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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

VIAGENS


Cat2007

02.05.11

 

 

Na Europa para além de nós, que gosta de se afirmar tão bem organizada das finanças e bem-educada nos hábitos, calha que toda a gente gosta muito de andar de avião sem pagar o bilhete do seu próprio bolso. No sector público, parece que o trabalho de cada um é tanto mais importante quanto maior for o número de viagens pelo ar. Trata-se fundamentalmente de viajar para “ir a uma reunião”. Toda a gente gosta muito de viver de aparências à conta do dinheiro dos outros. Isto é assim na Europa inteira dos burocratas da União.

 

As reuniões propriamente ditas, nacionais ou internacionais, também me enervam um bocado. Em primeiro lugar, parece que são espécies degeneradas de clubes privados. Quem vai à reunião e quem não vai à reunião. Isto pode dizer muito ou mesmo tudo sobre o estatuto de uma pessoa dentro de um determinado contexto profissional. Assim, e em primeiro lugar, sucede muito conceberem-se reuniões só para tal efeito. Depois, e por outro lado, estar numa reunião é uma grande oportunidade de expressar opiniões pessoais sobre o que está bem, o que está mal e o que há a fazer. Um momento inestimável de apresentação, representação e projecção. Uma necessidade vital na era do anonimato, da falta de consideração e da ambição individual e individualista.

 

No fim de cada reunião marca-se outra para o mais breve possível. Só pelo tempo suficiente para concretizar pequenas coisas que servem para alavancar a próxima. Nunca para terminar um projecto rapidamente. Ainda que seja possível. É a subsistência de problemas ditos mais globais ou de estrutura que justifica a continuidade das reuniões. Nestas circunstâncias, trabalhar equivale mais ou menos a um “toca a reunir” que efectivamente não deixa uma pessoa fazer nada.

 

Claramente detesto viagens tendo em vista reuniões internacionais nos casos em que é viável a videoconferência. E são muitos. Definitivamente abomino a espécie de reuniões que decorrem nos termos que descrevi. E são muitas.

 

Resta dizer que pelo menos é bom que as viagens sejam pela TAP. No meu entender, a melhor companhia de aviação do mundo. Os aviões são óptimos. Novos, confortáveis, limpos e com o ar condicionado sempre a funcionar em condições. Ao que acresce um outro detalhe. As hospedeiras são as mais bem vestidas. O bom aspecto universal das hospedeiras da TAP é inquestionável. E é por causa disso (e certamente por mais qualquer coisa que me escapa) que têm o hábito de se verem a si próprias como uma espécie de máximo abstracto que choca com o imperativo profissional de terem de, por exemplo, servir café às pessoas. Talvez seja de facto este conflito que não as deixa sorrir. Que as torna aparentemente tão azedas. Que me faz tão bem! Pessoas azedas tendem a estar mais sérias, compostas e caladas. Num avião gosto de semblantes sérios. Compostura. Silêncio. Bico calado quando estou enervada. Pois. São perfeitas as hospedeiras da TAP. Bem vestidas e antipáticas na medida certa.  

 

Sobre a Europa não quero dizer nada. Sim de Portugal. Impõe-se dolorosamente uma reforma profunda do Estado e da Administração Pública. Há muito que assim é. E todos sabemos há muito. É assim que a Troika não tem capacidade de nos dar uma novidade que seja.

 

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