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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

AZUL Cap XXXVI


Cat2007

29.09.16

Estavam sentadas no bar da faculdade. Joana tinha ido à aula de opção que Madalena lecionava.

Clara: Então, como foi a aula.

Joana: Foi interessante. A matéria é interessante. De resto no news, como sempre.

Clara: Mas ela não te pede para conversar?

Joana: Não. A única vez que conversámos sobre nós, foi aqui no bar. Já te contei.

Clara: Sim. Mas é uma mulher estranha. Que tu não tenhas nada para lhe dizer, eu compreendo. Estás comigo. No entanto. Ela podia querer dar mais alguma satisfação, saber de ti… não sei

Joana: Mas eu disse-lhe que andava contigo. Contei-te. Além disso, ela deixou-me por causa de outra. Por causa daquele amor antigo. Não te lembras?

Clara: Lembro. Mas achas que andam?

Joana: Não sei. Mas é provável. Não sei…

Clara: incomoda-te falar deste assunto.

Joana incomodava-se muito. Mas não pelas razões que Clara ponderava.

Joana: Não, amor. É que se trata de um não-assunto. O meu encanto por ela acabou por tua causa. Era uma idiotice o que eu sentia. Que coisa mais cliché. A aluna deslumbrada pela professora com o dobro da idade. Agora vejo como tudo isso é ridículo. Como eu me comportei de uma forma ridícula.

Clara: Sabes que eu tinha ciúmes dela, não sabes?

Joana: Sim. Mas pensavas que eram ciúmes de amiguinha.

Clara: Pois pensava. E tu pensavas o quê?

Joana: O quê o quê?

Clara: Sobre mim.

Joana: Bem, ciúmes não tinha. Porque tu não me apareceste com ninguém à frente. Mas tinha sempre muita vontade de estar ao pé de ti. Sentia saudades tuas. Claro que me questionei. Mas não encontrava respostas. Nem me atrevia a empreender sobre o assunto. Porque tu eras heterossexual, afinal de contas. Mas para que me estás a obrigar a dizer-te estas coisas outra vez?

Clara: Porque gosto de ouvir, querida. Mas agora, mudando de assunto, queria falar-te da minha mãe. Tenho que lhe contar de nós

Joana sentiu-se estremecer.

Joana: Outra vez… Não percebo porque estás a falar disso agora.

Clara: Porque ela sabe, Joana.

Joana: Ela sabe? Se ela soubesse…

Clara: Ela conhece-me. Disse-me que eu estou diferente. Ela só não parou para pensar. Mas conhece-me bem. Em pouco tempo vai chegar a conclusões.

Joana: Tenho impressão que te sentes culpada. E é por isso que dizes essas coisas.

Clara: Ela sabe de nós, querida. E quando ela perceber que sabe… Quando ela realizar que não lhe contei. Que andei a mentir-lhe… Ela jamais me perdoará.

À medida que se ouvia, Clara ficava mais convencida do que dizia. Os seus receios materializavam-se. A ansiedade aumentava. Ficou muito inquieta.

Joana: Amor, meu amor, escuta-me. As mães perdoam tudo às filhas. Tudo. Porque não as querem perder.

Clara: Tu não compreendes, amor. A minha mãe tem tantas qualidades. Tantas. Tu sabes. Só que a cabeça dela às vezes complica-se.

Tinha uma ponta de desespero na voz.

Joana: E como é que a cabeça dela se complica?

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