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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

SOLIDÃO


Cat2007

20.03.12

 

 

Não entendo aquela coisa de fazer uma coisa querendo outra. Porque nada de bom muito bom pode resultar do uso das coisas para funções diferentes daquelas para que principalmente nascem. Por exemplo, os ginásios são para ganhar boa forma física e saúde. Quando assim não é, as pessoas acabam por se ver a passear nas praias gordas ou flácidas. E depois sentem-se mal.

 

A solidão ou o desejo sexual sentido no abstrato são uma chatice.

 

CONTINUANDO COM AS PUTAS


Cat2007

24.11.11

 


 

O meu terapeuta esclareceu-me que, em pouco tempo, as putas têm a vida emocional destroçada de uma forma irreversível. Uma mulher que vende o corpo nestes termos nunca mais recupera das emoções. Talvez por isso, ou mesmo por isso, a menina quisesse à viva força “transar” comigo. Deve ter reparado no meu olhar uma forma de olhar para ela de que já não se lembrava. Olhou para o meu corpo com desejo porque não tinha os contornos masculinos próprios dos corpos que desde há algum tempo a vinham ferindo. Tive pena. Mas  e também por isso “não”.

 

Tenho impressão que o interesse dos portugueses em putas e ginásios, designadamente no Holmes Place, subiu em flecha. Não. Na verdade, não é só uma impressão. Vi no Sitemeter aqui do blog. Tenho portanto a minha estatística pessoal. Os posts (de longe) mais lidos são: HOLMES PLACE - Quem não foi ao engano... (http://ogatogaga.blogs.sapo.pt/59602.html) e PORQUE É QUE AS PUTAS NÃO BEIJAM E OS CLIENTES NÃO SE IMPORTAM (http://ogatogaga.blogs.sapo.pt/67752.html), sendo certo que, de há umas semanas para cá,  as putas estão com o triplo dos visitantes do Holmes. Bom, é uma estatística que vale o que vale. Para mim vale mais um motivo para pensar escrevendo. Pronto. Já agora, alguém se lembra que um dos maiores ícones do cinema porno se chamava John Holmes? Não falo nisto por nada. Só para partilhar um pouco de cultura geral. E porque me veio assim à cabeça.

 

Creio que é da crise. O pessoal tem de acabar com despesas fixas injustificadas. Pagar um ginásio sem lá ir. Tem de ser um dos casos. Sai dinheiro e não se vê beleza física nem a calma das endorfinas. O problema é que o HP não facilita nisto das despedidas dos sócios. Por isso o pessoal procura e procura a forma, o meio de se livrar da “cena”. Não será fácil, digo eu que já expliquei no post acima indicado o que me aconteceu por lá.

 

Por outro lado, tenho muita pena, mas não sei muito sobre os preços das putas. Penso que no “Elefante Branco” anda à volta dos 200 € por sessão. Mas não sei ao certo porque não sou puta nem nunca fui às putas. Porém, fui ao “trombinhas” algumas vezes. E, é verdade, também visitei o “Gellary” ou “Gallery”, já não sei. No entanto, acho que este último encerrou, tendo as funcionárias mudado para o primeiro.

 

Fui com a curiosidade sociológica dos arrogantes e o espirito de visitante do zoo. Pus-me logo a falar com uma menina para saber “coisas da vida”. Mas não perguntei o preço. Ou se perguntei não me lembro. Não me interessava. De qualquer forma, houve ali uma insistência. “Você não quer transar?”. E eu: “Não. Não, muito obrigada”. Acho que ela queria mesmo “transar”, independentemente de estar a tratar de “business”. A ver se juntava as duas coisas. Eu é que não queria. Sou uma moralista, ora essa! Sou uma moralista e tenho nojo, com todo o respeito.

 

Entretanto, uma das minhas amigas foi-se embora irritada porque achava aquilo tudo indecente. “O que é indecente, está tonta?”, consegui perguntar antes dela arrancar desabrida. “Estão a faltar ao respeito a estas pessoas. Isto é vir aqui para rir dos outros e tal…”.

 

Talvez tivesse razão. Mas deixei-me ficar a ouvir a puta. Como poderia eu ter um blog deste género sem ter alguma coisa para contar? No mais, eu interesso-me pelas pessoas, caramba! Sem ironias. Afinal de contas, talvez a minha amiga estivesse apenas a ser histérica. Sim é isso. Não tinha muita razão não. Até porque o espirito parolo com que entrei desvaneceu-se imediatamente no confronto com a realidade. Vi a humanidade mascarada pela make up a passear-se de minissaia e “tacones”. Vi a humanidade nas gravatas sentadas em sofás de imbecilidade. Vi os copos transparentes a tilintar, brilhando demais sob a impressão das luzes psicadélicas. E tudo me impressionou. Uma parte da vida que não faz parte da minha vida mas que é a vida de tantas pessoas. Na verdade, ser puta e cliente é uma condição da vida de pessoas. Quando deixamos de poder ignorar isto porque, por exemplo, fomos ao “Elefante” compreendemos finalmente que a vida também é isto e que por isso também nos diz respeito. A vida transcende largamente o “mundinho” que, iludidos, pensamos que construímos só para nós. Mais nada.

 

O meu terapeuta esclareceu-me que, em pouco tempo, as putas têm a vida emocional destroçada de uma forma irreversível. Uma mulher que vende o corpo nestes termos nunca mais recupera das emoções. Talvez por isso, ou mesmo por isso, a menina quisesse à viva força “transar” comigo. Deve ter reparado no meu olhar uma forma de olhar para ela de que já não se lembrava. Olhou para o meu corpo com desejo porque não tinha os contornos masculinos próprios dos corpos que desde há algum tempo a vinham ferindo. Tive pena. Mas e também por isso “não”.

 

Talvez as putas de rua estejam a prestar serviço a um preço acessível. Mas aqui é que eu já não tenho estórias para contar. Nunca me aproximei. Talvez por medo. Como abordar uma puta de rua se não se está a fazer um trabalho académico ou jornalístico? Mentir a dizer que é isso? Não sou capaz. Não quero ser capaz. É detestável mentir. É ainda mais detestável mentir a uma pessoa que tem de viver de mentiras. Não sei nada sobre as putas de rua. Apenas que a maioria se droga.

 

Parece de facto ilógico querer acabar com uma despesa num serviço supérfluo para ir fazer outra, talvez maior, noutro serviço supérfluo. Sabe-se que quando um fumador pensa em deixar de fumar o desejo de acender um cigarro é imediato. Porque uma sensação de angústia se alivia com uma impressão de prazer. A nicotina liberta endorfinas. Substâncias químicas de bem-estar. O exercício físico também. Liberta. Mas é doloroso no processo. O sexo igualmente. Mas dá prazer no processo. Na angustia da crise, as pessoas estão a precisar urgentemente de químicos. É assim o organismo humano. Dependente.

 

Penso que o “Fado falado” fala de putas. É dito por João Villaret. A “Emilia Cigarreira” não pode ser outra coisa, senão uma puta de Alfama. As meninas católicas decentes  dos meados do século XX em Portugal não iam para a cama com marinheiros nem lhes espetavam a navalha. É uma puta que ama e tem ciúmes. Poucas coisas existem que me emocionem mais do que esta peça escrita como foi e dita como está. Deixo aqui.  

 

 

 

QUERIDO DIÁRIO


Cat2007

16.05.11

 

 

Há imensos diários. Por exemplo, o Diário Económico, o Diário de Notícias, o Diário da República. E mais não me lembro agora. O certo é que todos os dias se escreve nestes diários. Por isso são diários. Neste caso jornais. Coisas para toda a gente ler. E do ponto de vista de quem edita, quantos mais leitores melhor. Por outro lado, existem os Diários pessoais. Nestes não se escreve todos os dias. Assim, em primeiro lugar, há que dizer que até talvez não seja correcto chamar-lhes Diários, mas Confessários.

 

Na verdade, a maior parte dos Diários não diários são íntimos e servem para confessar vergonhas. O sexo e a vergonha são rotina nas aspirações e vivências das rapariguinhas. Com efeito, as meninas que têm Diários usam-nos para escrever sobre as suas emoções e desejos. A maior parte dos quais, directa ou indirectamente, são de índole sexual. E incluem imensas questões relacionadas com a vaidade e o ego. Depois têm vergonha de contar estas coisas sufocantes às pessoas. Compreendo.

 

Sei tudo isto porque vi nos filmes e li nos livros. E também ouvi dizer. Embora seja certo que, por azar, nunca me veio parar um Diário à mão. Gostava muito de ler um. Ou só um bocadinho de um. Por uma questão sedimentação da cultura geral. E da bisbilhotice. Como é evidente. 

 

Acredito porém que os Confessários não são para ler. Ninguém os deve ler. Nem a sua autora. Imagino que cada página de ridículo que é escrita não deve ser revisitada. Digo ridículo porque tudo é escrito com um dramatismo suicidário e uma perenidade que, na maior parte dos casos, não vai além de uma semana. Tudo é único, importantíssimo e olvidável.

 

 Os rapazes não têm Diários. Os rapazes adoram juntar audiências em torno das aventuras sexuais que imaginam credíveis mas que não tiveram. Por outro lado, custa-lhes compreender que têm emoções. Por isso não escrevem sobre estes assuntos. Não precisam. Os rapazes são mais corajosos a mostrar a sua idiotice, portanto. 

 

Eu nunca tive um Diário. Isto é tão verdade como a mãe de uma amiga me ter dito, tinha eu 18 anos, o seguinte: “Eu nunca tive um orgasmo!”. Estava de olhos esbugalhados e o tom era cheio de fatalidades.

 

Não compreendi o objectivo daquela espécie de declaração final. Nem porque raio a mulher me tinha escolhido para aquilo. Por isso pensei em chamar um médico. E depois um padre. No entanto. Fiquei quieta. É tudo o que recordo. Penso que talvez a senhora devesse na altura ter escrito aquilo num Diário. Não sei com que utilidade. Mas sei que tinha sido poupada. Eu.

 

O problema é que as mulheres adultas não escrevem Diários. Ou escrevem? E os homens adultos não se gabam das mulheres que não comeram ou comeram mal. Ou gabam-se?

 

FODER OS ESTADOS


Cat2007

28.07.10

 

 

 

Com excepção dos excertos do "Azul" (que, como informei, não voltarei a publicar) e de uma ou outra estória, venho aqui conversar essencialmente sobre temas em que ando a pensar no momento. E, no momento, ando a pensar em vários temas ao mesmo tempo. Dever de gratidão. Lealdade. Lucidez. Ansiedade. Incerteza. Tudo "estados" meus. Penso neles. Nestes meus "estados". Penso também em algumas pessoas que conheço que são ou se comportam nos antípodas destes "estados". Estão no "estados" opostos, portanto. São precisamente elas que me fazem pensar. Ando então a pensar em falta de gratidão, deslealdade, confusão mental, calma e certeza. Vejo isto e vejo a injustiça. Não é justo que me obriguem a gerir e a aplicar os meus diferentes "estados" num confronto de um contra vários. 

 

A propósito, declarei recentemente ao meu terapeuta que estou como um Estado em reconstrução depois da guerra da independência. Recuperação do património cultural, reconstrução dos edifícios económicos e sociais, reorganização das forças armadas, estabilização das fronteiras, e tudo o mais que é suposto fazer em semelhantes circunstâncias. Estou cheia de um um sentido patriotico de mim mesma que me foca num determinado rumo que é um desígnio universal do meu próprio espírito. Já institui a necessidade de visto de entrada. E, em quaisquer circunstâncias, não são concedidos vistos indefinidos. Há um tempo de permanência. Um tempo que pode ser prolongado, de acordo com a minha decisão unilateral tomada casuisticamente. Hoje, estou um pouco como a Sérvia. Em breve estarei como a Alemanha. Quando chegar ao momento "em breve", irei rever as minhas posições quanto aos limites temporais para a estadia de "estrangeiros" e poderei considerar alianças estratégicas com os "parceiros internacionais" que me pareçam interessantes do ponto de vista do mérito.

 

Não culpo ninguém de ser o que é. De andar a correr atrás dos seus próprios interesses. Mesmo quando é claro para a minha lucidez que tais interesses são desinteressantes para os que correm interessados. Não me culpo de não fazer a vontade aos interesseiros do meu património emocional, ainda que façam beicinho. Sempre achei que era interessante reflectir sobre o que me interessa e pensar pouco em termos do meu interesse. Há uma espécie de "mão invisível" no mercado daquilo que importa na vida, mas que funciona com o estimulo oposto ao da teoria de Adam Smith. Ou seja, se cada individuo não procurar satisfazer exclusivamente o seu interesse e partilhar com os demais aquilo que valoriza, pensando no bem comum, aumentará a produção do valor humano que lhe é essencial para viver melhor.

 

Sigo agora os conselhos de alguém para não ser tão cifrada a escrever. É melhor meter por aqui dentro experiências pessoais. Senão ninguém se identifica com isto. Faz-me sentido. A identificação de quem lê é necessária se me importa a partilha. Defendo a partilha. Tenho de partilhar então. 

 

Há um conjunto de pessoas que me querem orientar para fazer o que eu não quero. Se eu não soubesse o que quero, não poderia dizer isto. Diria apenas que há um conjunto de pessoas que querem de mim. Basicamente ir para a cama comigo. Penso que não estarei a ser demasiado simplista ao expressar-me nestes termos. Não tem mal nenhum querer ir para a cama com. Até porque a raiz do desejo é sempre emocional. E só por isso tem mérito. Os desejos de cada um são muito meritórios. Mas não têm mais mérito do que o meu "não desejo". É neste confronto que as pessoas deviam tentar chegar a um acordo comigo. Dentro do meu "não desejo" também existe desejo, em alguns casos, e, noutros, o desejo de fazer coisas diferentes de sexo. O princípio é que não desejo ir para a cama com aquele conjunto de pessoas que actualmente desejam ir para a cama comigo. Não importa se sinto desejo sexual, ou não. Importa que não desejo ter sexo com elas. Para cada uma existe uma razão específica. Muito válida. Não estou confusa nem equivocada. Sei o que não quero e porque não quero em cada caso, dado que sei o que quero para a generalidade dos casos ora em consideração.

 

Parei um instante o raciocínio para reflectir. Reflectir é a forma mais profunda de raciocinar. Por isso são incompatíveis. O raciocínio e a reflexão. Mas porque é que anda tanta gente a querer foder-me? A querer foder-me é bem dito porque se a coisa não vai pelo lado carnal, vai pelo outro. O da facada nas costas. Que sempre mete carne e deita sangue. Mesmo que não meta e não deite. Há tantas miúdas giras por aí. Mas  afinal eu sou aqui alguma criatura "maravilhosa boazona não sei das quantas"? E quem garante que sei fazer bem sexo oral, por exemplo?

 

Tenho afecto verdadeiro e profundo por três das pessoas de quem falo. Na verdade, nem queria falar delas. Mas dedico-lhes este parágrafo. Queria verdadeiramente estas pessoas na minha vida dentro de uma plataforma de consenso sobre os desejos. Penso que por amor no sentido mais puro do termo. Quase infantil. E este meu afecto afecta o desejo sexual, pulverizando-o nos casos em que estou a falar. Sei que uma dessas pessoas não vai ler isto. As outras duas talvez sim. Espero que me compreendam. A agressividade deste texto não lhes é dirigida. São pessoas que estão na minha vida. Desejo ardentemente que continuem. No entanto, aqui já não tenho direito a tomar decisões unilaterais casuisticamente. Aqui vou respeitar quem eu sei que me quer bem. Pondero e considero sentimentos.

 

Voltando aos destinatários desta minha agressão publica embutida em texto, escrevo mais um parágrafo dirigido. Em primeiro lugar, peço o favor de não me foderem mais a cabeça, já que nem em sonhos tiveram a possibilidade de foder mais nada. Não que tenham muita capacidade de me penetrarem o cérebro com os seus instrumentos freudianos de trazer por casa. Mas há sempre um desgaste. E nem um pequeno desgate está fácil de gerir com este calor absurdo que se faz sentir em Lisboa. Isto porque, além do mais, tenho muito que fazer. Estou lotada de coisas desgastantes. Não cabe mais ninguém nesta espécie de "saloon" com que actualmente a minha vida profissional e familiar anda a ficar parecida. Sem desejar ser literalmente entendida, mas em termos mais metafóricos, sempre acrescento que é "proibida a entrada a cães e a chineses", como se sabe dos livros do Lucky Luke.

 

E por fim, não tenho nada contra uma boa foda, mas prefiro uma foda boa.

 

Muito obrigada pela atenção dispensada.

 

SEXO


Cat2007

23.06.10

 

 

Estou cheia de sono. Creio que isto, esta declaração, podia ser um texto por si só. Os caminhos que ela dá a qualquer imaginação são praticamente ilimitados.

 

Estou com tanto sono, que não sei como vou fazer no ginásio. É impressionante a descida de rendimento. Por causa do sono. Não vou conseguir trabalhar com as cargas e fazer as séries  habituais. Além de que, está decidido, meia hora de cárdio era mesmo o que me faltava. Creio que hoje nem vinte minutos.

 

Acordei com tanto sono que me vesti de uma forma estranha sem dar por isso. Quando olhei para o espelho, parecia uma hospedeira da TAP, embora sem lenço. Cai imediatamente em estado de ansiedade momentânea. A necessidade de mudar tudo misturou-se com os ponteiros do meu relógio do quarto. "No time"! Voltei a olhar para o espelho. Pensei: "Ridículo"!. Desatei a rir. Depois tive que sair a correr. Não uso relógio de pulso. Incomoda-me.

 

Só queria estar vestida de outra maneira. Ou despida. Despida, definitivamente. Poderia dar um tratamento ao sono. Dormir ou consumir adrenalina. E o sono, adeus. E, portanto ... ops! Despida, definitivamente pode não acabar com o sono. Antes, pode lançar-me numa letargia trágica. Bolas, esqueci-me do ginásio! Mas vou. Morrer para lá. Melhor, depois de sair de lá. É que amanhã e depois não posso, sendo que a esta semana ainda falta um treino. Tem de ser hoje. Assim, estou aqui a escrever. Não me posso desgastar em "dossiers". Gastar tudo o que me resta. Enfim, estou a ver se acordo enquanto o tempo passa. Vou sair mais cedo. Tenho sono.

 

Agora ando a ouvir a "Rádio Orbital". De um certo ponto de vista, creio que não se pode descer mais baixo. "Orbital Mix"... Inenarrável! Peço desculpa ao bom gosto. Só que esta leveza feliz não me larga. Apetece-me mexer o corpo. O que fazer? Ando a ouvir a "Radio Orbital" porque estou a projectar movimentos que háo-de ser feitos. Aproveito, e faço alguns já. Aqueles sons repetitivos que se ouvem por baixo de todas as músicas foram propositadamente inventados para dar tesão, não foram?

 

O que devo vestir amanhã? Estou a reflectir. Em coisas que poderiam interessar a um artigo da revista "Máxima", por exemplo. Ora, se eu nem leio a "Máxima", a "Mínima",  a "Marie Claire", a "Marie Noir", a "Activa", a "Preguiçosa"... para que estou eu a reflectir deste modo? Acho que é porque tenho que decidir mesmo o que vestir. À noite, de preferência. Não posso arriscar mais. Ainda vou parar ao aeroporto de Lisboa pronta para uma viagem de longo curso a voltar no mesmo dia. O que está absolutamente fora de questão. Especialmente amanhã. Deixar a coisa para de manhã não é viável. De manhã não posso confiar em mim. Não funciono. Aliás, nem sequer me apeteceria mexer o corpo, se fosse o caso. Portanto a "Radio Orbital" estaria liminarmente excluída. Hoje à noite vou decidir.

 

Pois. Que vazio! de conteúdo. É do sono.

 

OUT


Cat2007

18.06.10

 

Pois é. Pois sou. Um conjunto invulgar para bom. Pois sou. Estou a assumir. Nunca o tinha feito antes. Este momento é solene, pois. Único. Para mim. Este blog é meu. Posso falar exclusivamente de mim. Ninguém me pode apontar nada. Ando um bocado farta disso. Que me apontem. Eu sou um poço de defeitos. Uma cabra, mesmo. Pois. É disto que eu estou realmente farta.

 

Na verdade, nunca vi ninguéma desfeitear um desvalido. Nunca vi. Talvez na televisão ou na ficção. Mas aqui é mesmo porque a coisa é tão indigna, que merece figurar nas grelhas dos telejornais. Também no cinema, no teatro e na literatura, exactamente. Quem não se lembra dos "Miseráveis"? JV não podia ser mais pobre, mais infeliz, mais desgraçado. Ainda assim, foi perseguido, humilhado, maltratado. Bom, mas afinal, ele tinha qualquer coisa. Não era nada disso. Antes, viveu muito tempo em situação de desvantagem. Porque acresce que começou logo por partir de trás.

 

Esta questão de partir de trás é muito importante. Não há nada mais desprestigiante, para quem imagina que partiu a frente, ver-se ultrapassado em toda a linha por quem começou com uma volta de atraso. As pessoas são assim. Não vão aos treinos, e depois querem ganhar corridas pela mentira. Mesmo que esteja na corrida errada. Não importa. As pessoas andam sempre a competir. Deve ser por um lugar ao sol. Sei lá porque andam sempre as pessoas a competir. E o que será exactamente um lugar ao sol? Há uma música um tanto chata que tem este título.

 

Por vezes, é bom ter um lugar à chuva. Quando era miúda, gostava muito de apanhar chuva. Nunca usei o respectivo guarda. O guarda-chuva. Mas o chapéu guarda a chuva? E onde a mete? E depois ela vai para onde? Não. O chapéu não tem essa utilidade toda. Apenas protege da chuva. Mal, mas protege. Para que haveria eu de querer proteger-me da chuva? Para não molhar a roupa e o cabelo? Para não ficar com gripe? Isso é hoje, que tenho de ir trabalhar. Na altura, ficar molhada dos pés à cabeça era mesmo a minha praia. Continuo a não usar guarda-chuva, mas a vaidade e o comodismo levam-me a procurar protecção quando chove. Obrigaram-me a ser vaidosa e comodista. Outrora, logo que os pingos começavam a cair, toda a gente desatava a correr. Eu abrandava o passo. Disfarçadamente. Não fossem pensar que era estranha porque desejava ficar encharcada pelo céu.

 

Abrandei o passo disfarçadamente a tentar evitar que me achassem estranha. Na escola, no desporto, na aparência física, nas relações de amizade. Em casa não. Todos me conhecem. Sou indiferente. Fui bem educada nesse aspecto. Em casa, respeitam-me. Posso mostrar-me sem receios de ser ostracizada. Ninguém me  acha nada de especial. Ninguém quer ir para a cama comigo. Não tenho dons oratórios superiores aos do meu pai. Não escrevo melhor do que o meu irmão Carlos. Não tenho uma genialidade tão absurda como a do meu irmão António. Não tenho a coragem física do meu irmão Victor. Não sou inteligentemente reservada com o meu irmão Nini. Não sou o complexo de defeitos e qualidades, que a minha mãe é. Não sou tão positivamente especial como ela porque não tenho um sexto sentido tão apurado. São alguns exemplos de como todos somos freaks num certo sentido do termo. Sou melhor do que alguém daqui em algo na mesma medida em que não sou tão boa noutra coisa qualquer.

 

Eles também abrandaram o passo. Todos. Menos o meu pai. Não tem problemas em sobressair. Até parece que gosta. Não tem medo. Nunca o vi com medo de nada. Só de mim. De me perder. E da mãe. O meu pai não gosta de mulheres por princípio. É mesmo uma questão de princípio. Misoginia, portanto. Mas gosta de mim e da mãe. Não nos pode perder. Não somos mulheres. Somos espíritos. Há muito que me habituei a não ser mulher e a ter que lutar com ele para lhe provar o contrário. Estas são as lutas que verdadeiramente me interessam. Percebo que as pessoas que não são daqui não percebam nada de mim. Eu não me ocupo seriamente com coisas que transcendem esta companhia de circo. Sempre tive que me gerir aqui dentro. Há muito, desde sempre, que lido com este vocabulário, que tem tantas palavras tão especificas, sendo quase um dialecto.

 

Como se lida com a diferença em democracia? O meu pai tem uma opinião muito firme. Quando chegamos ao ponto em que as pessoas não percebem, tem de ser à chapada. Nada democrático, pois. Mas sempre é verdade que lhe assistia razão em muitas coisas. Mesmo que não estivesse a abordar as pessoas pelo lado certo. O meu pai continua a ter razão. Basicamente não tem culpa de ser mais inteligente. E percebe isto. Assume isto. É out. Depois, tem de andar à chapada. Porque nem toda a gente atinge o ponto que, na maioria das vezes, só ele é que está a ver. Já levei umas quantas. Porém, no meu caso, não era por não estar a ver o ponto. Era porque não queria ver o ponto. Não me dava jeito. Há formas diferentes de não querer ver. Eu via mesmo. Por isso levava mais forte. Está certo. De qualquer forma, acho muito mais detestáveis aquelas pessoas que não querem ver e conseguem mesmo arrajar mecanismos para se manterem cegas. Para mim, são mais essas que é só ao estalo. Esta porta aberta para a amoralidade perturba-me. Aqui o meu pai discorda. Considera que se trata de uma espécie de retardados mentais. Não se pode perder tempo com esta gente.

 

Pois eu acho que aqui ele é pouco esperto. São mesmo os amorais que nos podem fazer mal. Só se ele não tem medo que lhe façam mal. Não deve ter não. Pois é. É verdade. Não tem. Tem razão. Os amorais levam depois. Depois de praticarem as suas imoralidades pró-inconscientes. Assisti a algumas repostas destas. Mas não sei como ele não se desgasta. Não se desgaste e pronto. Até gosta. Pois é. Aqui eu fico estupefacta. Não gosto. Desgasto-me. Magoo-me. Fico mortificada. Desapontada. Dores no peito. É esta minha mania materna de achar que todas as pessoas têm algo de excepcionalmente bom. E esta luta de andar sempre à procura disso.

 

O meu pai distancia-se destes percursos. Não leva os outros demasiado a sério. Mas a mim leva. Especialmente a mim. Não tem outra filha. Ele é que diz. Sou filha dele. Tenho imenso orgulho nisso, malgrado o que já me fez sofrer. Não lhe esqueço o dia em que se esqueceu de me contar a história do Corvo e da Raposa pela milésima vez. Não lhe esqueço ter-me ido meter na minha cama, quando eu queria dormir no meio deles. Não lhe esqueço o super maxi do domingo no jardim do Parque Eduardo VII. Estas rotinas que ele rompeu. Não lhe esqueço. Se eu era inteligente para fazer contas de dividir com três números aos cinco anos, também podia muito bem entender as razões dele. Era só falar. Não me chamou de parte para ter esta conversa. Não lhe esqueço. É um estupor convencido. E  muito pior, um tipo cheio de si próprio, embora nada vaidoso.

 

A minha autoestima envia-me agora sinais. Estou a divergir. Eu vim aqui para ficar out de uma vez por todas. Chega de fingir que não sou boa. Sou óptima. Venho dizer isto. A minha autoestima está cansada de mim. Disse-me que lhe falta o ar há muito tempo. Para parar com isto ou morre de vez. Estou às ordens da minha autoestima sofrida. Olho para ela. Não lhe podia ter feito isto. Está cheia de nódoas negras e escoriações. Está de pé. Mas seu eu não faço nada agora, ainda morre como as árvores. De pé. Lá está um lugar comum.

 

Adoro lugares comuns. É fácil comunicar através de lugares comuns. Exemplos que todos entendem. Uma inqualificável qualquer veio aqui deixar uns comentários, que se não fossem palavras, até se poderiam momentaneamente confundir com balas. Uma escrita péssima cheia de lugares comuns da autoria de uma fufa. Estou a usar os termos dela. Não os meus. Não digo fufa. Fiquei magoada com a agressão. Veio de uma pessoa. O respeito que eu tenho pelas pessoas trai-me assim. Fico exposta a mágoas. Não é o conteúdo que me importa. É a atitude. A energia má. Fico magoada. Afinal, as pessoas não são maravilhosas. É por estas e outras que admiro a atitude distanciada do meu pai e a forma especial que a minha mãe tem de estar próxima sem lhe doer. Um não quer saber dos defeitos alheios, a outra absorve as agressões cheia de pena das pessoas. Sei bem que quem me agrediu é uma pessoa digna de pena. Até a conheço. Porém, ainda assim, fico deprimida. Creio que estou preocupada com ela. É o momento da minha autoestima gritar. Mais um soco no estômago. E eu propositadamente sem guarda. Não posso mais.

 

O que sou eu? Primeiro a imagem. Bonita? Sim. mas mais do que isso. Sou uma giraça. Trato de mim. Cuido do meu corpo no ginásio e e na esteticista. Ando num jipe. Visto-me bem. importa-me a minha aparência. Fútil? Não. Mas parece. A quem não está a ver o ponto. O ponto é mais além, porque além do mais ouço sentidamente uma música, leio os autores que importam, conheço bem os clássicos. Percebo de muitos assuntos. Domino os diálogos e os raciocínios como tenho vontade. Tenho medo de me empenhar a fundo para não ficar demasiado à frente, coisa que vai acabar a partir de agora.

 

Pois as pessoas apaixonam-se por mim? Não sei. Devo imaginar que é suposto isso acontecer? Não vejo porque razão. Devo pensar nos sentimentos dos outros. Penso sempre. Se eu não quero. Devo pedir desculpas por não querer? Não creio. Devo explicações? Duvido. É suposto ajudar as pessoas a esquecerem-me? Ora, se eu não fiz propositadamente nada para ser lembrada. É preciso entender que o meu modo de ser quem sou existe por si. Não tomo atitudes especiais com intenções de me alimentar.

 

Devo apagar o blog? Ou passarei a não divulgar o endereço? Eu gosto de escrever e gosto que me leiam. Estou a ser exibicionista? O Saramago morreu hoje. Não me comparo. Só queria chamar-lhe um estupor exibicionista porque ganhou um Nobel. É a minha homenagem fúnebre ao escritor. Os escritores deviam morrer todos para não perturbarem as almas sensíveis. Os poetas também. Para grande alívio de muitos desprotegidos o Vinicius está morto. Eu creio que se deve mesmo acabar com a arte. Com esse tipos. Os artistas. São insuportáveis. Claro. Não falo por mim. Nunca me apaixonei por ninguém que tivesse andado a ler. Fiz bem. A maior parte dos meus favoritos habita os cemitérios. Seria uma criatura negra. Eu. A Amália. Eu lá me apaixonaria pela Amália. E no entanto, ela não era normal no que exteriorizava. Era, no seu todo, muito melhor do que a maioria dos seres humanos. Fartou-se de sofrer. Ninguém lhe perdoou isto. Agora, que está morta, é um descanso. Pode ser adorada em paz. O descanso é dela.

 

A partir de hoje, vou escrever apenas textos jurídicos. Luís, o nosso projecto de escrever um  livro acabou. Vou cortar o cabelo. Andar com os pés de rastos. Comer cozido à portuguesa numa base regular. Largar o ginásio e passar a frequentar o Mc Donald's. Vou comprar roupa na Zara. Vou ter um  utilitário. Vou calar a boca quando falo, e não escrevo. Vou deixar de tocar nas pessoas. Vou despregar os meus olhos dos delas. Vou deixar de partilhar sobre o que sei. Vou. Tem de ser. Senão, apaixonam-se por mim, e a culpa é minha.

 

Vou? Isso é que era bom. Não vou, não. Antes pelo contrário. Vou chamar toda a gente à responsabilidade. Vou lembrar que ninguém é responsável por quem cativa. Um mito horroroso que se tornou numa máxima quase bíblica. O Principezinho. Valha-me Deus! A infantilidade sórdida disto. Vou dizer que tenho o direito de ser quem sou. Vou esclarecer que ninguém me pode obrigar a fazer nada que eu não quero. Não ajudo ninguém a esquecer-se de mim. Não está na  minha competência fazer isso. Não sou aqui nenhuma área de serviço. Lamento. Já amei. Já sofri. Já esqueci. Ninguém me ajudou em nada. Ninguém jamais esteve disposto a ajudar-me. Não sei se o que se vê em mim corresponde à verdade ou é também um pouco imaginado. Não sei. Sei que todos somos responsáveis pelas nossas avaliações, se não vivemos na Terra do Nunca.

 

As avaliações sobre a minha pessoa que valem são as minha próprias. Tenho a obrigação de, a partir de agora, fazer uma avaliação correcta do que sou. Tenho a obrigação de dar o meu melhor. Tenho a obrigação de assumir as minhas responsabilidades. Estas obrigações têm do lado contrário a minha autoestima. Não uma pessoa qualquer cujo único propósito é defender os seus próprios interesses. Pois não. Não quero ter nenhuma relação amorosa. Porquê? Porque só tenho vontade de fazer amor, como só eu sei. Com quem saiba fazer amor, como eu gosto. Há muitos anos que não encontro quem faça amor como eu gosto. E fiz tanto, nos últimos anos. Não. Não tenho culpa das dores de ninguém. Eu sou uma pessoa boa. Lamento informar.

 

Tudo está muito pouco literário. Pois. É natural. Estou aqui a tratar de outras coisas. De mim. Um actor quando chora a sério não representa bem o choro. Toda a gente sabe. Tenho impressão que não fui clara, ainda assim. Não. Não estou cheia de mim própria. Não. Eu sou uma mulher estupidamente inteligente.

 

ORGASMO E ANTI-CLIMAX


Cat2007

16.06.10

 

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Eu gosto de andar na "Montanha Russa". Tanto, que costumo comprar logo duas voltas seguidas. É que aquilo só tem ali uma parte que arrepia. O resto é basicamente anti-climax. O estado de anti-climax nada tem a ver com o período pós-orgástico. Penso mesmo que são opostos. Em primeiro lugar, "pós" (de depois, não de pó, cocaína ou farinha Maizena)  não significa o mesmo que "anti" (de contra, não de Antilhas Holandesas). Só por aqui se vê logo que não é a mesma coisa. Que são realmente coisas que se contrariam.

 

O anti-climax é um evento que se realiza todos os anos... não é nada todos os anos. Estava a brincar. Antes fosse! Antes fosse! Então, como ia dizendo o anti-climax é um evento que se realiza todos os meses, todas as semanas, todos os dias, a toda a hora? Não. É um evento que se realiza, sem data marcada. Mas que se realiza, realiza.  A si próprio. O anti-climax é um evento que se realiza para se auto-realizar. Portanto, um facto que sente. Tal qual as pessoas. Nunca pude imaginar que os factos sentem. Mas isso era apenas porque não tinha reflectido sobre a questão. Os factos sentem. Sentem na medida em que se fazem sentir. E os factos que se fazem sentir em sentido radicalmente oposto ao que as pessoas queriam para determinada situação concreta são os factos que sentem. Assim, reformulando, só os factos autónomos é que sentem. Autónomos em relação à vontade. É ou não é verdade que o anti-climax é um facto que origina frustração? E quando é que a frustração se dá? Pois exactamente! Quando a expectativa é alta. Altas expectativas geram frustração porque se baseiam em concretas situações que produzem factos autónomos. Factos que contrariam as expectativas, pois. Nestes casos, é como se o sentimento não fosse nosso. A coisa sai de nós porque não a controlamos. Fica como que a pairar ali á nossa frente. A esfregar-se na nossa cara sem decoro. O anti-climax é um furto por esticão de um especial prazer projectado que parece que vai acontecer mas não ocorre. Ocorre precisamente o contrário. Mas parece que ocorre. Mas não corre. Não corre bem. O problema está que o facto anti-climax dá experiências a experimentar. Daí que a crença na apoteose é imensa, incontornável. Por isso a terrível sensação de "flop". Ninguém fuma relaxadamente um cigarro depois de experienciar um "flop". Quando muito, fuma logo uns três ou quatro seguidos, dado o estado de irritação. Isto também se aplica a quem não fuma. Embora eu não compreenda muito bem o que faz uma pessoa que não fuma numa situação destas. A que se agarra exactamente? Bom, os não fumadores lá sabem. Se querem continuar sem fumar, é problema deles.

 

O orgasmo. Pois acredito que a Philip Morris deve muito do seu crescimento aos orgasmos, malgrado os resultados do relatório Hite dos anos 70. Na verdade, sabendo-se que a esmagadora maioria das mulheres americanas da época não se vinham, também isto ajuda a explicar os bons resultados da empresa. Os homens fumavam um depois. As mulheres fumavam três. Também por aqui se pode ver que o climax e o anti-climax são uma espécie de signos opostos. Têm uma qualquer relação fundamental que os une, mas que eu não sei explicar, uma vez que não percebo nada de astrologia. Percebo é que a astrologia anda ligada ao sexo. As pessoas consultam os horóscopos por causa disso, não é verdade? Também por causa da saúde e do dinheiro. Mas é exactamente a mesma coisa. Tudo para acabar na  cama com alguém. Como é obvio, por trás desta trapalhada toda paira o afecto. O afecto: the real need. Não é nada difícil confundir um orgasmo com uma declaração de amor. Porque o estado pós-orgástico é mesmo o estado de graça por excelência. O cigarro é fumado com a tranquilidade própria do perfeito idiota. É um cigarro sentido. E o que farão os não fumadores? Tão sentido, o cigarro, que até costumamos acender o da pessoa ao  lado para lhe dar. Fumamos no plural e em conjunto. É comovente. Partilha-se. Nicotina essencialmente. Pensado no caso, vejo agora como me sentia vazia com pessoas que não fumavam. Só tive duas. E não sei se por acaso ou porque sim, em ambos os casos, havia pressa em sair da cama. Para fazer qualquer coisa. Pois. Não fumavam. Nunca lhes perguntei como resolviam o problema de não fumar. Não me ocorreu. Compreendo-me. Estava a fumar. A fazer uma declaração de amor ao fumo que me saia pela boca e subia até aos olhos. Observava o fumo enlevada. Claro que fazia sempre aquela observação. "Ouve lá, isso de saltar da cama é estranho". Mas nem  ouvia bem as respostas. Por isso não me lembro. Não sei o que farão os não fumadores depois de se virem. O meu estado de graça no período pós é tal que compreendo tudo aquilo que nem estou a ouvir.

 

Preciso de duas voltas na "Montanha Russa". Porque a primeira só me dá tesão. Logo, levo sempre dois bilhetes na mão para duas voltas seguidas. Mas até dava mais.

 

POR FALAR EM SEXO


Cat2007

10.02.09

 

 

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Por falar em sexo, reflectindo, descobri há pouco tempo que a idade está directamente relacionada com os preconceitos de índole sexual. Quanto mais novo mais conservador! Talvez toda a gente soubesse disto. Eu, por mim, não tinha visto bem a coisa. Mas é verdade. Pensei no meu próprio caso, e está tudo confirmado. Aos dezoito anos, a pessoa confunde um orgasmo com uma náusea. Aos dezoito anos, modernices, modernices, só mesmo nas roupas, nas musicas e em tudo que se possa lançar mão para parecer diferente. Logo, integrado. Aos dezoito anos, somos muito ignorantes. Logo, arrogantes. Aos dezoito anos, se tivermos algum tipo de substância aproveitável (belo físico, portanto), o prazer que damos, se damos, é aos outros. Mesmo sem querer, saber ou imaginar. E isto segue assim, quase igual até aos trinta. Depois, vem a revolução liberal. Ou seja, aos dezoito anos, estamos como a história até ao século dezoito. Depois disso, é o que se sabe. O liberalismo. O positivismo. A revolução tecnológica. A globalização. Enfim...

 

Sim. Aquela é a Madonna. Pois tem. Quarenta e não sei quantos. Pois é. A maior estrela pop do firmamento jovem pop jovem 18/30.

 

CAMA


Cat2007

23.01.09

 

 

 

 

Tenho andado a pensar nesta coisa de que se fala imenso: ser bom ou boa na cama. Numa primeira abordagem, parece-me que, seguramente, uma pessoa que tenha um desempenho análogo aos actores de filmes pornográficos não é boa na cama. E ponto. Porquê. Ora, basta referir que aquela gente não se beija. Não interessam as posições que fazem, os uivos que dão, os objectos que usam, as fantasias que pretendem recriar. Não são bons na cama porque não se beijam. E como não se beijam, também não se olham nos olhos, não se tocam, não se focam... no essencial. 

 

Na cama o essencial é a outra pessoa. A importância que ela tem. O corpo e o prazer são instrumentos de aproximação. Coisas para estreitar a intimidade e, por consequência, a partilha de uma qualidade de afectos única.

 

As pessoas são diferentes. E é por isso que não se pode ser bom na cama com diferentes pessoas se o nosso comportamento é padronizado. Mesmo que se faça tudo, se "pinte a manta". Há pessoas que não gostam de mantas com pintas. Podem preferir mantas riscadas. Ou não querem manta nenhuma. E eu disse querer, mas é mais sentir. Por exemplo, fazer amor dentro duma piscina não é nada confortável. Nem sensual. Nem aveludado. Mas cai muito bem nos filmes. Até parece o contrário. É assim que se criam os conceitos e as convicções despropositados. Mas eu disse fazer amor numa piscina, como podia ter referido outra coisa qualquer verdadeiramente ousada de que agora não me estou a lembrar.

 

A prática do "one night stand" é um disparate. A menos que as pessoas não tenham entrado nisso com tal intenção, e a coisa não correu bem. Mas se entraram mesmo para isso, o que queriam era afecto a qualquer preço. Quando esta prática já se tornou um vicio, as pessoas ficam-se pelos serviços mínimos porque estão quase vazias. Deprimente.

 

As pessoas que são boas na cama são aquelas que têm uma natural predisposição para amar quando vão fazer sexo e que, por isso fazem amor. Amar é qualquer coisa que tem menos a ver com a nossa satisfação pessoal e mais com a nossa capacidade de compreender e de dar.

 

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