dar a volta. Dar a volta a uma pessoa é convencê-la de alguma coisa que não é verdade por forma a que tal pessoa faça ou diga alguma coisa que nos interessa ou convém. Eu digo que não nos convém meter alguém a fazer aquilo que não quer ou a imaginar  que sente o que não pode sentir. Quem imagina que pode fazer uma coisa destas imagina mal. Se alguém tentasse fazer-me isto, eu haveria de perceber. E detestaria. Porque, nos termos atrás expostos, a mentira séria é das coisas mais detestáveis  que pode haver. Não se pode amar quem manipule assim os outros. 

 

Quem me disse o que disse pode ficar muito contente com esta notícia: não me ama. É uma boa notícia porque é um bom principio para um começo de vida noutro lado. Longe de mim. Porque eu não consigo respirar o mesmo ar de quem não me  respeita.

 

E, evidentemente, de quem me conhece mesmo muito mal.

 

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