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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

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"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

A MOLA NO ROCK IN RIO OU O DOIS EM UM


Cat2007

24.05.10

 

Rock in Rio Lisboa entrada.JPG

 

 

 

Pois tinha duas ideias na cabeça. Escreveria sobre duas coisas completamente diferentes. Em     separado. E eis que percebi que não eram tão diferentes assim. Fiz uma associação. De ideias, claro. E ficou tudo muito claro. O Rock in Rio de sexta-feira 21 tem tudo a ver com a mola. Tinha uma mola na cabeça. Melhor, foi para a cabeça porque saltou-me dentro do espírito. Notei que senti isto no Rock in Rio. Portanto, está tudo relacionado.

 

O meu balanço é positivo. Nas duas matérias. Rock in Rio e Mola. Primeiro o Rock. Bom, o fado foi de longe o melhor do Rock. E ponto. Justificações precisam-se. Não duvido nada. Dou-as. A Mariza é inexplicavelmente poderosa. Nem levou o melhor repertório possível. Havia coisas que eu queria ver e ouvir. Enfim. Mas pouco importa. Há um poder. Não. Não vamos agora perder-nos aqui em grande divagações. Se é a voz. Se é a imagem. Se é a música. Se é a poesia. Que canta. É poder. Porque? Porque sim. O poder é. Não se explica. No máximo sente-se. Quem ainda não viu, não sente nada. A explicação fica então para ser dada pelos sentidos. Quando for o momento de ver. Eu já vi. Várias vezes. Pena que não foram várias seguidas. É a vida... Na linha explicativa que venho a seguir, não faço parágrafo. Porque é a mesma linha. A Sangalo. Pois a Sangalo é um poço de energia e tem uma grande voz. Pena que as músicas sejam insuportáveis. Mesmo assim... "Ivete cadê você? Eu vim aqui só prá te ver" (isto era uma gritaria que se ouvia por lá) e as brasileiras à minha frente, a dancar como ninguém sabe, compuseram tudo numa quase perfeição. Não pude sentar-me na relva. Essa é que é a verdade. E já só queria pelo menos uma musica gira. Para estar inteira naquilo. E lá veio a "Poeira". Nice! Cantei e tudo. Posteriormente ignorei o John M. Coisa para ouvir no carro numa viagem pela auto-estrada. Pode ser. Mas para ali, para mim, não. sentei-me no chão. Depois, deitei-me no chão. Poeira na roupa. Para não dizer pior. Fiquei assim. Esperava a Shakira. Que se fez esperar. Não sei se soube fazer-se esperar. Ou se foi sem querer. Mas foi desagradável. Isso foi. Quando apareceu... Bom, não sei se estava com uma gripe ou "cheirada". Não sei. Os olhos estavam vítreos. E as face rígidas. Pelo menos. E mais. Parecia que não estava lá. Cantou quase tudo o que eram "hits". Não funcionava! Ela não estava lá. Entre músicas (entre cada música) a luz do palco apagava-se totalmente. Que estranho! Que corte! Safou-se com a voz. Era uma voz potente de um fantasma. Mas potente, ainda assim. Pelo que o fantasma iludia. Quase quase a conseguia trazer à vida. Não quero ser injusta e dizer que ela demorou 10 minutos para regressar ao palco. Para o "encore", está claro. A verdade é que eu senti, pelo menos, 10 minutos. Balanço das actuações: positivo. But never an A.

 

Sobre a organização. Não se pode deixar milhares de pessoas a morrer de fome e de sede cerca de 6 horas seguidas! Quem entra para um concerto no "Palco Mundo", já não sai. Porque não pode. Pelo menos, não pode voltar ao lugar de origem. Ora, o lugar de origem é aquele que originariamente foi escolhido. Porque era onde se via bem. E até estava desafogado. Respirava-se. Via-se. Escolhi não sair do lugar de origem. Ia morrendo de tudo. Fome, sede, cansaço. Não percebo!

 

Na tenda VIP (que coisinha mais nojentinha esta designação). Come-se, bebe-se e sentamo-nos à vontade. Também tem écrans gigantes para ver os "shows" que se vão sucedendo. Mas se era para isso, ficava em casa, que tenho um LCD impecável e um frigorifico cheio de tudo o que me apetece. Como é que aquela gente constrói a tenda "bip" "bip" a milhas do palco principal? Só pode ser porque quem vai para ali não vai ao Rock in Rio. E a organização sabe. Aquilo é tudo pessoal com convite que faz o favor de ir lá. Vão um bocadinho agoniados, é certo. Mas como vai lá estar imensa gente conhecida, faz-se o sacrifício. Não acredito que alguém tenha pago €220 por um bilhete "bip" "bip". Mesmo que tenha acontecido, não acredito. Ou acredito tanto como os próprios. Porque é inacreditável!

 

Portanto saltou-me a mola. Não é da roupa. É uma daquelas molas de arame. Daquelas que se comprimem e descomprimem. Todos temos uma mola dentro de nós. O nosso espírito tem uma parte que se agarra ao corpo. Esta ligação faz-se através da mola. Se a mola está comprimida, o corpo como que sufoca o espírito. Se a mola está mais solta, o espírito enche-se de ar e dá boas ideias ao corpo. Para agir. O espírito alimenta-se daquilo que o corpo faz, vê e sente. E para que servem as relações amorosas, se comprimem a mola? De certo modo, somos um bocadinho parecidos com os automóveis. Não me parece que as molas da suspensão possam andar muito tempo comprimidas. Claro que não sei se a suspensão tem molas. Não importa. O importante é compreender a ideia. A mola tem de estar no ponto certo de compressão e/ou descompressão. Pensei. Se a minha mola estivesse agora comprimida, não podia estar aqui assim como estou. Podia estar. Mas não assim. Olhei para o céu limpo. Olhei para as milhares de pessoas. Olhei para o palco. Olhei para a música. Olhei para a minha companhia. Olhei para mim. A minha mola estava no ponto certo de descompressão. Sorri. Para a vida.

 

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