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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

NÃO VENHO DA LOURINHÃ


Cat2007

27.02.17

Foto de Catarina Veiga Miranda.

 

Conheço uma pessoa que é da Lourinhã. E que me contou que, lá na Lourinhã, existem dois casais que trocaram de parceiros entre si. Explicando melhor: na Lourinhã existia um casal como tantos outros. Que, como tantos outros se divorciou. E, como na maioria dos casos, a coisa acabou porque surgiu uma pessoa para um deles. Ora, sucede que essa pessoa também era casada, tendo acabado com o seu casamento igualmente. Temos, então, que duas pessoas se divorciaram para ficarem juntas. Por causa disto, duas pessoas passaram, por sua vez, ao estado de abandonadas. Em primeiro lugar, creio que é de aceitar que os sentimentos dos que pediram o divórcio são fortes.

 

Porém, as referidas pessoas abandonadas, pasme-se, juntaram-se uma com a outra. A pessoa que conheço que é da Lourinhã explicou-me que este significativo novo laço ocorreu por despeito. Apenas por despeito. Assim, das quatro pessoas em foco, duas juntaram-se porque estão apaixonadas e as outras duas resolveram envolver-se para ver se causavam mossas emocionais e no sistema nevoso das primeiras.

 

Vamos lá a ver. Há pessoas que dão o corpo ao manifesto para atingir terceiros. É o que se conclui deste pequeno episódio brevemente narrado. Claro que, vivendo na Lourinhã, que é um meio relativamente pequeno, estas pessoas atingidas pela chamada dor de corno têm mais probabilidades de ter sucesso. Porque, enfim, toda a gente se cruza com toda a gente na Lourinhã.

 

A questão que coloca sobre o assunto é a de saber se o casal apaixonado se chateia de facto com o facto. Não tenho forma de saber. Mas quase que aposto que não. Porque, precisamente, estão apaixonados. Como é sabido, to be in love és estar completamente noutra. Não há mundo para além do mundo composto pelas duas pessoas que se sentem assim. E, se, por momentos, desviam os olhos do seu objeto, tudo o demais se apresenta colorido, energético e digno de um sorriso, no mínimo, benévolo.

 

Não obstante, e apesar de não me faltarem oportunidades, nunca dei o corpo ao manifesto, assim como fez o casal despeitado da Lourinhã. Deve ser porque eu, precisamente, não venho da Lourinhã. Nasci em Lisboa, cidade que, para os parâmetros nacionais, se pode considerar uma grande cidade. Se não andam metidas em grupos, em Lisboa as pessoas podem ficar muitos anos sem se encontrarem. O que pode ser excelente quando certas histórias do passado não têm interesse nenhum.

 

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