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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CARTAS DE FIM DE AMOR


Cat2007

05.11.09

 

O que se segue é a reprodução de uma coisa que aconteceu. É correspondência verdadeira sobre coisas da minha vida pessoal que sucederam entre mim e alguém. Ressalvadas a identidades das pessoas e alguns poucos factos que não podem, por razões óbvias, ser aqui mencionados, vou publicar a última troca de palavras escritas entre mim e alguém no ano de 2007. Ainda não sei exactamente porquê, mas  faz-me todo o sentido fazer isto hoje, aqui e agora.

 

O que me foi endereçado:

 

Debati-me durante todo este tempo para não te dirigir uma palavra mais que fosse, não por ti mas por mim, que entendo não ser merecedor de perder um instante mais que seja contigo. Mas preciso que  saibas que já sei quem és e o que és, e como tu própria tanto gostavas de dizer em relação a outros terceiros… muito pouco! Apunhalaste-me da forma mais vil que pode haver, viveste comigo todos estes anos depois de um trágico acidente (em que estavas comigo) e que como sabes mudou com muita gravidade e para todo o sempre a minha vida, para trazeres para a casa onde morávamos, a cama em que dormíamos, debaixo do   mesmo tecto que as crianças ... uma pessoa com quem me traíste, num momento em que eu só e num Pais estrangeiro, estava ... numa cama de hospital, na minha ... operação deste odioso acidente.
 
Olhando para trás as tuas atitudes são agora inteligíveis, porque estão finalmente na moldura de indignidade, imoralidade e vilania que lhes compete …  entendo agora:
 
-Porque não me telefonavas, quando estava ... naquele hospital em ...;
 
-Porque gritavas comigo quando te telefonava de ..., e te recriminava por não me te telefonares… Nada como tentar virar sobre os outros, ( ainda que inocentes ) a raiva que sentimos de nós não é?
 
-Porque escolheste para dizer que não estavas apaixonada por mim o telefone, no momento em que estou hospitalizado;
 
-Porque depois de estarmos separados, aceitas-te e fundamentas-te como de grande importância para ti as aulas do ..., quando com todo o cuidado por telefone te fiz sentir não ser próprio eu estar a suportar uma despesa que nas circunstâncias era um luxo inapropriado (mais propriamente a patrocinar uma traição); 
 
És um ser sem princípios nem escrúpulos alguns, és o protótipo da perfeita imoral  … tenho a certeza que te penalizaste pela tua vergonhosa atitude … mas isso é natural, a culpa é o grilhão da imoralidade. Por esta altura, já te deves ter culpabilizado horrores e no entretanto te terás por certo justificado e desculpabilizado, porque de outra forma … como viver ?
 
Não te desejo mal porque és digna de pena e um dia fizeste parte da minha vida .
 
Como sempre te disse o segredo está em nos mantermos fieis aos nossos princípios … entende esta mensagem como a minha última vontade (da mais elementar justiça)   em relação à tua pessoa, sem qualquer direito de resposta da tua parte.
 

A minha resposta:

 

Caro ...,
 
O direito de resposta é um direito meu, não teu. No caso, a única coisa que poderás fazer é não ler. Nada mais. Por mim, não me importo de escrever sem receptor. Porque escrever, para mim, é, quanto mais não seja, bom. No mais, importa-me o que eu penso, e não o que tu pensas.
 
Imaginei que te debatesses muito para não falar mais comigo. Conheço-te. Eu não o fiz em sentido contrário. Ou seja, não tive, nem tenho, vontade de falar contigo. Simplesmente, não me debato com nada.
 
Levar uma pessoa para a cama onde eu dormia contigo. Sim. Fiz isso. Fiz amor com ... lá. Mais de uma vez. Não queria que soubesses porque não te queria fazer doer. Não por mim. Nunca tive medo da verdade. Enfim, mas já discutimos muito este assunto. Tu sabes. E concordas... 
 
No entanto, devo-te uma explicação. A principal. Mesmo que não a leias, ela está aqui. Se não a conheceres, ela voará pelo ciberespaço. Assim seja. Ou seja como for melhor. Eu dormi com ... lá para me libertar de vez de ti. Não foi para te magoar. Não foi porque dava mais jeito. Não foi para me vingar de nada. Foi o modo que eu arranjei de te arrancar irreversivelmente de mim. Não havia outra forma de sair, e, acredita, eu bem gostava de ser mais forte (porém, não sou. Sou o que sou). Sair de uma relação sem amor. Sem ternura. Sem consideração. Sem carinho. Sem solidariedade real. De uma relação moribunda suportada a balões de soro, onde a solidão e o sofrimento eram essencialmente meus.
 
Tudo isto não era para ser partilhado contigo. Só eu devia saber. E partir. Porque só eu não podia continuar a aguentar um suplício que era dos dois, mas essencialmente promovido por ti, com a preciosa ajuda dos teus incontornáveis pais. Tu fizeste tudo Montaste um esquema de frieza, afastamento e dor continuadamente suave até que fura.
 
Tu entendes muito pouco. O teu mundo é o teu e o do teu ciclo fechadíssimo, comparável a uma matilha de lobos com dentes a abanar de fraqueza. Todos cheios de angústias imaginárias e vergonhas deslocadas. Aí ninguém se ri com verdade. Aí ninguém gosta de um terceiro. De nenhum. Aí todos têm medo de viver porque receiam neuroticamente ser usados. Aí ninguém dá nada que verdadeiramente seja importante. Isso é um pequeno mundo que vive para dentro de si mesmo. Na neura de se autoproteger.
 
És livre de me dirigir a palavra quando o queiras, assim o queiras. És livre porque, neste momento, eu já compreendo a nossa história. E perdoo o que não era capaz de perdoar. Mas não esqueço. Não é possível esquecer tantos erros cometidos. Especialmente se queremos olhar com limpeza par o futuro.
 
O teu email, reflecte exactamente o que se espera de ti. Aquilo que tu não és capaz de fazer. Soltar-te dessa tacanhez nas emoções. Olhar para além dos olhos cinzentos do teu pai, que já são só os teus. Tu arrependeste de dar uma boa gargalhada. E só queres volatilizar-te num paraíso tropical.
 
Entre mim e ti existiu uma paixão. Que morreu na hora devida. Quando morreu, ficou uma relação de proximidade física fugaz e amor nada. Não podia ser de outra maneira. Nós não somos do mesmo mundo. A nossa relação devia ter acabado há muito. O acidente (e outras fraquezas) juntou-nos por ... anos. Ironicamente, foi o acidente que nos fez ficar juntos e enganados. Há muito que eu sabia que não me amavas. Até mim, tu não estavas preparado para amar. Não foste capaz, nem por um momento, de fazer isso.

 

Há um espaço entre o dizer e o sentir. Tu dizes tudo. Tu queres tudo. E não sentes nada! Nos últimos anos, não te conseguia perdoar a falta de amor sentido, verdadeiro, daquele que se vê no brilho do olhar. Não te conseguia suportar as deslealdades, as agressividades e os enganos forjados que eram os teus (feitos por ti a ti para me enganar a mim). A falta de generosidade moral e emocional. É mais fácil marcar médicos e dar dinheiro. Só que para quem vê, não enganas. Tu não és uma pessoa a sério!
 
Sobre os teus filhos, lembro-te que eles vão ser sempre meus filhos. Não me esquecerei de como fui decisiva para eles cá estarem hoje. Do que lhes ensinei e do que ainda foi possível partilhar (apesar de ti). Não me esquecerei de nada que lhes diga respeito a eles, e que eu assisti. Para mim, serão, pela vida os filhos que eu perdi. Para eles, mesmo que não o saibam, eu serei a outra mãe que eles têm e de que precisavam tanto. Foram os nossos filhos que destruíram a mentira que era a nossa relação. Se não conseguires viver com isto, constrói, reinventa ou mantém-te na verdade que quiseres.
 
Quero-te muito bem. Ou seja, desejo-te tranquilidade e muitas coisas boas para a alma. Espero que saibas amar, respeitar e compreender a pessoa que se seguir. Ouve o Vinicius de Moraes e faz-te à vida sincera e vivida. Pára de lançar a critica permanente sobre os outros. Pára de fingir que fazes tudo bem. Toda a gente vê que não é assim.
 
Se um dia quiseres, apita. Estou cá para o que precisares, apesar de tudo. Apesar dos meus filhos.
 
Saudações cordiais.

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