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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CHARLOT


Cat2007

25.02.10

 

 

É necessário saber perder com classe, como dizia o Chaplin. E ganhar com ousadia. Como, igualmente, dizia o Chaplin. Eu por mim, o que gosto mais na Charlot é aquela liberdade de fechar os olhos, tirar uma peça de roupa à sorte, e é sempre linda de morrer. E o que é que uma coisa tem a ver com a outra? Aparentemente nada. Mas apenas aparentemente. Basta conhecer a Charlot para se compreender onde quero chegar. Enfim, adoro ligações indirectas. Já por isso nunca assaltei um carro. Uso sempre a chave própria, que, regra geral, é minha. Tal como o próprio carro, evidentemente.

 

Ontem o Oscar Wilde dizia que "fechar os olhos a todas as coisas que não são perfeitas pode fazer-nos cair num abismo" ("O Leque de Lady Wintermere") . Porque estamos de olhos fechados, claro. Não que o abismo não seja em si uma coisa perfeita. Trata-se, mais uma vez, de um discurso sobre consciência. Ou melhor, de que o melhor é não ter muita. E tudo isto por causa do direito de propriedade sobre um leque. Leque este, que não devia ter sido vendido porque era um objecto de grande valor estimativo. A verdade é que o seu vendedor o vendeu por um preço exorbitante. No confronto entre o dinheiro e a estima, venceu o dinheiro. E sejamos práticos, ponto final. Sejamos, pois, "Smart ". Estejamos, pois, "in side". Não sei porquê, nunca compraria um "Smart". Mas é só uma impressão que eu tenho. Até pode ser que mude de ideias. Embora não me queira parecer.

 

Sou uma pessoa um tanto arrogante, infantil e pouco esperta. Três coisas que fazem todas parte do mesmo. De um conceito maior ao qual eu não sei dar o nome. Não sei dar o nome ao conceito englobante. Só às suas componentes integrantes, o que acabei de fazer.

 

Quem se preocupava um bocado com a forma como aparecia a si próprio era o Virgílio Ferreira (vide "Aparição"). Estava sempre a pensar nesta coisa. Ora, isso conduzia-o a outras. Com efeito, aproveitava imenso para ver a forma como os outros se viam a si próprios, e apareciam aos demais. Foi então que ele disse que ter muito apetite e, pior, demonstrar o facto, é uma vergonha. É uma vergonha porque está ligado à pobreza ou à animalidade, segundo os conceitos da aldeia. Fartei-me de rir.  Porque ele atribuía isto à sua tia Dulce. Mas estou quase certa de que achava o mesmo. O homem detestava gente glutona por achar exactamente que isso é coisa de esfomeado da pobreza ou de selvagem na civilização. De referir que a tia Dulce tinha imensa vergonha de ter muito apetite e por isso disfarçava, comendo muito devagar e sem demonstrações da grande ansiedade que tinha em devorar tudo o que lhe passasse sobre a mesa (sítio em frente ao qual sempre queria estar). E mais, tia Dulce era magra "como uma suspeita".

 

Creio que tudo o que acabei de escrever está perfeitamente integrado no espírito das coisas que disse o Charlot. Aquelas que comecei por citar.

 

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