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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

O CIÚME


Cat2007

30.12.08

 

 

 

Existe, creio eu, uma certa tendência geral para confundir uma monumental cena de ciúmes com uma poderosa demonstração de amor. A mim, as cenas de ciúmes provocam-me poderosas dores de cabeça e monumentais ataques histéricos.

 

O ciúme não tem nada a ver com o amor. Desiludam-se os ditos optimistas, os egocêntricos, os chamados crédulos, e todos os demais que, por uma razão ou por outra, gostariam que assim fosse. Só para darem um tiro no próprio pé.

  

O ciúme é uma manifestação de um traço particular da personalidade de uma pessoa: do caprichoso. O caprichoso quer o que quer porque quer. E se não lhe dão o que quer, até é capaz de chorar. O caprichoso decide secretamente sobre os actos que as outras pessoas hão-de ter. Espera, não apenas que se actue em conformidade com os seus desejos, mas inclusivamente, que se adivinhe que desejos são esses. O caprichoso apaixonado é pior do que uma abelha confundida. Mete o ferrão em todo o lado porque acha sempre que são tudo flores. Quem gosta disto devia usar pólen em vez de creme hidratante!

 

O caprichoso apaixonado não está apaixonado porque é caprichoso. Está apaixonado, mas é caprichoso. O que é muito diferente. O apaixonado não tem de ser um caprichoso. E se não for, não é um ciumento. O azar mesmo é estar apaixonado por um caprichoso apaixonado. Porque o que se gasta em anti-histamínicos não tem conta. Por contraponto, o azar do caprichoso apaixonado é mesmo a crise económica actual, que obriga a uma contenção nas despesas.

 

PELE


Cat2007

28.12.08

 

 

Toda a gente gosta de sapatos de pele. Eu gosto porque são confortáveis e de boa qualidade. E porque posso descalçá-los com uma facilidade análoga. A quê? A calcá-los. As cobras também se livram da própria pele quando têm de trocar. Não é como calçar e descalçar sapatos, mas tem qualquer coisa de parecido. Até porque há sapatos feitos com pele de cobra.

 

Nós também temos pele como as cobras. Mas não trocamos de pele como elas. Não podemos, por força das imposições da natureza. Assim, é boa ideia sentirmo-nos bem na nossa própria pele. Porque ela é uma espécie de indumentária permanente. E muito pior do que isso.

  

No meio de tudo isto sinto-me mal na minha pele. Por nada de especial. Apenas porque penso demais. Sou como uma pedra gigante colocada no meio do leito de um riacho. O que é um contra-senso porque as pedras nem sequer pensam. E a água não pode fluir. Portanto, desconfio da minha pele. O que é injusto porque tenho uma pele muito boa e que, ainda por cima, cheira naturalmente bem. A questão é que as pedras não pensam, repito, mas chateiam que se fartam. Quando são suficientemente grandes para impedir o natural curso das águas. Sou burra como uma pedra chata que só sabe estar ali sem se mexer. Ali onde seja colocada.

 

Pois a falta de confiança. É disto que estou a falar, embora não seja particularmente entendível do que para trás fica exposto. Desconfio da minha pele porque ela já me deixou em sarilhos grandes (creio que existe um sítio com este nome, mas não foi aqui que a minha pele me deixou). Gostava de ser uma cobra. Deixava que a pele me arrastasse por onde quisesse. Depois, se coisas más sucedessem (como é costume), mudava-a e arrastava-me com a nova para outro lugar. No fim de tudo, podia ir para o Jardim Zoológico e ficar em exposição no reptilário. A propósito, gosto muito de ir ao Jardim Zoológico. Sério! 

 

AS MENTIRAS QUE DIZEMOS


Cat2007

09.04.08

 

Há uns post atrás fartei-me de dizer coisas sobre a paixão que temos que ter. Por tudo e cada coisa. Do género para que a vida tenha sentido. E coisa e tal. Enfim, tudo treta para a motivação. Um horror! Um horror porque as coisas não são assim.

 

Na verdade, com as pessoas as coisas ou estão bem, ou vão mal ou mais ou menos. A maior parte das coisas que fazemos é chata. É muito difícil manter o sorriso e o ímpeto quando as coisas não vão às mil maravilhas. Comprar sal no supermercado é uma tarefa sem significado nenhum, para além do sentido útil que tem.

 

Eu não consigo andar bem disposta e positiva se não encontro razões para isso. Melhor, se me confronto com razões que me levam à disposição contrária.

 

A paixão que temos na vida depende das paixões que sentimos pelas coisas e pelas pessoas. E elas acontecem, ou, não. De momento, não acredito em mais nada. Nem se me apresentam inspirações espirituais positivas que me motivem a pensar de outro modo.

 

 

POR PAIXÃO


Cat2007

04.03.08

 

Acontece-me o desânimo por não sentir paixão. Quando não sinto paixão. Tudo o que fazemos na vida, significativo, ou não, necessita de paixão. A falta de paixão é muto pior que a falta de sal. Embora não nos apeteça comer em ambos os casos. É verdade que, também em ambos os casos, nos habituamos a viver com a ausência. O que é triste.

 

A paixão é pior do que o sal porque é necessária em muitas mais coisas do que apenas nos alimentos ou no mar. Até para ir comprar sal ao supermercado temos de ter alguma. Não exactamente para a prática do acto em si. Mas para praticar todos os pequenos actos como este. Todos os dias fazemos coisas sem significado. A maior parte (a parte esmagadora) das coisas que fazemos todos os dias têm significado semelhante. Á compra de sal no supermercado. Fazer isto sem paixão é viver sem paixão nenhuma. O que, repito, é triste.

 

Uma componente essencial da paixão é o interesse. Ninguém tem interesse especial em comprar sal. Não de um modo directo. Outro aspecto fundamental da paixão é o contentamento. Ninguém fica especialmente contente quando compra sal. Não de um modo directo. Mais um  elemento estrutural da paixão é o prazer. Ninguém sente particular prazer em comprar sal. Não de um modo directo. Só por meios indirectos é possível viver sentidamente  a vida de todos os dias, portanto.

 

Os modos directos de injectar paixão no sangue condicionam, pois, o conteúdo dos actos diários sem significado, que são quase todos. Há pessoas, coisas, actos e factos. Esses meios directos.

 

É verdade que o interesse, o contentamento e o prazer sempre foram mais intensos com as pessoas. Para mim. Pessoas desconhecidas. Conhecidas em dado momento antes de ocorrer uma certa fusão. E comprar sal passou a ser interessante e alegre. Um enorme prazer. Mesmo não sendo necessário. Mais sal.

 

Mas não pode ser sempre assim. Excesso de sal. Pode ser no ponto. É, até, melhor. A partir de certa altura. Mais lúcido. Alucinação lúcida. Acho que é possível . A alucinação lúcida é um estado que se consegue depois da entrega. Pode ser à pessoa da fusão. Mas não tem de ser apenas neste caso.

 

A alucinação lúcida depende, sempre e em qualquer caso, da entrega. Entrega aos meios de injectar paixão no sangue. Não tem que ser só com aquela pessoa. Pode ser com os outros meios. Qualquer meio de realização de sonhos é um meio directo destes de que falo. Mesmo a tal pessoa. Há sonhos que se realizam pela entrega. Há sonhos que nascem da entrega. Há sonhos que morrem pela falta de entrega. O que interessa são os sonhos postos em prática. A entrega à tentativa. O medo pode impedir a entrega ou impulsioná-la. Pelo medo também se podem realizar sonhos. Não interessa exactamente que eles aconteçam. É bom. Deseja-se isso. Mas importa sentir-lhes o sabor pela prática. É realmente necessário praticar os sonhos. Fazer o que não se quer. Descobrir o que sonhamos. Ou encontrar caminhos. Agarrar o medo e usá-lo impunemente.  Os sonhos são as nossas principais fontes de vida. E existem para que se acredite neles.  A fé e a energia. É tudo o que temos. O resto é comprar sal para temperar a comida. Subsistência. O que é triste.

 

 

JUVENTUDE ETERNA


Cat2007

13.12.07

 

 

Quando éramos pequenos, contavam-nos histórias de encantar. Príncipes e princesas, de excelente carácter, jovens e lindos ao irreal encontravam-se, e, depois de ultrapassarem enormes obstáculos colocados por indivíduos feios e maus (quase sempre mulheres), casavam e eram felizes para sempre. Para sempre significa até à morte. Não se dando o caso de morte prematura, a morte ocorre depois da velhice. Não sei porquê, mas, depois de ouvir o “e viveram felizes para sempre”, nunca dei por mim a imaginá-los velhinhos e juntos.
 
De acordo com os conceitos vigentes, a beleza está ligada à juventude; a juventude é pressuposto da saúde, energia e alegria. Existem imensas relações de amor. Todos os dias nascem umas e morrem outras. Os velhotes estão fora deste processo.
 
Quando acabamos um “caso” pensamos em outro que virá, e que, à semelhança do anterior, viveremos felizes para sempre. Enquanto o físico nos ajudar será assim. Há uma energia nas relações que as leva a existirem e a terminarem, enquanto o físico nos ajudar.
 
Todos temos a ilusão da eterna juventude. Mesmo os velhos. Mesmo os feios.

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