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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

AZUL - Cap LXXX


Cat2007

02.11.16

A noite rolou sobre a manhã. Teresa ainda adormentada ouviu como se fosse ao longe os toques na porta. Ainda um tanto confusa, ponderou que teria de levantar-se para ir à sala saber o que Clara desejava. No entanto, não teve tempo para se mexer sequer. Escutou o tom jovial da filha do lado de fora.

Clara: Mãe, posso abrir?

Teresa: Calma.

Teresa respondeu ainda soporosa. Foi por isso que não pôde refletir apropriadamente sobre aquela novidade nas rotinas da Alameda. Levantou-se devagar. Vestiu o roupão e recolheu a garrafa de vinho e os copos. Tapou Madalena. E foi à porta.

Teresa: Filha, estás a quebrar as regras.

Clara: Sim. Mas não entrei no quarto, mãe. Apenas queria poupá-la a ter que ir lá dento. Creio que estava a dormir.

Teresa: Sim, filha, estava.

Clara: De qualquer maneira, não queria sair sem a avisar. Eu e a Joana vamos à praia. Voltamos no fim do dia. Importa-se que ela volte comigo, mãe?

Teresa: Oh, querida! Não me importo nada. Faço questão nisso, aliás. Prefiro que estejas aqui em nossa casa.

Clara: E a mãe e a Madalena, vão ficar em casa?

Teresa: Não. Vamos passear ao Chiado. Almoçar, fazer compras. Essas coisas.

Clara: E ela vai estar cá logo?

Teresa: Claro que sim.

Clara: Que bom mãe.

Sorriu abertamente e beijou Teresa nas faces.

Clara: Até logo, mãe.

Teresa: Até logo, filha.

Teresa voltou para dentro do quarto. Madalena ainda dormia. Aproximou-se dela e sentou-se ao seu lado na cama. Afagou-lhe os cabelos castanhos sedosos. Depois passou-lhe devagar com as pontas dos dedos pelas faces. Pelos olhos. E pela boca. Ela mexeu-se um pouco. E foi acordando lentamente. Abriu os olhos e beijou os dedos de Teresa.

Madalena: Bom dia, meu amor.

Sorriu-lhe.

Madalena: o que estás a fazer já levantada e vestida? Não estás cansada? Sou uma incompetente.

Teresa: Não estou vestida, querida. Estou nua. Pus apenas o roupão para ir à porta falara com a Clara.

Madalena estava já totalmente acordada. Espraiou-se na cama. Esticou os braços e as belas pernas que apareciam por partes por entre os pedaços de lençol enrodilhados.

Madalena: Foste à porta falar com a Clara? Mas não era suposto falares-lhe na sala?

Teresa: Sim. Mas ela quebrou a regra de propósito. E eu alinhei nisso. Porque concordo com ela. Essa regra é absurda. Parece que só existe para ser quebrada. Por duas vezes fomos apanhadas nesta casa a fazer amor. Porque dessas duas vezes a norma não foi respeitada.

Madalena: Talvez porque nunca fosse bem entendida. Quando as pessoas não compreendem as regras, dificilmente as interiorizam. Se as respeitam é porque automatizaram as condutas. Ora, isto é meio caminho andado para a violação das mesmas regras. Mas afinal por que razão a tua mãe instituiu uma coisa destas?

Teresa: Ela quis ensinar-me que as pessoas são mundos individuais e que, por isso, devem ter um espaço que é só seu. Foi um processo para me ajudar a alcançar a minha individualidade. E eu usei o mesmo método com a Clara. O que falhou aqui foi o tempo. Depois de eu ser crescida, não se justificava manter a norma. Assim, como eu já a devia ter abolido há muito tempo com a minha filha. Quando fomos surpreendidas pela minha mãe, eu já tinha vinte anos, como sabes. Se a regra tivesse caducado, ela teria batido à porta e perguntado se podia entrar, como a Clara fez há pouco. O mesmo sucederia com a minha filha quando nos apanhou.

Madalena: Graças a Deus, que essa regra foi para o lixo, querida linda. Não sei porquê mas isto parecia ter aqui um bocadinho ambiente de quartel. E tu parecias um sargento.

Teresa: Madalena, meu amor, tu vê lá as coisas que me chamas. Não comeces a provocar logo assim ao acordar. Porque eu posso fazer de sargento para ti.

Madalena: E isso seria má ideia?

Teresa: Eu sei que gostavas, querida. Mas agora vou buscar-nos o pequeno-almoço.

Teresa voltou com sumo de laranja, café e biscoitos de chocolate.

Teresa: Desculpa a pobreza, amor mas foi o mais rápido que consegui arranjar.

Madalena: Biscoitos de chocolate, Teresa? E o sacrifício que eu ando a fazer no ginásio?

Teresa: Também eu.

Meteu um biscoito na boca e aproximou-se da boca dela. Madalena trincou.

Madalena: Adoro chocolate.

Teresa: Bebe café para acordares, querida. Antes do Chiado. Preciso de ti mais um bocadinho.

Madalena: Então mete-te na cama. O que estás ai a fazer de roupão, sargento?

Teresa despiu-se e deitou-se ao lado dela.

Teresa: Trouxe cigarros.

Madalena: Que bom!

Teresa: Já sabia que ias gostar. Mulher derribada.

Madalena: Tu é que és decadente. Tens vícios.

Teresa: Tenho. Sou viciada nos químicos da tua pele.

Teresa cheirou-lhe o pescoço profusamente. Madalena expulsou um gemido. Teresa colocou-lhe um biscoito em cima do peito e arrancou-lho da pele com uma dentada. Madalena apertou-lhe o rosto com as duas mãos e beijou-a na boca.

Madalena: Tu és uma selvagem, mulher.

Teresa: Sou o que tu me fazes. Só sei fazer amor contigo. Nunca soube com mais ninguém.

Madalena: Nunca tiveste mais ninguém. Os homens não contam.

Teresa: Nem tu tiveste. Tu só andaste a desperdiçar-te.

Madalena: Fiz pela vida.

Teresa: Tarada.

Madalena: Por ti.

Teresa: Destapa as pernas. Quero ver essas belas pernas.

Madalena obedeceu. Teresa apalpou-a. Da ponta dos pés às virilhas. Depois ficou a olhar extasiada para o sexo dela. Madalena meteu-lhe uma mão no queixo e ergueu-lhe a cabeça.

Madalena: Quero olhar para esses belos olhos azuis que me cegam e para essa boca perfeita que me escandaliza.

Depois Madalena empurrou a cabeça dela para baixo. Teresa deixou-se levar. Entrou com a língua dentro dela. Depois saiu de dentro dela e tragou-a inteira com a boca toda. Como se quisesse aspirar-lhe a alma por ali. Tirar-lhe a vida. Numa atitude suicida, Madalena deixava-se ir, empurrando-se sempre mais contra ela. Teresa apertou-lhe as coxas com os dedos. Madalena agarrou-lhe os cabelos com as mãos. E foi aqui que se deu a explosão que desmanchou o corpo de Madalena. Quando Teresa subiu para a beijar, ela chorava copiosamente.

Teresa: Isso é tudo amor?

Madalena: Sim. Isto é tudo amor. Não te quero perder nunca mais. Sou tua.

Teresa: E eu sou tua, meu amor.

Madalena: Depois de eu parar de chorar e de tu me beijares e abraçares mil vezes, quero ir para o Chiado contigo.

Teresa abraçou-a, colando-se a ela de corpo inteiro. Beijou-a também. Tudo como ela desejava e Teresa queria.

Teresa: Sim. Vamos para o Chiado, meu amor.

 

                                                                         FIM

 

 

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