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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

ONLY FOR MAHLER LOVERS


Cat2007

22.01.11

Pois o título diz tudo. Não vale a pena abrir, se não é o caso de partilhar deste amor. Nunca abrir a porta a elementos potencialmente enervantes. Este é o meu lema. Mas não é o meu caso neste caso.

  

  

 

NATÁLIA DE ANDRADE DOC


Cat2007

17.01.11

  

natalia

 No jornal Público de 29 de Junho de 2010 foi feita uma espécie de biografia de Natália de Andrade(http://www.publico.pt/Sociedade/natalia-de-andrade-a-cantora-iludida-que-pensava-ser-diva_1444383?all=1).

 

Mas na verdade fiquei mesmo presa numa declaração da própria feita numa entrevista cujo excerto está publicado em http://nataliadeandrade.com.sapo.pt/entrevista/entrevista.html “Depois da minha mãe, eu sou a maior cantora lírica do mundo. Callas? Quais Callas, quais carapuça!”. Eis o segredo que fundamenta o fenómeno. A fórmula: paixão, crer e não querer saber. Creio.

  

Observe-se a "Quais Callas, quais carapuça!" a cantar a Habanera da Carmen de Bizet. É outro mundo dentro do mundo. Não o mundo de Natália, que é de um mundo claramente fora do mundo concebível.

 

 

 

 

Na verdade, a primeira vez que ouvi Natália foi numa discoteca. Uma discoteca com onda, segundo os conceitos gerais. A música estava tum-tum-tum/gbum-gbum-gbum/tum-tum-tum.

  

 

 

De repente o DJ muda tudo. Desliga as luzes. E mete alternativa a abrir: Natália de Andrade. Nem mais nem menos.

 

 

 

 

Tudo parado. Tudo a olhar em volta. E finalmente para cima. Quando as coisas nos ultrapassam tendemos a olhar para o ar à procura de uma explicação.

 

Fiquei a ver os ferros e os cabos e as lâmpadas do tecto. Enquanto a voz me penetrava o cérebro receptivo graças à vodka. As primeiras apresentações resultam sempre melhor sobre pessoas relaxadas. O álcool é um excelente relaxante.

 

Como sabemos, as perguntas que dirigimos para o céu raramente têm resposta. Porque a maior parte das soluções possíveis estão no ponto da sua origem. Na terra e em nós.

 

No termo do efeito surpresa, fiz então o que me mandava o bom senso. Baixei a cabeça e olhei para dentro. Senti-me a gostar muito do que se estava a passar.

 

Natália de Andrade escandalizava-me. Cantava Verdi. Na magnífica voz que tinha para cantar como cantava. No som do disco adivinhava-se a expressão, os gestos, a entrega. Ela. Absolutamente única. Portanto inimitável.

 

Creio que não é difícil ficar preso ao fascínio de uma raridade. A raridade da "voz de cristal portuguesa", como a própria informava.

 

 

 

 

Bravo! Bravo! Bravo!

PARA QUEM NÃO GOSTA DOS QUEEN


Cat2007

25.12.10

Alguém me disse um dia que os "Queen" ou se amam ou se odeiam. Não sei de onde vem isto. Também não pode ser assim. O ódio tem imensa força. Creio. Talvez tanta ou mais que o amor. Se soubesse o que é exactamente o ódio poderia falar com certezas. Assim, sei lá do que estou a falar. Penso que, seja lá como for, isto é bom sinal. Não saber exactamente de que trata o ódio. Só pode fazer bem à saúde

 

Por outro lado, a que propósito se odeia bandas de música? Não é um bocado estúpido isso? É estúpido. Sim. Os cantores e os demais músicos não vivem na nossa casa. E os que vivem assumem uma particular forma de viver. Entram e saem em formatos portáteis ou pela rádio e televisão. É só fazer turn off. Ou basta atirar um disco pela janela.

 

No momento em que não for possível atirar um disco pela janela, devemos compreender que temos dentro de casa, a ocupar a nossa vida, uma "força de bloqueio". É viável chegar a odiar uma força de bloqueio. Imagino. Mas não é os Queen, ora. Para que se fazem tantas confusões então?

 

Quando era uma pessoa pequena ficava doida com "Os Marretas", caraças! Detestava. Agora sei que isso se passava porque aquilo não era coisa para a minha idade, e só havia dois canais de televisão. Depois, com o tempo, aprendi a amar. Talvez ao mesmo tempo que os Queen.

 

 

Mas não perdi a lucidez. Ninguém ama bandas de música.

 

 

 

 

 

 

Ninguém ama sapos de boneco manipulados por actores. Ninguém ama peluches de sapos de boneco que nada fazem na vida. A não ser a apologia de dinâmicas de shows de televisão que são um êxito. Eu tenho um "Cocas" original. Veio de New York town. Por vezes ajeito-o na minha almofada da cama. E coloco o braço por cima. Ponho o Tony Bennet a tocar. Eu ouço. Ele não.

 

 

 

Feliz Natal.

 

 

 

 


O BLUES DA PIEDADE


Cat2007

07.11.10

 

 

Pergunta de desenvolvimento.

 

Com base nos conhecimentos que adquiriu nesta disciplina, comente de forma sintética o seguinte excerto:

 

"Agora eu vou cantar para... as pessoas de alma bem pequena, remoendo pequenos problemas, querendo sempre aquilo que não têm. Para quem vê a luz mas não ilumina as suas mini certezas, vive contando dinheiro e não muda quando é lua cheia. Para quem não sabe amar e fica esperando alguém que caiba no seu sonho. Vamos pedir piedade, Senhor piedade. Para essa gente careta e covarde."

in Blues da Piedade/ Cazuza.

 

Resposta:

  

A melodia não é encantadora, como a maior parte daquelas que o autor compôs não são. Porém, algumas são. E quando são, emocionam. No entanto aqui o que importa  são as palavras. Falar delas de forma sintética não é possível. Sintético era o Pessoa. E já está morto.

 

O comentário será feito com base nas emoções. Serão ditas as emoções desencadeadas pelo que o autor disse.

 

A alma é a energia da vida e o espírito é a forma interna que a vida assume, ao passo que o corpo consiste na configuração material da nossa existência (Mann, Thomas, "José e os seus irmãos").

 

As pessoas de alma pequena têm-na assim porque passam a maior parte das suas vidas a ocupar voluntariamente  as respectivas cabeças com pequenos problemas. Com impossibilidades várias. Eventualmente transitórias. Mas sucessivas. Logo infindáveis.

 

Só pensam em obter aquilo que não têm. A alma é do tamanho que é porque a forma dos seus espíritos apenas lhes permite pensar como pensam. Nas impossibilidades sobre promoções, aquisições e exibições. A alma está presa. Caiu numa armadilha montada para feras de grande porte. Agora está à espera que a levem para um circo ou para um zoo. Para a vida vulgar, portanto.

 

Vemo-las todos os dias sem pagar bilhete. São milhões. A sua energia sufoca-nos. Por isso é grátis como a poluição. E adoece-nos igualmente. Das vias respiratórias. Também tomamos Xanax por causa delas. Se tivéssemos de pagar bilhete, podiamos reclamar o preço dos medicamentos. No entanto, como o espectáculo é interactivo e somos, por isso, envolvidos no show, nenhum tribunal nos daria razão.

 

Há outros que vivem a pensar no que têm. Estão de olhos postos no deve e haver, bem como nos resultados liquidos. Mesmo que não tenham contabilidade organizada. Por não serem uma grande empresa. Ou por não serem empresa nenhuma. Por vezes levantam a cabeça. Mas desinteressam-se rapidamente da luz do novo cenário. Da luz mística da lua cheia nos dias em que ela aparece. Tão perfeitamente adequada a impulsionar paixões. Fecham a janela e abrem os papeis. Concretamente, os extractos das contas bancárias. São poemas de contabilista que concluem pelas "mini certezas". Alteram o estado do espírito. Dentro do significado dos números. Que não atinge a alma que pena, mas já não se agita. Está conformada. Flácida e sonolenta como os grandes felinos em cativeiro.

 

Não é arriscado dizer que qualquer dos tipos descritos não sabe amar. E afirmar também  que "gente" que se enquadra neles não está interessada nisso. Nisso do amor. Estes que se lixem, e vão de férias para Varadero.

 

Mas há os outros. De "alma pequena" que querem. Mal hajam estes. Pela descomunal distância entre o que são e aquilo que a sua carência deseja. Sonham mal. O mesmo que não sonhar. Mal hajam porque fazem o mal. E não importa se é por mera incapacidade. Os sonhos são por definição irrealizáveis. Segui-los leva-nos mais perto do melhor de nós. Faz-nos bem. Mas persegui-los... Uma perseguição aos sonhos é o que faz "quem não sabe amar e fica esperando que alguém caiba no seu sonho". Persegue os sonhos dos outros. Dos que sabem muito justamente sonhar. Amar. 

 

Quando levados, enredados, nestas falsidades obtusas e inócuas os sonhadores sofrem. Porém, no fim são sempre eles que acabam a dizer com o coração "obrigado por ter se mandado", conforme as palavras do autor do excerto em comentário. Mais uma melodia pouco emocionante onde, no entanto, o que contam são, como sempre, as palavras.

 

 

 

 

 

SMILE - com algumas pequenas alterações


Cat2007

11.05.10

 

  

 

 

"Something in the way she moves...". Isto é dos Beatles, mas eu pretendo ignorar o facto. As músicas dos Beatles que eu adoro, nunca gosto quando são eles a cantar. É assim. Para mim, claro. Para os demais, é como os demais quiserem.

 

Por outro lado, o Tony Bennett canta isto, o "Something", como ninguém canta para mim. Não meti a vírgula de propósito. Podia ter escrito: o Tony Bennett canta isto, o "Something", como ninguém canta, para mim. Mas, se tivesse feito assim, não significaria que ele canta para mim. E era isso que eu queria dizer.

 

E porque cantará ele para mim? Em primeiro lugar, porque eu sinto assim. Em princípio, podemos sentir as coisas mais diversas. Aliás, não podemos sentir. Por definição, os sentimentos não podem ser impostos. Embora sempre possam ser provocados. Mas isso é outra coisa. Assim, é melhor dizer: uma pessoa sente as coisas mais diversas. No caso, e sublinhando, sinto que o Tony Bennett canta o "Something" para mim. Além do mais, também considero isto perfeitamente natural porque, quando ouço música mesmo a sério, nunca está ninguém comigo. Portanto, toca o "Something", e só estou lá eu. Logo, só pode ser para mim. Isto tem lógica. Não tem? Claro que tem.

 

Tenho de dizer que não há nada pior do que ir passando na vida por várias vidas, e ir deixando um livro aqui, um disco ali... Não posso com isto! E acontece-me, mesmo assim. É péssimo!

 

Tenho a Shirley Bassey a cantar o "Something", mas não é a mesma coisa. A mulher não canta o "Something" para mim. Creio que já escrevi por aqui que a Bassey só canta superiormente duas musicas. Uma delas chama-se "The greatest performance of my life". E não por acaso, a outra não me ocorre agora. Mas  ninguém mais devia poder cantar "The greatest performance of my life". Isto, se o mundo fosse feito à minha medida.

 

Porém, o que importa é que o meu disco do Tony Bennett com o "Something" ficou em algum lado há muito tempo. De vez em quando, lembrava-me disto. Do "Something" só para mim. E doía-me. A perda. Eu sou assim com os livros e os discos, também com a cola zero e o chocolate preto, embora noutro registo, claro, e com a roupa, ainda noutro plano.

 

Pronto já tenho o Tony Bennett a cantar o "Something" para mim de novo. Entretanto, passei a musica para o Iphone! Agora ouço sempre que quiser. Sempre que estiver sozinha.

 

Gosto de estar sozinha. O que é muito diferente de estar só, como se sabe. Só, não. Não gosto de me sentir só. E só em raros momentos da vida tal me sucedeu. É verdade: não há muito muito tempo, cheguei a sentir-me realmente só. Agora não. Paro já aqui para detectar um disparate. O disparate do "não gosto de estar só". Mas alguém gosta? Bem. Vou fazer uma pausa..............Pausa terminada. Prosseguindo, importa não confundir a tristeza com solidão e a expectativa com abandono. Solidão e abandono poderão ser sinónimos, se quisermos. Tristeza e expectativa, também. Mas, definitivamente, a dor, na maior parte dos casos, não é um sintoma de solidão. E, muitas vezes, é um sinal inequívoco de crescimento. Se for possível contornar com êxito o "síndroma de Peter Pan", chega-se ao ponto em que se percebe que crescer é bom. Essencialmente porque dá muito jeito. No fundo aprende-se a pôr convenientemente em prática aquele verso do Jorge Aragão "Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima". E compreende-se muito melhor porque é que o Micheal Bublé anda a repetir o Sinatra quando canta o "That's Life". 

 

Neste momento estou a ouvir o "Brass in pocket" dos Pretenders. Gosto do refrão. Gosto realmente muito do refrão. Vejamos: "I´m gonna use my arms/ i'm gonna use my legs/ I'm gonna use my style/ I'm gonna use my fingers/ I'm gonna use my my my imagination/ Cause i'm gonna make you see/ There's no one here/ no one like me/I'm special/so special...". Não que eu própria me sinta especial no sentido mais imediato do termo. Antes, pelo contrário. Sei perfeitamente que não existem pessoas especiais, em termos objectivos. Somente dentro de perspectivas subjectivas. A musica é "up". Musica e letra. Pela energia da musica e letra. Pelo poder da voz daquela mulher também. Contudo, no sentido mais mediato e subjectivo do termo, ou seja nos termos da letra, i'm special. Disto não tenho dúvidas.

 

Agora vou falar no "Smile". Porque é o título muito propositado que eu escolhi. E deixei ali em cima no sítio próprio. Pois também recolhi o "Smile" para o Itelefone. Vou deixar aqui um bocadinho da letra. Só para que tudo, afinal de contas, faça sentido. Porém, antes, devo dizer que não sinto tanto que esta musica seja cantada para mim pelo Bennett. Há quem o faça muito melhor do que ele, designadamente o Sinatra. Portanto, o "Smile": "Simile though your heart is aching / Smile even though it's breaking ... Smile and maybe tomorrow / You'll see the sun come shining through for you...".

 

Devo referir que fiz esta descoberta fantástica. O Ipod do Iphone. Sempre lá esteve, como todos sabemos. Eu... bem, eu nunca tratei do caso devidamente. Queria, mas não tinha tempo, e tal. Eu nunca tenho tempo, e tal. Agora, com o bocadinho de tempo que não tinha, e tal. Fiz algumas coisas com interesse. Para mim, obviamente. Pois  ripei CD's meus e pesquisei música na internet. Encontrei! Verdadeiras surpresas. Não nos meus CD's, claro. A maior e melhor de todas, de todas as surpresas, tenho de dizer isto... foi a própria Lady Gaga. Exacto! Digo isto em choque ainda. Porém... a versão acústica do "Poker face" é something! Ela canta muito. Nada a fazer. Depois, há uma outra música... "Again, again", que começa assim: "You gotta gotta a lot of nerv coming here". Vale a pena ouvir. E não vale a pena dizer mais nada. 

 

Também enchi a aparelhagem do itelefone com a Nelly Furtado. Gosto dela. Muito. Sem surpresas. É linda de um bom gosto (divino?) raro. Tem um talento especialíssimo para compor. E uma voz ma-ra-vi-lho-sa! Haverá uma montanha de gente a discordar de mim. Certamente. E depois? Já passei essa fase. Agora estou mais numa de "Manos al aire".

 

Musica. Essencialmente, é do que tenho estado a falar. Ou talvez não. Talvez não. Por outro lado, sim. Há umas coisas que não se desenvolvem bem sem outras.

 

De qualquer forma, e para o que importa, eu e os auscultadores estamos inseparáveis. Mesmo durante as horas de trabalho. Diria mais, especialmente durante as horas de trabalho. E não é que o trabalho está a correr muito melhor? Outra descoberta!

 

No mais, estou de auscultadores neste momento também. É bom estar sozinha com esta companhia toda.

A MINHA VIDINHA


Cat2007

29.03.09

 

 

 

Ontem fui ao Meco para ver se ía à praia. Tenho esta mania. Aos sábados os judeus descansam, eu vou para o Meco passar o dia todo (até à noite negra). Em termos latos, não se pode dizer que não tenha mesmo ido, mas, tecnicamente, não fui. Basicamente, tive que fugir daquela esplanada com vista para o mar porque fiquei com os ouvidos cheios de areia.

 

Uma hora depois estava nas Amoreiras a comprar o bilhete para ver o novo filme da Julia Roberts: "Duplicity". Ao intervalo estava de saída. Deste modo, não vale a pena acrescentar mais nada.

 

Por outro lado, se todas as pessoas tivessem o mesmo senso de humor, era excelente. Excelente para mim, que tenho imenso sentido de humor, e desejava que toda a gente compreendesse isto. Mas não. Acho que há diversos tipos de sentido de humor. Claro, provavelmente, não é o mesmo humor. Não temos todos o mesmo sentido de humor. É uma pena, insisto. Por exemplo, há quem se ria imenso com as piadas dos "Malucos do Riso" (SIC). Pessoalmente adoro o "Boston Legal" (Fox Crime) e a "Anatomia de Grey" (Fox Life).

 

É engraçado, eu que achava que não existia o filme favorito, a música favorita, o actor favorito, a série favorita. Acreditava que as pessoas só diziam estas coisas para se sentirem, e sobretudo, se mostrarem "special". E continuo a acreditar, de resto. Mas afinal, sempre  tenho que reconhecer que existem as séries favoritas.

 

Por falar em artes, estive a ouvir a Sherley Bassey (é um disquinho que tenho aqui). Um bocado metálica, a voz dela, concedo. No entanto, poderosa no ponto certo para me emocionar com "The greatest Peformance of my life" e "This is my life". Ninguém pode cantar estas duas coisas melhor do que ela. Já o "What's now my love" fez-me sentir saudades do Sinatra.

 

Nunca mais rodei os meus discos do Sinatra. Isto é grave. Estou-me a afundar. Literalmente. Não por causa do Sinatra, mas pela música que já me esqueço de ouvir. A música muda a vida das pessoas in a daily basis. Estou lixada, portanto... por enquanto e momentaneamente.

 

SIMONE & ZÉLIA NO CAMPO PEQUENO


Cat2007

06.03.09

 

Simone e Zélia Duncan

 

 

Imagino que a Simone e  Zélia Duncan sejam amigas. Hoje vou ao Campo Pequeno confirmar. Porém, estou um bocado preocupada porque, com excepção das touradas, nunca fui ao Campo Pequeno ver nenhum espetáculo musical. Claro, já me garantiram que estarão lugares colocados na própria arena, de forma que a minha terceira fila é um bom lugar. Um lugar onde se vem bem tudo. Estou a confiar. Enfim, Amigo é Casa, mas se for para ver ao longe, eu perfiro ir à FNAC comprar um DVD e ver em casa, pois claro. Estava para comprar bilhetes para a primeira fila, mas como a Marisa no Coliseu me deu cabo do pescoço, resolvi que era melhor não.

 

Segunda feira já tenho que ir trabalhar. Estou um bocado apreensiva. Perdi o hábito de me levantar cedo. Basicamente, é isso que me custa: acordar às 8 da manhã. Ninguém merece. No mais, nada mais me incomoda. Bom, na verdade, incomoda-me chegar a casa cheia de sono.

 

Agora terei de continuar a ler imenso quando chegar a casa. Em português, francês e inglês. Por incrível que pareca, é mais dificil ler em portugues. Em português não se inventa nada, o que existe são reproduções das ideias dos outros. Dos outros que são estrangeiros. Apenas tais reproduções têm de original um acréscimo de complexidade na forma de expôr, que dá um cansaço mortal.

 

Bom, mas isto também não é um grande assunto. Estou para aqui a falar destas coisas como quem está sem ideias para dizer mais nada. O que é verdade. De toda a maneira, devo acrescentar que sou um "bicho do mato". E esta é uma das razões pelas quais conduzo depressa demais. É como se estivesse a fugir das pessoas. Conclui isto na minha última sessão de terapia.

 

E este assunto leva-me de volta ao meu carro. Pois, não sei, afinal, talvez  fique com ele. Juro que me decidi mesmo pô-lo à venda. Mas tive um aperto no coração. Ainda não estou preparada para me separar deste autêntico sorvedouro de rendimento. Sou um bocado idiota, eu sei.

I' LL NEVER LOVE THIS WAY AGAIN


Cat2007

31.12.07

 

 

 

Há mais de cinco anos que tenho este disco da Dionne Warwick . "Dionne Warwick sings the standards". Quando era ainda muito pequena já gostava dela por causa de uma ou duas músicas que me sensibilizaram logo na altura. Uma delas é aquela: "I Know i'll never love this way again". Eu era uma criança romântica, portanto! Sucede que ainda hoje não a tenho. Foi por isso que, há cerca de cinco anos atrás, fui à FNAC. Mas não havia. É por isso que ainda hoje não a tenho. Mas ainda queria ter. Trouxe, portanto, os standards. Não são os standards da Dionne , claro. Porque se fossem esses, o disco tinha de ter lá aquela musica que eu queria. Antes, são musicas do Cole Porter , bem como daquelas duplas incontornáveis:  Gershwin Gershiwin ; Bernstein/Sondheim; Bacharach/David, e assim. Esta última, no entanto, perfeitamente contornável - não gosto, embora goste do "Way to San Jose", que não está, evidentemente, neste disco.

 

Bom, mas, então, nestas circunstâncias,  Dionne canta standards como "The way you look tonight"; "Summertime"; "I love Paris"; "The good life" e, sobretudo "C'est si bon". Foi esta música que me fez decidir pelo disco. Por razões sentimentais. A única que eu não tinha. Que tinha de ter por razões sentimentais, como disse.

 

E é assim. Compra-se um disco por causa de uma música. Nada de inédito. Não tive interesse em ouvir antes de comprar porque tinha que comprar o "C'est si bon". E porque também gosto de surpresas. Na verdade, para não me dar ao trabalho. E, bien sur, foi uma má surpresa!

 

Na verdade, trata-se de um conjunto de interpretações da Dionne em nova. Uma sonoridade terrível. Muito metálica. Típica dos anos sessenta, com aqueles arranjos feitos para deixar as pessoas com os nervos em franja. Mas como com  boa vontade tudo se resolve, acabei por aceitar as coisas como são. No fim do processo, já adorava o disco. De resto, já me tinha acontecido algo de semelhante com um CD da Liza Minnelli, que comprei por causa do "Cabaret".

 

Entretanto, compreendi que a Dionne Warwick e estes standards, bem como a Liza, no tal disco de que falei, que até tem músicas maravilhosas - "The man i love "; "Stormy weather"; "I' ll wait for you" ou "Come rain or come shine" - são intocáveis. Com efeito, se não estiver a ouvir sozinha, pedem-me sempre para tirar o disco. Ou, mais delicadamente, perguntam-me se não posso baixar um bocadinho. Isto, para o meu estadode boa vontade católica,  é quase humilhante. Porque, enfim, eu consegui acreditar que toda esta múscia é uma verdadeira maravilha.

 

Há muito tempo que não ouvia, pois, o disquinho da Dionne Warwick . Estou a ouvir agora. Pela segunda vez porque estou a escrever  sobre ele. Com efeito, tinha que escrever sobre ele. Isto depois de o ouvir depois, não o ouvindo há imenso tempo. E não precebo como não percebo certas coisas quando não estou interessada em perceber. Então, percebi, pela primeira vez, que a jovem Dionne Warwick desafina em todas as musicas! E só desafina menos, desafinando, ainda assim, no "Babbles, bangles & beads", o que é compreensível, uma vez que dá para cantar esta musica gritando.

 

Esta descoberta chocou-me. A começar pelo meu autismo. Mas, sobretudo, e isto é que importa, porque não se pode admitir uma coisa destas de um dos maiores ícones da "motown", não é? Mesmo que lhe tenha sucedido em nova. Ou pode? Estou desconcertada. Gostava de ter muitas cópias deste disco da Dionne para distribuir na praça pública. Se eu fosse desse estilo, claro. De qualquer modo, incrivelmente, não desafina no "C'est si bon". E isto é ou não é uma sorte?

 

Descobri, ainda, uma outra coisa má, embora, em princípio não tão grave. O francês. O "La vie en rose" também consta desta compilação que, vejo agora, é verdadeiramente dramática. E, devo dizer, um chinês cantaria com semelhante pronúncia! Que mal pode ter isso? É uma cantora americana. É normal. Não, não é normal. Tão mal não é normal. Mesmo para os americanos que não falam lingua nenhuma, para além do inglês, e acham que isto lhes fica muito bem. A Gal Costa também não sabe falar inglês, e eu fiquei a pensar mal dela. Não me parece justo. Ou há moralidade ou comem todos, certo?

 

Não sei o que se passa comigo. Fiz girar o CD da Dionne pela terceira vez. Agora não noto nada. A mulher não sai do tome canta em francês com o mesmo sotaque do Frank Sinatra (e não do Mao Tse Tung). Que estranho!

 

LISBOA


Cat2007

29.12.07

 

                                                                                            

 

Hoje subi a Rua Nova do Almada. Vi um rapaz. Chamou-me a atenção, de entre os vários com que me cruzei, mas que não vi. Era magro para homem. Usava o cabelo puxado por um rabo de cavalo. Demasiado puxado para homem. Vestia uma calças e uma camisa de corte muito moderno. Demasiado justas para homem. Segurava um cigarro entre dois dedos finos, de uma mão fina, sustentada por um pulso fino. Demasiado finos para homem. Compreendi que era gay. A evidência da sua orientação sexual surgiu aos meus olhos como um cobertura de chocolate para um bolo de chocolate. E foi por tudo isto que o achei ridículo.

 

Na Rua Garrett a fila para o Néspresso " era interminável. Não sei se o G. C. tem alguma responsabilidade nisto. Certamente, alguma terá, porém não toda. A máquina, e os pacotes, e as caixas, e as cores e as histórias sabem a chocolate. Eu não bebo café, mas tenho o vício do chocolate. Entre o chocolate preto e o café existem as suas semelhanças. Seja como for, não vou passar a beber café.

 

Se estiver em casa, fico a ver a "Operação Triunfo". Não sei bem se me deva envergonhar disto. Porque, enfim, aquilo tem um lado que me enfada, tem um lado que me distrai e tem um lado que me interessa. Assim, é complicado mudar de canal.

 

Na edição de ontem, a Ana Bola, considerou que uma das miúdas (a única que lá ficou, de resto) é basicamente uma cantora extraordinária em qualquer parte do mundo. Acrescentou, no entanto, que por exemplo, quando ouve a Mariza , sabe que é a Mariza que está a cantar. Se houve a Rita Guerra (que paralelismo é este?), também a reconhece. Já a Vânia (é como se chama a pequena) se canta, e estamos de olhos fechados, não é possível saber a quem pertence aquela voz. A Ana Bola acha que isto se deve ao facto de ela ainda não ter feito o trabalho necessário para que a voz se torne característica. Eu cá adoro a voz da Mariza, porém só depois de ela ter cantado várias vezes, é que me convenci que a voz era mesmo dela. Agora, reconheço-a de olhos fechados. E não é pelo tacto.

  

Por falar nisso, encontrei a Mariza num restaurante no outro dia. Foi jantar na mesa atrás da minha. Tenho muito orgulho em 99% do portugueses: a amostra que foi possível retirar lá no restaurante. 99% deixaram-na jantar em paz, recolhendo-se num ou outro olhar discreto que a Mariza merece. No entanto, surgiu um labrego que se levantou da sua mesa e foi ter com ela. Falou e falou. Claro que este homem representa menos do que 1% da população de comensais da ocasião. De qualquer modo, foi tão incomodativo que merece a pluralidade.

 

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