CAFÉ EXPRESSO

Março 15 2018

Resultado de imagem para talento

 

Uma vez um amigo muito talentoso perguntou-me se eu não podia dar a minha opinião crítica sobre um trabalho que ele tinha feito e que iria sair cá para fora. Disse-lhe o que era óbvio: não estava habilitada. Mas ele respondeu-me que o que precisava mesmo era de alguém que se exprimisse apenas com sensibilidade e o devido distanciamento. “Sabes, às vezes um tipo faz uma coisa e fica todo contente e realizado. Depois, o tempo vai passando, e começamos a duvidar. A certa altura, já achamos que tudo o que fizemos é uma merda”. Enfim, lá disse que sim. Que o criticaria. E critiquei. Na verdade, gostei imenso e muito justamente de tudo.

 

Ainda gostava de perceber este processo em que uma pessoa vai do oitenta ao sessenta e oito, passa pelo dezoito e acaba no oito só porque o tempo vai andando e, claro está, porque se aproxima o momento do veredito.

 

Será que faz parte do processo de produção ou de criação viver esta espécie de estado de espírito degradativo? Talvez, se muito do que se fez se sustentou na inspiração e inerente criatividade. Embora sejam os mais prometedores, os processos produtivos inspirados e criativos não dão segurança ao seu autor relativamente à substância e à aparência do produto final e ao feed-back que há-de vir. Portanto, lamentavelmente, as pessoas inspiradas e criativas são as mais permeáveis a um certo tipo de sofrimento.

 

publicado por Cat2007 às 16:21
Tags:

Março 13 2018

Resultado de imagem para respirar

 

Quando se anda de peito cheio não se anda bem. Se subimos uma longa escada, por exemplo, a certa altura, começamos a ter dificuldades em respirar. Não é que nos falte o ar. Antes pelo contrário, é porque temos oxigénio a mais nos pulmões. Assim, é preciso expirar e não, como se imagina, inspirar. Certa vez, li num livro que um certo dito louco andava pelo hospital a empurrar um carrinho de supermercado com as rodas para cima porque, segundo explicava, não queria que lhe metessem porcarias dentro do mesmo.

 

É verdade que o nosso peito pode encher-se por causa de alegrias porque nem sempre nos colocam coisas más dentro do carrinho de supermercado. Mas, mesmo nestas situações, não pode manter-se assim por muito tempo. É, como disse, por causa do oxigénio a mais. Um descuido, um abuso, e podemos ter um ataque cardíaco ou qualquer coisa do género. Por outro lado, do lado como comecei este texto, quando não é de felicidade, o meu peito também se enche, em sentido contrário, de descontentamento.

 

As razões do meu descontentamento são pessoais. São sempre pessoais. Chateio-me a sério com aquilo que faço e não faço bem. É de posicionamento aquilo de que falo. Da forma como, por vezes, às vezes sem sentir, me coloco em relação à envolvente.  Eu sei sempre de quem gosto. Já vi um monte de mal na vida para saber o que não quero, quem não quero. É um saber inicial e automático. No entanto, deixo-me ir por vezes porque simplesmente deixo ir ou, de outras vezes, pela força das circunstâncias. Não importa, para o que importa, fico desapontada comigo quando me repito nestas coisas. E o peito fica cheio quando fico assim. Então, há que expirar. Deitar cá para fora. Deitar fora. E o peito volta ao respirar normal.

 

publicado por Cat2007 às 18:21
Tags:

Março 01 2018

Resultado de imagem para derrapagem

 

Hoje tinha que ir de manhã a Algés. E fui. Apanhei ali a A5 a seguir às Amoreiras. Já depois de me ter livrado das curvas por baixo do Aqueduto, apanhei uma outra mais à frente e despistei-me. A traseira do carro saiu da rota e fiz meio peão para a esquerda, virei o volante e fiz meio peão para a direita. Porém, a certa altura, o carro lá parou. Não bati em ninguém e em lado nenhum. Liguei imediatamente o carro e segui. Chegada ao destino, fiz (bem) o que tinha a fazer. Pelas onze já estava a regressar. E cheguei bem.

 

Perante o descrito, estou apreensiva. O descrito é que não tive medo. Não é normal. Não tive medo nem estou com medo de pegar no carro daqui a um bocado. Apesar do chão ainda estar molhado. Não é normal para mim. Para a pessoa que eu ainda penso que sou.

 

A pessoa que eu ainda penso que sou teria ficado a tremer no momento imediatamente seguinte ao facto. Depois, conduziria muito nervosa. E, finalmente, era capaz de acalentar dentro de mim receios para o futuro relativamente a situações em que tivesse que conduzir à chuva.

 

A verdade é que não sei exatamente o que se anda a passar comigo. Mas sei que estou feita uma pessoa que consegue ver e sentir as coisas como elas são. Subitamente (ou não), é como se já não cometesse a falta de por sal ou picante a mais na comida (ou a menos). É como se, de repente, começasse a cozinhar bem. Sem excessos e sem carências quanto aos temperos. Isto sem embargo de continuar a gostar muito de comida bem apurada.

 

publicado por Cat2007 às 15:28
Tags:

Fevereiro 23 2018

Resultado de imagem para esculpir madeira

 

Tenho este blog. E digo aqui coisas. Naturalmente. Sobretudo, falo do que penso sobre diversos assuntos que interessam a mim. Por vezes, nem assunto tenho, limitando-me a fazer pequenos exercícios com as frases feitas de palavras evidentemente não soltas. De outros momentos, exponho-me um bocadinho, revelando aspetos mais privados da minha personalidade (porém, não da minha vida, atente-se).

 

Descobri que, de entre as pessoas que aqui vêm ler, há algumas, felizmente muito poucas, que se põem a construir uma certa pessoa que não sou eu a partir de alguma coisa de mim que daqui tiram.

 

Não sei para que se metem as pessoas a fazer coisas destas. Então não é óbvio que de um blog apenas se pode retirar o seu autor por partes? Como se faz uma pessoa a partir de algumas partes? Com imaginação, diria eu.

 

publicado por Cat2007 às 16:41
Tags:

Fevereiro 08 2018

Resultado de imagem para usain bolt

 

Uma pessoa que é muito exigente consigo própria é alguém que, a dada altura, acabará por perder a confiança em si?

 

Este foi o meu tema de conversa de ontem. Do outro lado diziam-me, entre outas coisas, o seguinte: “não é falta de confiança. É o seu nível de exigência que é muito alto”. Assim, ao que parece, uma coisa não terá a ver com a outra. Ou seja, é possível ser muito exigente no contexto em que estou a falar, e ao mesmo tempo muito confiante. Aliás, provavelmente uma coisa condiciona a outra se uma pessoa não é uma lunática. Ou seja, é preciso ser confiante para se pedir mais do que a conta. Sobre a conta ou que conta é esta, falarei mais à frente.

 

Creio que o individuo é muito exigente porque designadamente é também muito competitivo - ainda que, na maior parte das vezes, o possa ser apenas consigo mesmo. A questão é que nem sempre dá. Nem sempre se chega lá. Ao patamar escolhido e decidido. E, assim, sendo fica por resolver o problema do individuo competitivo/exigente nas suas relações internas – nas suas relações consigo próprio, quero dizer.

 

Li em qualquer lado que não é mau colocar a fasquia mais para cima porque uma exigência elevada conduz a melhores resultados. É que, mesmo que não se consiga ultrapassá-la, sempre é possível dar saltos mais altos do que os que seriam dados se as exigências fossem de um outro nível.  

 

Quer isto dizer, em suma, que o referido problema das relações internas não terá, então, tanto a ver com as metas que se estabelecem mas mais com a crença de que tais metas podem ser atingidas. No fundo, está aqui em causa saber se cada objetivo proposto é ou não irrealista. De facto, uma coisa é pedir muito outra coisa é pedir de mais.

 

E uma pessoa pede demais quando, em face das circunstâncias concretas e das suas especiais aptidões, sabe que não vai dar porque há uma espécie sistema métrico das capacidades humanas que nunca falha. Dito isto, afirmo também que é crença minha que as pessoas muito exigentes apenas pedem muito e não demais, sendo certo que pedir muito implica quase sempre o recurso às reservas físicas, mentais ou emocionais ou, dependendo do caso, a todas.

 

Mas voltando um pouco atrás, e relativamente àquela questão do pedir muito mas a coisa não se dá, dúvidas não subsistem quanto à frustração que daí advém. Do falhanço. Penso que é necessário ter cuidado. É preciso estar em forma para responder ao que se pede. De outro modo, é melhor não pedir. É, com efeito, neste ponto que bate o problema da confiança. Uma pessoa pode começar a deixar de confiar em si própria se pede, investe e não consegue. Uma, duas, três vezes. Na verdade não importa as capacidades que temos. É mais relevante o momento. Quer dizer, do momento em que estamos depende a nossa capacidade para cumprir os objetivos a que nos propomos. E nem sempre se está em forma. As pessoas que têm o hábito de exigir nem sempre fazem uma boa avaliação destas condições ou pressupostos. Por isso falham e não se perdoam. O que, malgrado as explicações do processo dadas, não faz sentido. Não faz sentido não perdoar.

 

Certa vez ouvi alguém muito inteligente e muito capaz dizer o seguinte: ”eu fiz asneiras naquele momento. Muitas. Falhei em toda a linha. E andei anos sem me perdoar pelos erros cometidos. No entanto, hoje entendo que não fiz melhor porque naquela altura não era capaz. Independentemente daquilo que eu sou capaz”.

 

Resta-me informar que, neste momento, me sinto em plena forma.

 

publicado por Cat2007 às 16:16

Janeiro 19 2018

Resultado de imagem para beijar um carro

 

Em vez de se esforçarem, as pessoas podiam só gostar umas das outras. Porque é isso que as outras pessoas procuram nas outras. Que gostem delas. As outras pessoas querem que as outras pessoas gostem delas. Pois. É verdade. É a busca de afeto que nos move a todos. Só que, no meio do caminho, as pessoas deixam de saber isto. E procuram promoções, automóveis e casas. São como beijos e abraços estas coisas para as pessoas.

publicado por Cat2007 às 15:33
Tags:

Janeiro 18 2018

 

Resultado de imagem para cats musical 

 

As pessoas não querem a verdadeira proximidade. Querem outra coisa qualquer. Talvez fingir que não se sentem sós. Creio que não se pode criar uma proximidade real com alguém com essa facilidade toda. E muito menos com várias pessoas. Primeiro nasce o afecto. Depois cresce o afecto. Seguidamente, consolida-se o afecto. Por fim, é ocupado um lugar fundamental na vida de alguém e na nossa. Nada disto é plural ou colectivo. Quer dizer, tem que ser feito com uma pessoa de cada vez. E exige disponibilidade e dedicação. A este processo dá-se o nome de amizade.

publicado por Cat2007 às 16:58
Tags:

Janeiro 10 2018

 

Resultado de imagem para cama por fazer

 

Nós somos feitos de um património. Mental/emocional, físico e material. Claro que nós só somos mental/emocional e físico. Digo isto porque já ouvi alguém dizer que nós somos aquilo que podemos transportar. Basicamente o nosso corpo em todas as suas aceções. Mas se não estivermos a olhar pelo prisma do transporte, nós somos o que comecei por dizer: nós também somos o que temos. Não por virtude de raciocínios ou avaliações de terceiros mas pelas coisas que a coisa nos faz. O que nos mudam os bens. Melhor, o que fazem os bens de nós.

 

Com exceção das pessoas que não habitam casas, as pessoas habitam casas. Assim, cada um tem a sua casa (que pode ser partilhada ou não). E para que serve a casa? Repouso, recolhimento, intimidade, refúgio, prazer, conforto, lazer.

 

Eu não acho que uma casa esteja desarrumada se as camas não estiverem feitas, se houver casacos pendurados em cima de cadeiras, se houver livros ou discos em cima de uma mesa de apoio, se a manteiga estiver fora do frigorífico… Antes, a casa está marcada pelas experiências humanas a que se destina. É uma casa vivida.

 

As casas não podem estar impecáveis. As coisas nas casas não podem estar sempre nos seus sítios. É importante que existam cabides de pé. Que é para haver alguma roupa abandonada fora dos roupeiros. Já estive em casas com o chão a brilhar. Detesto. Tenho medo de escorregar. Há também umas pessoas que posicionam definitivamente os seus objetos de décor. E eu não lhes posso tocar. Para mim tocar nas coisas é fundamental. Certa vez peguei na mão de uma pessoa e encostei à minha pele do tronco. Toquei na pessoa com a minha pele do tronco. Foi assim que decidi que haveríamos de namorar com toda a certeza.

 

publicado por Cat2007 às 16:16
Tags:

Janeiro 05 2018

Resultado de imagem para quem tem medo de virgínia woolf

Quem tem medo de Virginia Woolf

 

É verdade que os nossos dias são mais ou menos uns iguais aos outros. Todos os dias nos acontecem mais ou menos as mesmas coisas com pequenas variações sem significado. As rotinas matinais dentro de casa. O mesmo caminho de ida e volta. O mesmo posto de trabalho. As mesmas pessoas. E com isto podia dizer-se que a nossa vida não é interessante.

 

Porém, não é assim porque a vida é sobretudo emocional e mental e também temperamental. Apesar de os percursos e os contextos serem os mesmos, é verdade que há sempre novidades em cada dia. Anote-se a este propósito que, por exemplo, numa peça de teatro, os cenários pouco ou nada mudam, assim como as pessoas, e tantas coisas acontecem. Há uma dinâmica imposta pelo texto que faz mover os personagens. Portanto, tudo depende dos textos. De facto, os nossos dias mudam em função daquilo que somos capazes de dizer.

 

publicado por Cat2007 às 17:09
Tags:

Janeiro 04 2018

Resultado de imagem para falador

 

Tenho um amigo alemão que ignora as pessoas por quem não tem verdadeiro afeto. Também gostava de ser assim. Na verdade, as pessoas que não têm verdadeiro afeto por nós, se se aproximam muito é porque querem alguma coisa. Nem que seja só “despejar o saco”.

 

Eu, infelizmente, exponho-me um bocado a essas pessoas. Sendo certo que não faço o contrário. Ou seja, não peço nada a ninguém e muito menos vou falar de mim a quem quer que seja. Sou, portanto, uma criatura voluntariosa e um tanto parva. Claro que as pessoas que falam imenso delas próprias dizem muito pouca coisa que preste. Dizem muito pouco de si, na verdade. Talvez porque não conhecem da matéria. É tudo exterior. As pessoas que falam imenso de si, falam de si de fora para dentro. Vão ao mundo para se explicarem sem que previamente se permitam à síntese entre o interior e o exterior. É claro que se trata de um tipo de discurso que não interessa a ninguém. E a mim não interessa particularmente. A questão é que ofereço o corpo e a alma ao sofrimento. Como se devesse alguma coisa.

 

Temos que ser humanitários. Se calhar é esta frase que me impele a ficar a aturar. Não nos podemos esquecer que Jesus Cristo morreu na Cruz para nos salvar. Isto ouvi eu na igreja. E ouvi também que o Cristo foi morto por nós, devendo nós carregar tamanha culpa e andar para aí na vida a sofrer. É verdade que, resumidamente, a igreja incute-nos a ideia de que não estamos na vida para ser felizes.

 

Bom, mas uma vez definitivamente afastada da igreja, e não de Deus, volto ao que inicialmente estava a dizer. Sou dada a chatices. Permito que as pessoas me importunem. O que é muito mau. Para mim, sobretudo. Porque essencialmente me desgasto. No entanto, o pior destes processos nem é isto. O pior destes processos é que os respetivos responsáveis não dão o devido valor ao que fazem. Ou seja, não assumem uma consciência efetiva de que chateiam imensamente as suas vítimas. Aliás, nem vêm vítimas. Vislumbram, antes, amigos. E têm a distinta lata de imaginar que são gostados. Pois eu digo: sinto um desprezo profundo por todas as pessoas a quem este texto é dedicado.

 

publicado por Cat2007 às 17:44
Tags:

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"
pesquisar
 
stats
What I Am
comentários recentes
Identifico me bastante. Quando gosto de fazer algo...
Gostei, esta bem explicado.
Boa tarde*,Venho por este meio contar a minha simp...
Boa tarde,
Viver é respirar, de acordo. E continuo a insistir...
É verdade, a coragem é uma das coisas mais importa...
Também não acredito nisso...se é que alguma vez ac...
Posts mais comentados
140 comentários
122 comentários
122 comentários
106 comentários
82 comentários
arquivos
2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


subscrever feeds
Maio 2018
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
11
12

13
14
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


blogs SAPO