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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

AZUL - Cap XXIX


Cat2007

24.09.16

Era sexta-feira. Teresa saíra cedo do escritório. Porque podia muito bem lançar trabalho para segunda-feira. Sentia o peito pesado e dores nas costas. Porque estavam tensas. Considerou que o melhor seria ir a casa mudar de roupa e sair para caminhar um pouco. Para se libertar.

Clara ainda não chegara. “Ainda bem. Não quero estar com ela hoje. Depois do que sucedeu ontem, nem sei o que lhe dizer”.

Libertou-se da camisa e do blazer e dos saltos altos. Enfiou uns jeans e umas botas castanhas de cano alto. Saiu par a rua. Foi para a Praça de Londres. Decidiu tomar um café muito perto de Madalena. Na Mexicana. Imaginava-a em casa. Mas ainda não era hora de a visitar. Antes, tinha que caminhar. Pensar um pouco. Tinha saudades físicas dela. Como todos os dias. Não queria discutir. “Hoje não”.

Terminou o café e dirigiu-se em passos descontraídos até à Avenida de Roma. Ia olhando para as montas distraidamente. Por vezes fixava-se nos vidros para se ver. Não estava segura da sua imagem. Toda a gente a achava anormalmente bonita. Mas ela não se via assim. “A nossa beleza são sempre os outros que acham. A beleza decisiva para a felicidade é aquela que é sentida por quem realmente nos importa. De resto, não decide nada e muito menos garante alguma coisa. A verdade, é que atualmente não me sinto bonita porque a Madalena diz que não me ama. E eu estou quase a acreditar”.

Caminhou mais um pouco. De costas para a Praça de Londres. Os pensamentos sobre o que sucedera na noite anterior com a filha impuseram-se-lhe. Não se reconhecia. O que tinha Clara a ver com o que ela andava a fazer? Naquela casa não se trancavam as portas. As rotinas era desassegredadas. Madalena não voltaria a cometer o erro de fazer amor com ela na casa da Alameda como há vinte anos atrás. Podia assim continuar com a filha nos mesmos rituais. Cada uma nos seus espaços íntimos. E os encontros nas zonas comuns da casa. Clara chorou. Não queria voltar fazer a filha chorar. Ela que só chorava por razões fortes. Como Teresa. Não lhe iria contar nada, afinal. Porque se lhe contasse alguma coisa, teria que dizer tudo desde o passado. Era muita coisa. A miúda não merecia. E não merecia também porque Teresa continuava incerta sobre o que desejava fazer da sua vida. Apesar de ser certo o amor que sentia por Madalena, não sabia se o queria viver assumidamente. Não sabia se queria mudar. Sem estas certezas, não podia contar nada à filha.

Atravessou a rua e voltou para trás em direção à Praça de Londres. Agora caminhava em passadas mais rápidas. Queria libertar-se das incertezas nos braços de Madalena. Talvez o amor que fizessem a ajudasse.

Madalena: Olá, querida.

Teresa: Tu dizes que não me amas.

Madalena: Vens para discutir ou vens para fazer amor?

Teresa: Venho para te atormentar.

Madalena: Não é preciso. Eu já vivo atormentada por tua causa. Mas se me quiseres atormentar na cama, parece-me bem.

Teresa: Estás tão segura de ti.

Madalena: Estou segura sobre as fórmulas químicas que aprendi.

Teresa: Gostas de brincar. Tornaste-te uma pessoa um bocadinho cínica. Consegues separar muito bem as coisas. A tua vida é a tua vida. Eu sou eu. E no in between aproveitas para me comer.

Madalena: De facto, vens para me queimar a cabeça apenas.

Teresa: Não. Venho para o teu corpo. Mas tenho raiva. Quero-te com raiva.

Madalena: Então faz-me com raiva.  

Teresa: És uma ordinária.

Madalena: Que disparate. Sou uma mulher adulta. Tu não.

Teresa: Cínica!

Madalena desnudou o tronco rapidamente.

Teresa: Aqui.

Madalena: Sim, aqui.

Madalena aproximou-se dela e mordeu-lhe a boca. Teresa investiu sobre ela ainda com mais raiva do que a que já trazia. Não se despiu. Empurrou-a contra a parede junto á porta da rua.  Baixou-se e puxou-lhe as calças para baixo.

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