CAFÉ EXPRESSO

Maio 20 2007

Ter má opinião das outras pessoas enquanto posição de princípio é péssimo. Para eu, para tu, para ele ou ela, para nós, para vós, para eles ou elas. É péssimo. 

 

De acordo com as melhores convicções, vícios , manias, inconsciências actuantes, do egoísmo puro, é péssimo ter má opinião generalizada do outro, dos outros. Atrapalha os movimentos. Impede o fluir natural da vida própria. Provoca angustia por virtude da dúvida e, até, do medo. Numa (ou mais do que uma) palavra é um veneno para a espontaneidade e uma barreira para o amor recebido porque dado (qualquer género de amor, embora o amor profundo seja de um só género e possa acontecer em qualquer contexto, sentido  por nós em relação a qualquer pessoa - basta excluir o desejo sexual  desta impressão para se compreender como é verdadeiro e único o amor sentido na alma, o que dá vida). Pensar mal das outras pessoas, enquanto ponto de partida para a vida do dia de hoje, abre à solidão o caminho para o nosso espírito. Quanto mais longe do outro, mais distante de mim. Não sei se alguém já disse isto. Pode ser. Não sei. Eu digo. O bom egoísta, ou o discípulo de Adam Smith, aquele que acredita na mão invisível, acredita igual e forçosamente na bondade última do egoísmo. Eu procuro o melhor para mim e, nessa busca, contribuo para o bem dos outros e de todos. De outra forma, o bom negócio é aquele que trás vantagens para ambas (ou todas, se forem mais que duas) partes envolvidas. O mau egoísta é estúpido.

 

Pensar mal dos outros sem dados objectivos, sem vivenciar a dor pungente de um murro nos queixos ou, pior, sem o sentido da  experimentada fina agudez de uma facada nas costas, não é também correcto nem justo. Atrapalha as forças de mercado na sua actividade Esta é uma das razões pelas quais não existe mercado em concorrência perfeita. Vejamos, então, as razões da razão: falta de informação; preconceito, desjustamento de interesses (também dos interesses próprios), ignorância das necessidades, desconfiança quanto ao valor das coisas e incertezas sobre o que se tem para dar em troca num mercado de trocas.


O medo é, eventualmente a grande causa.  A causa que antecede todas as oputras razões. O medo. Talvez, primeiramente o instinto de sobrevivência desfocado pelo medo. O medo é uma espécie de edificio macabro. Uma casa assombrada. Não sei. É uma ideia. O medo começa por nos colocar a questão de termos medo. Por medo não agimos. Por medo paramos de agir. Por medo ficamos em casa. Por medo saímos de casa para ficarmos parados na rua junto a uma esquina qualquer. Sem a dobrar. O medo dá medo do medo. A paragem de vida dá-se pelo medo do medo sem saber do que se tinha medo. É do medo.

 

Freeze,  FBI!!!! Congele, somos do FBI!!!!! Isto é capaz de dar medo. Porém, na sala de cinema, sente-se uma libertação quase orgástica. O bem sobre o mal. Vencerá aquele bem sobre aquele mal. A moral hollyodesca impera sobre nós. E nós? Nós ficamos com o cérebro freeze. Enfim, não é tanto congelado, é mais atulhado de ideias. É como se o cérebro cheio de ideias ficasse tão incapaz como um estômago a pedir banda gástrica. Porém, apeteceu-me continuar a falar em freeze, embora não goste especialmente da água (da Frize, pois).

  

De facto revela-se bem por ali, pelo que está escrito atrás, a vontade de me rir, de gozar, de criticar... o outro. Não importa quem ele seja. Assim sendo, com os outros. O meu coração está pior que uma Frize. Desfeito em água com gás de sabor a figo? O figo desfez-se em agua pela acção dos gases? É verdade, o Figo deve estar a acabar a carreira de jogador profissional. É uma pena. É uma pena envelhecer do ponto de vista de uma pessoa como eu. É que, pelos vistos, tenho uma má impressão generalizada da vida. O melhor será começar a pensar a sério em tomar conta desta menina pequenina que está aflita dentro de mim. Freeze!

publicado por Cat2007 às 20:53
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