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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

O QUE É O AMOR? E A SAÚDE? E A FELICIDADE? E... O DINHEIRO?


Cat2007

30.03.11

 

Uma vez li num livro de autoajuda que “a vida não teria interesse nenhum se nos limitássemos a viver sentados numa cadeira de baloiço a comer sorvetes”.

 

Em primeiro lugar, foi o primeiro e único livro de autoajuda que li em toda a minha vida. No entanto, até concordei. Naquele momento. Presentemente apetecia-me estar numa metáfora parecida. Igual não, que eu não tenho grande simpatia por sorvetes. É que a grande actividade e os excitantes desafios diários são uma enorme chatice. Porque não existem no sentido cinematográfico dos termos. Estou entediada, portanto. Não deprimida, pois. Acontece-me muito.

 

Os livros de autoajuda não ajudam a espantar o tédio. Nem a resolver problema nenhum, de resto. São receitas mágicas que ninguém consegue concretizar. E muito menos os seus autores. Estes escrevem os livros e realizam-se financeiramente com as suas vendas.  

 

As pessoas não são repositórios de instruções de bem fazer, tendo em vista realizar feitos incríveis como atingir a felicidade, a riqueza e até a saúde. Gostava muito de conhecer alguém que tivesse tirado real proveito de um produto destes. Portanto, uma pessoa que tenha ficado feliz, rica ou muito mais saudável depois de ler e seguir escrupulosamente estes segredos amplamente divulgados. Por definição, um segredo revelado deixa de o ser e perde o valor.

 

Bom, por enquanto, o que vejo é que os livros vendem imenso e o mundo corre da mesma forma. O único livro de autoajuda que pode ajudar é aquele que cada um estiver disposto a escrever a si próprio. E nem é preciso propriamente escrever.

 

Surge-me um nome. Francesco Alberoni. O sociólogo italiano que se metia a falar da vida das pessoas em todas os aspectos da afectividade humana. Este homem escrevia livros de autoajuda disfarçados de análises sociológicas. Acredito que esta foi a única forma que encontrou para produzir Best Sellers. Sexo, amor, dinheiro e saúde. Os temas que vendem. Que o digam os astrólogos.

 

Há uns tempos atrás não se podia ver ninguém que não trouxesse convicta e orgulhosamente debaixo do braço o “Enamoramento e Amor”. Uma praga! Abri. Li o primeiro parágrafo. Devolvi. Autoajuda. Na devolução tive que disfarçar. “Muito interessante”. Menti. Não gosto de magoar as pessoas sem necessidade.

 

As banalidades. Vamos ver?

 

“O que é o enamoramento? É o estado nascente de um movimento colectivo a dois”. Sim?  

 

Pois. “O enamoramento não é um fenómeno quotidiano…antes pode ser inserido numa classe de fenómenos já conhecidos, os movimentos colectivos”. Como?

 

De facto, “não pode ser confundido com outros tipos de movimentos colectivos, como a reforma protestante, o movimento estudantil, o feminista … ou o movimento islâmico de Khomeini”. Ah, bom!

 

“Contudo, pertence ao mesmo género, é um caso especial de movimento colectivo… as forças que se libertam e que actuam são do mesmo tipo, muitas das experiências de solidariedade, alegria de viver, renovação, são análogas”. Mau!

 

“A diferença fundamental está no facto de os grandes movimentos colectivos serem constituídos por muitíssimas pessoas e estarem abertos ao ingresso de outras mais”. Bem me parecia.

 

“Contrariamente, o enamoramento, sendo embora um movimento colectivo, nasce apenas entre duas pessoas, e o seu horizonte de dependência, qualquer que seja o valor universal que possa desencadear, está vinculado ao facto de ser completo com duas únicas pessoas”.

 

Com este livro, andou tudo a aprender o que é o amor, o enamoramento e o sexo. As pessoas apaixonavam-se e depois iam lá ver se batia certo, talvez. Também costumavam olhar para as relações dos outros e falar delas com propriedade, não sei.

 

Mas o que é isto? Quem é que precisa de um livro para saber aquilo que sente? Pelo menos o que sente. Valha-me Deus!

 

Agora já estou menos entediada.

 

2 comentários

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    Cat2007 13.04.2011


    Viver é ter sentidos e fazer sentido :)
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