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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

VERGONHA NA CARA


Cat2007

30.12.20

Como superar a tristeza de uma separação, segundo a ciência | Ciência e  Saúde | G1

 

É verdade que o amor e a paixão nos deixam em situações muito desagradáveis quando recebemos a notícia de que não somos amados. Repare-se que estou a confundir o amor com a paixão. É propositado. Porque, em estado de paixão, é mesmo nisso que as pessoas acreditam. Que amam.

Bem, a realidade é que normalmente não recebemos notícia nenhuma. Tenho anotado que as pessoas, a outra pessoa, podem, pode desejar aproveitar a situação. Na maior parte das vezes, porque há um momento em que ainda não se sente suficientemente corajosa para meter os dois pés fora da mesma. Não será mentir se disser que normalmente o amor acaba porque há outra pessoa. Do passado ou uma novidade. Mas há outra pessoa. As mais das vezes.

É claro que o período de indecisão do ser querido, que não será, em muitos casos, de incerteza, cria a dúvida confundindo decisivamente o desamado. E é por isso, e porque estão em dor, que as pessoas cedem e acedem a contextos emocionais caóticos e mais ou menos destrutivos.

Porém, em meu entender, salva-se quem, apesar de tudo, percebe que, por muito que se perca, não pode, não perde, a vergonha na cara. Foi o que disse a quem atualmente vive um processo destes.

 

PERDÃO FEITO À PRESSA


Cat2007

10.12.20

 

Pedras Fotografias de Banco de Imagens, Imagens Livres de Direitos Autorais  Pedras | Depositphotos®

 

Sobre o ressentimento, creio que a dor que faz ressentir não tem de ser propositadamente provocada. Pese embora seja claro que a intenção também conta um bocado nestas contas. Seja como for, as coisas não estão tanto nos atos praticados pelo agressor, mas situam-se mais nos planos da sensibilidade e da história de cada um que é ofendido.

Como sabemos, não é qualquer dor infligida, ainda que séria, que provoca ressentimento. No âmbito da normalidade das coisas (portanto, fora dos planos de vida das pessoas neuróticas, hipersensíveis e outras), é preciso tocar em certas áreas, eu diria, mais estruturais das emoções para termos quem nos ressinta.

É evidente que o verdadeiro ressentimento só nasce, cresce e amadurece nas relações mais profundas entre as pessoas. Ou seja, nas relações de amor romântico, não romântico (amizade) ou amor de família, onde as pessoas são mais capazes de magoar e suscetíveis de serem magoadas, dado que todos, de uma maneira ou de outra, dão o flanco.

O ressentimento não é mais do que a dor calcificada pelo perdão feito à pressa em nome da preservação do amor. Resta saber quantas pedras destas suporta a alma de cada um ou quando é que o amor acaba.

 

BONS TEMPOS


Cat2007

20.11.20

 

Lembrança dos bons tempos. Quando a saudade bate...

 

Vou falar do tempo. É com o tempo que conhecemos as pessoas. Apesar de nunca as chegarmos a conhecer verdadeiramente, claro. O tempo consiste nas coisas que vão acontecendo na cronologia dos calendários. Os tempos são, pois, os acontecimentos que se sucedem. Descobrir uma algo novo sobre uma pessoa com quem nos relacionamos há algum tempo é sempre um acontecimento. E estas novidades podem aproximar-nos, afastar-nos um pouco ou, em casos extremos, definitivamente - sendo que os arredamentos definitivos não têm de ter uma correspondência material, mas acontecerem apenas no coração.

Poderia pensar-se que, nas relações amorosas com mais tempo, as rotinas de plasticina instalam-se porque passou muito tempo e nada de novo aconteceu. Mas não. Só numa relação com tempo é que é possível descobrir novos tempos. Bons tempos. No sexo, por exemplo. Mas não é no sexo. Na verdade, o ato em si, do ponto de vista da forma e da perícia, não se altera muito. O que muda é o grau de intimidade que é tanto mais alto quanto mais fundo as pessoas conseguem chegar na entrega. Assim, na verdade, as pessoas tornam-se mais ágeis e adquirem maior perícia nas emoções, reinventando as formas imediatamente anteriores de amar, criando, assim, também a permanente novidade. Ora, voltando às rotinas de plasticina, é como disse. Estas instalam-se porque passou muito tempo e nada de novo aconteceu.

 

A IDEIA DO AMOR


Cat2007

15.05.20

 

História Apaixonado por um idiota - História escrita por ...

 

Há o amor-sonho. A ideia do amor. O sentimento no abstrato que vai pairando até que se despenha sobre a cabeça de alguém. E depois sobre outra pessoa. E mais outra em outro momento. Há pessoas assim. Que vivem a amar o amor. Nunca o respetivo objeto. A pessoa. Esta só tem que evidenciar certos sinais que importam ao enamorado. Trata-se de sinais exteriores. De riqueza, de beleza, de sabedoria, ou mesmo, génio… etc. O resto, a beleza da luz da alma e as qualidades do espírito, entre outras realidades não imediatamente apreensíveis, são construídas, idealizadas, pelo amador, que, além disso, também não vê defeitos. Portanto, há muita gente que, neste âmbito, vive de rejeição em rejeição, de fracasso em fracasso. 

 

FALTA DE "CABEDAL"


Cat2007

14.04.20

 

Não era seu hábito procurar-me para saber de mim ou, ao menos, simplesmente estar um bocadinho comigo. Sugeriu-me um encontro de amigos de longa data. Mas, na verdade, era apenas porque precisava. Mais uma vez, queria que eu, do alto de uma sabedoria por si imaginada, lhe dissesse o que desejava ouvir sobre uma nova relação amorosa. Como se as coisas que vinha contar-me pudessem ter algum grau de profundidade para serem complexas. Assim cansou-me logo que começou a ler as infinitas mensagens de telemóvel que trocou com ele. Todas sem significado. Ou seja, com o significado único de que ali havia um nada amoroso. Porém, incompreensivelmente ou não, de cada vez que lia, via-se-lhe nos olhos a esperança. Quando finalmente me foi possível falar, disse que não. “Não. Não gosta de ti”. Viu-se a agitação e talvez também uma certa raiva. “Não? Porque é que dizes isso? Tu nem sequer o conheces”. Ignorei o golpe essencialmente por pena. “Não preciso conhecer. Basta-me o teor das mensagens e as coisas que me contas. Afinal, ele nem sequer quer ir para a cama contigo. Dois meses de namoro… “. Fiz mais uma ou duas observações. A questão era demasiado simples. Como sempre, só mudavam os nomes. Dito isto até parece que falo de uma pessoa na fase da adolescência, o que não sucede.

É verdade que sempre me confundiu aquela incapacidade de detetar afetos e de não querer contornar não-afetos. Porém, agora já não. Percebo perfeitamente que tudo tem a ver com escolhas e com a falta de “cabedal” para suportar a falta que lhe faz tudo aquilo que rejeitou ao escolher como escolheu.

DE JOELHOS


Cat2007

11.04.20

30 Desenhos Dia Internacional da Mulher para Colorir - Online ...

 

A minha mãe preocupava-se com a aparência. No entanto, nem tanto assim, a partir de certa altura - que não era a da velhice porque a minha mãe não chegou a tanto. Por isso não era incomum que se apresentasse com as camisas mal abotoadas ou as sandálias com as presilhas fora dos furos certos, por exemplo. Então, lá estava eu arrumar tudo. E ela, dócil, permitia. Pelo meio, eu fazia as minhas observações sobre o assunto, alertando, por um lado, e dando conselhos, por outro. Ela, por seu lado, sorria candidamente e punha-se muito distraída, como era seu hábito quando as questões não eram fundamentais. Ambas percebíamos que aquilo haveria de se repetir para sempre. Não. A minha mãe não tinha problemas. De saúde mental, quero dizer - faço esta advertência porque, não querendo trair a sua memória, temo que o que acabei de descrever possa induzir em erro para quem leia isto.

Uma vez achei que ela andava um bocado triste. Por isso, e ao invés de reconhecer que havia razões conjunturais para tanto, que havia, convenci-a a ir comigo ao meu terapeuta da altura. Pedi para ficar no gabinete ao lado dela. Eles permitiram. E foi só aí que eu reparei que ambas as presilhas das sandálias estavam soltas. Repreendi-a com a propósito. E depois ajoelhei-me para lhe apertar os sapatos. De resto, a consulta correu bem. Saiu de lá com a receita de um antidepressivo levezinho que jamais tomou. O certo é que na sessão seguinte o terapeuta me falou da impressão com que ficara. Nunca vira tanta ternura que expressava em mim aquele tipo de amor profundo. Como é que se tinha percebido isso tudo? Na verdade, eu só me ajoelhei diante dela.

 

COISAS PARECIDAS


Cat2007

04.06.19

O tempo está instável como eu já fui. Muitas vezes, a minha mãe dizia que se ia embora de casa. Hoje percebo que era coisa que lhe saia pela boca quando estava enervada com o meu pai. O que igualmente sucedia muitas vezes. Chegava mesmo ao ponto de se ausentar, de vez em quando, para casa da irmã mais velha. Depois voltava, como sempre.

A questão é que eu era um bocado pequena demais para não encarar com a máxima seriedade aquelas declarações e atos. Para mim, a minha mãe fazia essas coisas quando estava, por alguma razão, farta. Porque, veja-se, as discussões nem sempre começavam por causa dele.

Bem, e, assim, logo que comecei a namorar mais a sério, passei a vivenciar coisas parecidas. Não iguais. Parecidas. Sem desconfiar que estava a mimetizar, começou a estabelecer-se em mim um padrão de comportamento específico: o meu saco começava a encher lentamente quando as vivências, ainda que prazerosas, eram demasiado intensas. Depois, quando o meu saco já estava a meio, eu, por causa disso, por estar a meio, principiava a sentir uma espécie de impaciência. Por fim, tinha que me afastar. Durante um dia ou dois. Mas tinha que me afastar. Quando já não sentia o ar a entrar, a fluir e a sair dos pulmões com a mesma fluidez e leveza. O corte poderia surgir de uma discussão. Normalmente, era assim. Mas se a discussão não surgia, eu pirava-me da mesma maneira. Para voltar. Claro que me lixei seriamente com isto. Uma vez ou outra. Sofri.

Hoje sou estável como o tempo quando está desse modo.

QUANDO ALGUÉM DEIXA DE GOSTAR


Cat2007

31.05.19

Resultado de imagem para virar costas

 

Sucede-me ter os afetos e os respetivos objetos bem arrumados em espaços próprios e distintos no meu coração. É por isso que não poderia jamais ter sexo com alguém que fosse um amigo. É também por isso que há algumas pessoas que são a pessoa mais importante da minha vida. É por áreas, espaços, de afeto, sublinho. Ou seja, para cada contexto afetivo existe a pessoa mais importante. Que são várias, portanto. Repito. Mas não muitas. Esclareço. O fio condutor é o amor. Um amor de cada tipo. Para cada tipo. Claro. Uma mãe e um pai e os irmãos. Um amor. Um amigo ou dois. Vivo convencida de que as pessoas destes lugares de afeto apenas os ocupam porque também elas o sentem em igual medida. É a coisa da alimentação dos sentimentos. As pessoas não se alimentam de pessoas, de certo modo. Mas os afetos alimentam-se de afetos. Assim, as perdas não têm significado de relevo quando alguém deixa de gostar. Uma perda só o é realmente quando o amor existia e foi a vida que nos espoliou. Dito isto, penso em amores e amigos que já não o são. E não dói nada.

 

SE O AV NÃO ESTÁ CONTIGO, É PORQUE NÃO GOSTA DE TI


Cat2007

26.07.18

Resultado de imagem para amor não correspondido

 

É claro que existem aquelas pancadas que acontecem a certas pessoas que têm não sei o quê na cabeça e se apaixonam por alguém que nem as conhece (ou conhece mas não quer conhecer melhor).

 

Porém, não quero falar desses casos. O meu assunto agora é o amor não correspondido quando uma relação acaba porque uma das partes deixou de gostar. Já me aconteceu. Ser a parte sofredora.

 

Não obstante, o que nunca me aconteceu foi alimentar esperanças sobre o retorno. Ou seja, sempre me foi muito claro que quem deixa de gostar não volta ao gosto. Deste modo, parece-me importante que quem é deixado (ou convidado a deixar) tenha sempre presente esta realidade. Senão é o ridículo em todo o seu esplendor.

 

Com efeito, a este propósito, recordo uma situação em que uma pessoa que eu mal conhecia foi parar, não me lembro muito bem como, à sala-de-estar lá de casa. Tratava-se de alguém que tinha tido uma relação com um tal de AV, a qual já tinha terminado há muitos meses.

 

Pois bem, a pessoa sentada no meu sofá não parava de falar em AV. Que tinha visto AV em tal sítio e que AV tinha olhado três vezes e feito mais um não sei que número de coisas que só podiam indiciar que AV também estava muito interessado.

 

Eu ouvi tudo sobre os sinais. Depois senti-me mentalmente fatigada pela falta de relevância dos detalhes transmitidos e pela circularidade do discurso. Por isso saí da sala para ir à cozinha beber um copo de água.

 

No caminho de regresso já tinha tomado a minha decisão. Portanto, logo que entrei na sala, e ainda de pé, afirmei: “O AV não gosta de si”. Foi o choque. E um gritinho mal controlado fez-se ouvir: “Porquê!??!!!?”. Calmamente respondi: “Porque o AV não está consigo”. A partir daqui foi a histeria total. Até impropérios ouvi. Na minha própria casa. Mas não liguei porque achei aquilo tudo muito natural.

 

E é assim, se o AV não está contigo, é porque não gosta de ti.

 

FALAR DE AMOR


Cat2007

16.05.18

Resultado de imagem para barco no porto

 

No amor existe muito medo. Em princípio, toda a gente tem medo de amar. Não falo de paixões avassaladoras daquelas que podem provocar estupidas quedas voluntárias do Aqueduto das Águas Livres. Falo de amor. Daquele sentimento que entrelaça as vidas num projeto de vida que é eterno até à morte. Vivido até à morte. As pessoas que amam assim, têm muito medo de perder o que sentem. Porque o sentimento já faz parte da personalidade. Do caráter. O meu pai morreu em vida quando a minha mãe partiu.

 

A montante, é da projeção disto que se tem medo antes de embarcar na aventura sem retorno que é o amor real. Antes de embarcar, e com o barco já atracado em frente aos nossos olhos no porto, não quereríamos ir se soubéssemos que a viagem é sem volta ao mesmo lugar.

 

Nós não gostamos do desconhecido porque não o conhecemos e não sabemos como nos vamos conseguir comportar. Se vamos corresponder perante nós próprios e perante o outro às dificuldades e aos desafios todos novos, bem como à alegria e ao prazer ignotos.

 

É por isso que as pessoas vão inconscientes para o amor. Pensam, ali mesmo em frente ao barco atracado no porto, que o regresso se há-de dar no fim da viagem. De outro modo, não embarcavam.

 

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