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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

EXPERIÊNCIAS DESNECESSÁRIAS


Cat2007

19.06.19

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Há experiências na vida que são perfeitamente desnecessárias. Lembro-me de ser bastante pequena quando o meu irmão, dois anos mais pequeno, partiu um braço. Como eu adorava acompanhar o meu pai para todo o lado, solicitei-lhe em prantos que me levasse também para o hospital. Durante o tempo de espera, experimentei a (péssima) energia própria do estabelecimento. Trazida pelas diferentes pessoas que iam girando para trás e para a frente. Umas doentes e outras com cara disso, apesar de estas últimas serem cuidadores ou prestadores de cuidados de saúde. Também achei que vi passar pessoas mortas. Porque estavam, de olhos fechados, deitadas em macas. Enfim, o que vi talvez não correspondesse exatamente à realidade. No entanto, a energia... Como se sabe, as crianças, mesmo que, para ver a vida, usem lentes de aumentar ou diminuir, são muito sensíveis à energia das outras pessoas. Muito mais do que os adultos. No fundo, as crianças são como os cães – por exemplo, ao meu cão sucede não gostar de certas pessoas e simpatizar com outras sem motivo aparente. Portanto, a energia era, de facto, péssima. E esta impressão atingiu-me de tal forma, que andei por alguns dos anos seguintes da minha vida a tentar evitar sequer passar ao pé de estabelecimentos do género. Dito isto, repito, então, que há experiências na vida que são perfeitamente desnecessárias.

 

AMIGOS


Cat2007

17.06.19

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A experiência é fundamental para se perceber bem de que forma são as coisas da vida. E isto sem ser necessário experienciar tudo. O que também não seria possível. As coisas são por grupos. Por temas, melhor dizendo. A amizade, por exemplo, é reconhecidamente um tema.

Quando era pequena, e até ao fim da adolescência, pensava que todos os meus amigos eram meus amigos. Depois percebi que só alguns amigos é que eram meus amigos. Até que finalmente conclui que há amigos verdadeiros que deixam de o ser porque acaba o querer baseado na visão a dois, que cedeu. E, a final, ficam os verdadeiros amigos. Acredito que cada pessoa tem para si um destes. De outro modo, lamento muito.

 

O MEU CAFÉ


Cat2007

12.06.19

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Imagino que tenho um ar sensível e compreensivo. Digo isto porque as pessoas em geral me procuram para ajudar. Vejamos: querem sobretudo contar episódios da sua vida privada, tendo obviamente em vista “despejar o saco”. Com mais ou menos vergonha. E eu não me lembro de nenhum caso em que, tendo produzido uma opinião, a mesma fosse ouvida. Quem diz uma opinião refere-se a um conselho. As pessoas não vêm desabafar para ouvir conselhos. As pessoas não vêm desabafar para ouvir, ponto.

No outro dia ofereci o meu café ainda intocado a uma senhora que, infelizmente, não era boa da cabeça. É que ela foi explicando que todos os dias ia à ginástica ali mesmo ao lado, mas nunca bebia café. Achei, então, que era uma boa razão para beber o meu. Depois pensei em arranjar um outro para mim. E depois, por fim, esqueci-me.

 

COISAS PARECIDAS


Cat2007

04.06.19

O tempo está instável como eu já fui. Muitas vezes, a minha mãe dizia que se ia embora de casa. Hoje percebo que era coisa que lhe saia pela boca quando estava enervada com o meu pai. O que igualmente sucedia muitas vezes. Chegava mesmo ao ponto de se ausentar, de vez em quando, para casa da irmã mais velha. Depois voltava, como sempre.

A questão é que eu era um bocado pequena demais para não encarar com a máxima seriedade aquelas declarações e atos. Para mim, a minha mãe fazia essas coisas quando estava, por alguma razão, farta. Porque, veja-se, as discussões nem sempre começavam por causa dele.

Bem, e, assim, logo que comecei a namorar mais a sério, passei a vivenciar coisas parecidas. Não iguais. Parecidas. Sem desconfiar que estava a mimetizar, começou a estabelecer-se em mim um padrão de comportamento específico: o meu saco começava a encher lentamente quando as vivências, ainda que prazerosas, eram demasiado intensas. Depois, quando o meu saco já estava a meio, eu, por causa disso, por estar a meio, principiava a sentir uma espécie de impaciência. Por fim, tinha que me afastar. Durante um dia ou dois. Mas tinha que me afastar. Quando já não sentia o ar a entrar, a fluir e a sair dos pulmões com a mesma fluidez e leveza. O corte poderia surgir de uma discussão. Normalmente, era assim. Mas se a discussão não surgia, eu pirava-me da mesma maneira. Para voltar. Claro que me lixei seriamente com isto. Uma vez ou outra. Sofri.

Hoje sou estável como o tempo quando está desse modo.

QUANDO ALGUÉM DEIXA DE GOSTAR


Cat2007

31.05.19

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Sucede-me ter os afetos e os respetivos objetos bem arrumados em espaços próprios e distintos no meu coração. É por isso que não poderia jamais ter sexo com alguém que fosse um amigo. É também por isso que há algumas pessoas que são a pessoa mais importante da minha vida. É por áreas, espaços, de afeto, sublinho. Ou seja, para cada contexto afetivo existe a pessoa mais importante. Que são várias, portanto. Repito. Mas não muitas. Esclareço. O fio condutor é o amor. Um amor de cada tipo. Para cada tipo. Claro. Uma mãe e um pai e os irmãos. Um amor. Um amigo ou dois. Vivo convencida de que as pessoas destes lugares de afeto apenas os ocupam porque também elas o sentem em igual medida. É a coisa da alimentação dos sentimentos. As pessoas não se alimentam de pessoas, de certo modo. Mas os afetos alimentam-se de afetos. Assim, as perdas não têm significado de relevo quando alguém deixa de gostar. Uma perda só o é realmente quando o amor existia e foi a vida que nos espoliou. Dito isto, penso em amores e amigos que já não o são. E não dói nada.

 

ABORRECIMENTO


Cat2007

30.05.19

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É interessante. O que é interessante? Falo das pessoas. Do meu ponto de vista, as pessoas interessantes são aquelas que conseguem despertar-me a atenção. Não falo do físico, naturalmente. Apesar de que tudo é sempre um conjunto. Não sei se peço muito. Ou se peço pouco. Não sei o que é muito ou pouco nesta matéria. Também não sei se não serei um bocadinho esquisita. É interessante uma ou duas frases com conteúdo improvável. No sentido de inesperado. Ou, então, inovador. Confesso que aborrece-me ouvir sobre o que já sei de todos os dias. Deste modo, andei a acompanhar religiosamente uma série sobre uma psicopata chique e bem-sucedida. Mas muito muito entediada. Vilanelle. Claro que é necessário ver para compreender o que quero dizer.

 

MUNDO DE AVENTURAS


Cat2007

28.05.19

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Desde pequena que leio muito. Muitos livros. No início todos os que me apareciam à frente. Hoje em dia, escolho. Mas, como ia dizendo, lia muito em pequena.  Por isso, logo cedo, li todos os livros do meu pai. Além daqueles que também ia buscar à biblioteca perto de casa.

 

O primeiro impulso foi a curiosidade. Porém, o segundo estímulo veio do meu irmão mais velho (2 anos mais), que lia muito mais do que eu, diga-se. Assim, estava sempre a desafiar-me para mais uma leitura. E passou a ser ele quem me apresentava aos títulos.

 

Bem, para dizer verdade, não li todos os livros do meu pai. É que havia a coleção do Aquilino Ribeiro. Tentei. Abri um e a linguagem fechada, agreste, teve em mim um impacto semelhante ao de um pontapé no traseiro. Senti-me, assim, expulsa daquele mundo particular.

 

Porém, o meu irmão não. O meu irmão lia aquilo e vibrava. Quantas vezes o vi a sorrir e mesmo a rir no âmbito daquelas leituras. Depois vinha contar-me as estórias que por ali encontrava. Que me admiravam muito. Quer me fascinavam, quero dizer. E lá ia eu tentar de novo. Ele disse-me que “Quando os lobos uivam” era talvez o melhor. Tentei de novo. E não fui, mais uma vez, capaz.

 

A questão é que aquilo estava demasiado longe da minha zona de conforto literária. Eu, como na prosa e na poesia, tenho na vida um espírito aventureiro com açaime. É assim.

FOBIAS


Cat2007

23.05.19

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Quando eu era pequena a minha mãe tinha o hábito de contar a toda a gente que eu não queria tomar banho. Tratava-se do seu modo particular de pedir auxílio em vão.

 

Eu gritava na banheira. Havia necessidade de dois adultos para a tarefa. E o chão ficava totalmente alagado. Entretanto, a paciência esgotava-se e, portanto, havia dias (felizes) em que me deixavam em paz. A sensação da água a correr sobre a cabeça causava-me ansiedade e falta de ar.

 

Conheço uma pessoa que tem terror de baratas. Mas não pensa nelas muitas vezes. Apenas entra em pânico quando as vê. A isto eu chamo uma fobia bem colocada. O medo surge, e somente surge, em face do objeto ou da situação objeto.

 

Enfim, vou a Itália e o avião, embora da TAP, é pequeno. Claro que já fui a Barcelona, embora na TAP, e o avião ainda era mais pequeno. E fui e vim. Tão confortável, que até dormi. Acresce que, no outro dia, atravessei um túnel já grandinho e nada me sucedeu lá dentro. Aos nervos, quero dizer. Porém, senti ansiedade e falta de ar antes de lá entrar. Devo ter, então, uma clautrofobia em perspetiva. 

 

PERFECIONISMO


Cat2007

16.05.19

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Na medida em que possuo o nível de exigência de uma perfecionista, eu nunca faço as coisas muito bem feitas. É como se fosse duas pessoas. Uma que faz e outra que manda. A que faz fica muitas vezes desanimada. Porque não acredita que alguma vez chegará ao nível exigido pela que manda. É por isso que não tenho grandes expetativas quanto à minha pessoa, bem como me sinto aturdida quando me reconhecem mérito.

 

O AMOR AO ESCORPIÃO


Cat2007

03.05.19

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As qualidades humanas constituem dados relativos, dependendo sempre do alvo, o qual é terceiro interessado (quem aprecia ou aquele não parecia). Mas, em vez de dizer qualidades, é melhor falar de características – que se transformarão em qualidades ou defeitos em função da apreciação que lhes seja feita pelos referidos terceiros interessados. Significa isto que, embora existam boas e más pessoas, assim classificadas em conformidade com os conceitos universais do bem e do mal, não será isso (a bondade ou a maldade) que releva do ponto de vista das relações que se vão estabelecendo entre os indivíduos.

 

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