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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

"ELA"


Cat2007

12.10.16

 

 

Consta que, a partir de dezembro, vai estar um frio de rachar. Por falar em frio de rachar, que é uma expressão que toda a gente usa, lembrei-me de duas específicas mulheres que vi na rua à hora do almoço. Uma dizia para a outra: “como eu costumo dizer, o sol quando nasce é para todos”. Não foi a primeira que eu vi alguém a apropriar-se assim das coisas de toda a gente. De bens do património imaterial geral. As pessoas fazem estas coisas porque gostam de falar com certezas e de parecer inteligentes. O que revela que não são.

 

Mas passando à frente, é muito usual ver duas mulheres trabalhadoras juntas na rua à hora do almoço. Ora, os pares de mulheres que eu vejo na rua à hora de almoço falam bastante e um bocadinho alto. Não posso deixar de ouvir o que dizem. E se forem á minha frente no passeio, caminhando na mesma direção que eu, posso até escutar uma conversa ou outra. E há sempre uma palavra que salta para o ar nos discursos destas mulheres. “Ela.”. Ela existe sempre. E diz coisas. Faz coisas. Ela é um ser perturbador. Ela é má. Torcida. Intrometida. Tem mau feitio. Irrita. Ela nunca é do melhor.

 

Relembro que estou para aqui a falar apenas com base no facto de as mulheres que andam na rua aos pares à hora de almoço, estarem sempre a referir-se a “ela” com mau tom. Isto é o que eu tenho visto. Desconheço as consequências que estas coisas terão no ambiente, no trabalho de equipa e de colaboração e na própria produtividade. Já agora na saúde. Porque não li nenhum estudo sobre o assunto.

 

Mas porque existirá “ela”? Será que estas coisas têm a ver com o fenómeno da chamada por muita gente “rivalidade feminina”? Mas isto ainda se usa? Pensei que a coisa estava mais ligada ao tempo em que a esmagadora maioria das mulheres eram donas-de-casa com muito para fazer e também muito tempo para pensar. As tarefas rotineiras, ainda que pesadas, libertam muito a cabeça porque exigem pouco do intelecto. E quando se tem muito tempo para pensar, normalmente pensa-se disparates.

 

Eu penso que é muito difícil ser “ela”. Seja lá quem ela for.

 

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