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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

AZUL V - PONTO FINAL


Cat2007

12.07.10

  

 

Madalena voltara-lhe na forma de mulher crescida. Acabada de regressar à sua vida, já lhe retomava o pulso e as emoções. “Madalena”. Voltava a dar por si controlando as pernas e os braços e as palavras. Para não ir até ela.  “São horas de ir para casa.”. O seu verdadeiro desejo era telefonar a Madalena para  lhe dizer que não tinha vontade de ir. Para casa. Marcou. Esperou.

 

Teresa: Estou a sair do escritório.

 

Escutou um breve e fundo silêncio do lado de lá da linha.

 

Madalena: Vem cá ter.

 

Teresa desligou. Madalena dissera-lhe que sim. Sentiu os ombros vergarem. Algo indefinível, mas enorme desprendeu-se do ar e assentou sobre si. Levou consigo este peso tremendo até junto dela.

 

Teresa: Olá.

Madalena: Vamos para a cama?

 

Teresa pôde imediatamente aliviar-se da carga que trazia. Mas não de toda. Os espaços onde as palavras ficaram ausentes, eram demasiados densos.

 

Entraram no quarto e despiram-se. Materialmente distantes e caladas. A parede despida, onde a cama baixa se encostava, estava iluminada pela lua redonda, expondo-se. Elas olharam para lá. No preciso instante em que apontaram o olhar, o filme começou. Sob a luz da lua, a parede branca reflectia nitidamente aquelas cores mudas, mas tão vivas. As imagens não tinham som. Para além das cores, que quase encandeavam, compreendiam-se os gestos perfeitos, completos. Não existiam palavras. E este filme que rodava, dizia-lhes que o tempo, quando quer, pode parar. Que os seus vinte anos não chegaram a passar. Os que tinham e os que correram. Apertaram as mãos para juntas darem um passo em frente. Na direcção do tempo colorido parado na parede branca, sobre a cama do quarto de Madalena. Mergulharam lá, afundando deliberadamente os corpos, que iam juntos. Confundiram a imagem com os braços e as pernas. A pele. Os fluidos. Os sorrisos inaudíveis. E, finalmente, suspiraram profusamente. Mas em silêncio.

 

E depois o tempo rolou, escapando-lhes, afinal. Deitaram-se. A lua mudara de posição. A luz despediu-se da parede e inclinou-se sobre a cama desfeita. O ar encheu-se dos sons ofegantes. O tempo rolou sobre elas, e era novo e presente.

 

Madalena: Estás a sentir?

 

Teresa murmurou qualquer coisa com sentido afirmativo.

 

Madalena: E a gostar, querida, estás a gostar?

 

Teresa não era capaz de responder. Não se concedia liberdade. Colou a boca à de Madalena e prendeu-lhe a língua. Para a calar. Madalena investiu, por isso, ainda mais sobre ela.

 

Madalena: Eu perguntei se estavas a gostar. Tens que me dizer!

Teresa: Querida, Meu Deus! Eu não vou aguentar ...cala essa boca...por favor!

Madalena: Sabes, já não me importa que...tu fujas, que morras...Não me importa porque...hoje... hoje posso morrer contigo...Diz-me, Teresa!

Teresa: Muito!

 

Madalena desceu com a boca até à zona molhada e quente do corpo dela. Aí, desfolhou em agitação as páginas do sonho, procurando por muito tempo um pequeno capítulo de um livro. Da libertação. Sem se cansar, sugava-lhe o corpo para lhe engolir a alma toda inteira. Não podia parar. Não, até ela se desfazer. Buscava a suprema felicidade de ficar com ela desfeita nos seus braços. A única forma de jamais a voltar a perder. E volatilizar-se nos braços dela. Para não pensar que tinha de fugir-lhe. Abriu as pernas para a boca de Teresa, que, de alguma maneira, manifestara o desejo de entrar. Ao abrir, sentiu o corpo que oferecia escorrer sobre o rosto dela. O tempo decidiu novamente parar por um pouco, ficando, desta vez, de fora do passado, presente ou futuro. Pelo momento em que as gargantas se abriram no centro da tremenda explosão que se deu.

 

Logo depois, o tempo prosseguiu no seu ritmo muito próprio.

  

 

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