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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

COISAS PARECIDAS


Cat2007

04.06.19

O tempo está instável como eu já fui. Muitas vezes, a minha mãe dizia que se ia embora de casa. Hoje percebo que era coisa que lhe saia pela boca quando estava enervada com o meu pai. O que igualmente sucedia muitas vezes. Chegava mesmo ao ponto de se ausentar, de vez em quando, para casa da irmã mais velha. Depois voltava, como sempre.

A questão é que eu era um bocado pequena demais para não encarar com a máxima seriedade aquelas declarações e atos. Para mim, a minha mãe fazia essas coisas quando estava, por alguma razão, farta. Porque, veja-se, as discussões nem sempre começavam por causa dele.

Bem, e, assim, logo que comecei a namorar mais a sério, passei a vivenciar coisas parecidas. Não iguais. Parecidas. Sem desconfiar que estava a mimetizar, começou a estabelecer-se em mim um padrão de comportamento específico: o meu saco começava a encher lentamente quando as vivências, ainda que prazerosas, eram demasiado intensas. Depois, quando o meu saco já estava a meio, eu, por causa disso, por estar a meio, principiava a sentir uma espécie de impaciência. Por fim, tinha que me afastar. Durante um dia ou dois. Mas tinha que me afastar. Quando já não sentia o ar a entrar, a fluir e a sair dos pulmões com a mesma fluidez e leveza. O corte poderia surgir de uma discussão. Normalmente, era assim. Mas se a discussão não surgia, eu pirava-me da mesma maneira. Para voltar. Claro que me lixei seriamente com isto. Uma vez ou outra. Sofri.

Hoje sou estável como o tempo quando está desse modo.

QUANDO ALGUÉM DEIXA DE GOSTAR


Cat2007

31.05.19

Resultado de imagem para virar costas

 

Sucede-me ter os afetos e os respetivos objetos bem arrumados em espaços próprios e distintos no meu coração. É por isso que não poderia jamais ter sexo com alguém que fosse um amigo. É também por isso que há algumas pessoas que são a pessoa mais importante da minha vida. É por áreas, espaços, de afeto, sublinho. Ou seja, para cada contexto afetivo existe a pessoa mais importante. Que são várias, portanto. Repito. Mas não muitas. Esclareço. O fio condutor é o amor. Um amor de cada tipo. Para cada tipo. Claro. Uma mãe e um pai e os irmãos. Um amor. Um amigo ou dois. Vivo convencida de que as pessoas destes lugares de afeto apenas os ocupam porque também elas o sentem em igual medida. É a coisa da alimentação dos sentimentos. As pessoas não se alimentam de pessoas, de certo modo. Mas os afetos alimentam-se de afetos. Assim, as perdas não têm significado de relevo quando alguém deixa de gostar. Uma perda só o é realmente quando o amor existia e foi a vida que nos espoliou. Dito isto, penso em amores e amigos que já não o são. E não dói nada.

 

SE O AV NÃO ESTÁ CONTIGO, É PORQUE NÃO GOSTA DE TI


Cat2007

26.07.18

Resultado de imagem para amor não correspondido

 

É claro que existem aquelas pancadas que acontecem a certas pessoas que têm não sei o quê na cabeça e se apaixonam por alguém que nem as conhece (ou conhece mas não quer conhecer melhor).

 

Porém, não quero falar desses casos. O meu assunto agora é o amor não correspondido quando uma relação acaba porque uma das partes deixou de gostar. Já me aconteceu. Ser a parte sofredora.

 

Não obstante, o que nunca me aconteceu foi alimentar esperanças sobre o retorno. Ou seja, sempre me foi muito claro que quem deixa de gostar não volta ao gosto. Deste modo, parece-me importante que quem é deixado (ou convidado a deixar) tenha sempre presente esta realidade. Senão é o ridículo em todo o seu esplendor.

 

Com efeito, a este propósito, recordo uma situação em que uma pessoa que eu mal conhecia foi parar, não me lembro muito bem como, à sala-de-estar lá de casa. Tratava-se de alguém que tinha tido uma relação com um tal de AV, a qual já tinha terminado há muitos meses.

 

Pois bem, a pessoa sentada no meu sofá não parava de falar em AV. Que tinha visto AV em tal sítio e que AV tinha olhado três vezes e feito mais um não sei que número de coisas que só podiam indiciar que AV também estava muito interessado.

 

Eu ouvi tudo sobre os sinais. Depois senti-me mentalmente fatigada pela falta de relevância dos detalhes transmitidos e pela circularidade do discurso. Por isso saí da sala para ir à cozinha beber um copo de água.

 

No caminho de regresso já tinha tomado a minha decisão. Portanto, logo que entrei na sala, e ainda de pé, afirmei: “O AV não gosta de si”. Foi o choque. E um gritinho mal controlado fez-se ouvir: “Porquê!??!!!?”. Calmamente respondi: “Porque o AV não está consigo”. A partir daqui foi a histeria total. Até impropérios ouvi. Na minha própria casa. Mas não liguei porque achei aquilo tudo muito natural.

 

E é assim, se o AV não está contigo, é porque não gosta de ti.

 

FALAR DE AMOR


Cat2007

16.05.18

Resultado de imagem para barco no porto

 

No amor existe muito medo. Em princípio, toda a gente tem medo de amar. Não falo de paixões avassaladoras daquelas que podem provocar estupidas quedas voluntárias do Aqueduto das Águas Livres. Falo de amor. Daquele sentimento que entrelaça as vidas num projeto de vida que é eterno até à morte. Vivido até à morte. As pessoas que amam assim, têm muito medo de perder o que sentem. Porque o sentimento já faz parte da personalidade. Do caráter. O meu pai morreu em vida quando a minha mãe partiu.

 

A montante, é da projeção disto que se tem medo antes de embarcar na aventura sem retorno que é o amor real. Antes de embarcar, e com o barco já atracado em frente aos nossos olhos no porto, não quereríamos ir se soubéssemos que a viagem é sem volta ao mesmo lugar.

 

Nós não gostamos do desconhecido porque não o conhecemos e não sabemos como nos vamos conseguir comportar. Se vamos corresponder perante nós próprios e perante o outro às dificuldades e aos desafios todos novos, bem como à alegria e ao prazer ignotos.

 

É por isso que as pessoas vão inconscientes para o amor. Pensam, ali mesmo em frente ao barco atracado no porto, que o regresso se há-de dar no fim da viagem. De outro modo, não embarcavam.

 

UMA QUESTÃO DE FEITIO


Cat2007

27.12.17

 

Resultado de imagem para blazer

Em artigos sobre o amor dignos de revistas femininas de grande tiragem é normal encontrar frases típicas como “o respeito é fundamental numa relação” ou “no amor é preciso confiar no outro”. Normalmente, uma pessoa lê um artigo destes e nada acontece. Ou, melhor, acontece o esquecimento. Com efeito, ninguém recorda o que não é possível interiorizar. Porque nada é explicado devidamente.

 

Só me vem à cabeça o conceito de individualidade. Sempre acreditei que o amor era um plus na vida de uma pessoa. Deste modo, a individualidade jamais se poderia esbater.  Aliás, não pode efetivamente, sob pena de a pessoa a quem uma coisa dessas suceda deixar de ser amada.

 

Porém, a questão essencial tem a ver com a harmonização da individualidade com a cedência. Pois como seria dito num daqueles artigos que acima referi “ no amor é preciso saber ceder”.

 

Mas ceder o quê e até que ponto? Por exemplo, as questões de feitio. Uma pessoa deve ceder, aceitando tudo o que é típico do feitio da outra? Acredito que no feitio, nos feitios, é que podem ser feitas todas as cedências. Porque é fácil alterar aspetos do mesmo. Só não o sendo para quem não está de boa vontade. Veja-se como é fácil alterar o feitio de um blazer, por exemplo. E, no entanto, é certo que ele não perde a cor, nem as mangas, nem aquela parte que envolve o tronco e eu não sei dizer o nome.

 

No entanto, a maior parte das pessoas confunde feitio com personalidade e, por causa disso, não quer alterar nada. Porque ninguém quer deixar de ser quem julga que é.

 

ENTENDER A PAIXÃO


Cat2007

23.10.17

Resultado de imagem para coração

 

O amor é o sentimento mais profundo que envolve as pessoas. Em princípio é recíproco ou partilhado. Não. Não é em princípio. É sempre recíproco ou partilhado.

 

O amor é aquilo que sentimos pelas pessoas que nos são estruturais. Pela família, claro. Também por um ou dois amigos, certamente. Mas por alguém que não é da família nem dos amigos, sem dúvida.

 

É deste último tipo que quero falar. Que todos queremos falar. Chamo-lhe tipo especial. Porque em princípio este é dos tipos o único que não nos acontece pelos laços de sangue ou pela convivência. Pacificamente.

 

Antes pelo contrário, por este tipo é preciso procurar e lutar. E, ainda assim, ele não aparece quando se procura e morre sempre quando há luta.

 

Fazemos amor sem saber o que é o amor. Só sabemos do desejo. E daquele extraordinário tipo de empatia que vem do desejo e que se chama paixão. Através da paixão estabelece-se uma convivência próxima muito pouco pacífica mas incontornável e feliz.

 

Porém, um dia a paixão acaba e as pessoas ainda estão a conviver. Mas já não será por muito tempo. É um acordar doloroso. Neste caso, quem aguardava o tipo especial enganou-se. E é capaz de sofrer um bocado. Quem não o esperava fica bem assim ou no vazio identificado com a ausência de dor. Sempre que a paixão morre o amor não aconteceu. Por isso o que é preciso é entender a paixão.

AMORES FELIZES


Cat2007

22.09.17

 
 

Resultado de imagem para criança com um coração

 

Eu tenho uma marca de infância. O meu pai, o amor da minha vida, deixou, a certa altura e abruptamente, de se comportar como tal, passando ao oposto. Na verdade, o que ele teve foi uma fase com muitas chatices. Por isso deixou de poder designadamente contar-me histórias e levar-me aos baloiços, além de que nunca mais me comprou o “Super Maxi” do domingo. Sofri muito. Ponto. Assim, tenho um modelo de relação afetiva na memória das minhas emoções que me diz que os amores felizes terminam sem aviso e sem cuidado. Por outro lado, a boa notícia é que já não acredito nisso.

 

O AMOR-MIRAGEM


Cat2007

26.08.17

 

Resultado de imagem para shrek e fiona

 

A maior parte das canções trata de amor. Porém, de desencontros amorosos, amores platónicos ou de relações que acabaram. Enfim, de solidão. Nada de amores felizes. E, quando as relações dão certo, há sempre dor.

 

Talvez seja porque os seus autores nunca tenham atinado afetivamente com ninguém em termos tendencialmente perenes. Ou então é porque falam da vida dos públicos alvo. É verdade, que independentemente da idade, as pessoas, na sua maioria e salvo honrosas exceções, não estão amorosamente bem resolvidas, o que dá origem à situação de o amor-miragem não ter banda sonora.

 

Nas aldeias e nas vilas dá ideia que as pessoas se casam por falta de opção ou então em virtude de determinadas conveniências. Nas cidades há designadamente o problema das escolhas múltiplas e nomeadamente o do desligamento interpessoal. Portanto, em qualquer dos casos, não é fácil encontrar aquela pessoa. E, depois, quando as pessoas se juntam, acabam por ficar assim por hábito e interesse ou então divorciam-se.

 

Bem sei que, em face do que acabei de escrever, pareço uma jovem de pensamentos simples a falar. No entanto, é claro que admito que existe o amor-miragem. A questão é que nota-se na cara das pessoas que não estão felizes, pelo que dá a impressão de que não são as felizes contempladas.

 

O amor-miragem é aquele a que todo o ser humano aspira: o do “e viveram felizes para sempre” só um para o outro sem palitos e sempre em estado de paixão embora não de montanha-russa porque ninguém aguenta nem a vida permite. É de acrescentar que no amor-miragem as pessoas envolvidas se divertem bastante uma com a outra.

 

E agora que disse isto tenho que levantar a possibilidade de a Disney – Pixar ter encontrado e projetado uma música para estes casos. Ou mais de uma, dada a quantidade de filmes de príncipes e princesas. Seja como for, e ainda assim, creio que não chegam para fazer a banda sonora de uma vida a dois (ou a duas).

 

A propósito, pergunto-me: o Shrek tem alguma canção de amor-miragem? Não me lembro. Só sei que. no conjunto de todos os filmes, ele e Fiona vivem de facto um amor-miragem. Mas, também, o Shrek é um filme pedagógico. E se há pedagogia é certo que há algo para ensinar. E se há algo para ensinar é porque há quem tenha que aprender. O público. E veja-se a quantidade de público. Admire-se o sucesso.  

 

 

SOBRE O AMOR


Cat2007

02.08.17

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O amor não é eterno. Porém confere uma sensação extraordinária de eternidade. O amor tem um termo final aposto no compromisso assumido para sempre. Não é eterno, mas é exclusivo. Estou a falar daquele que é especial. Que agita as hormonas. Que remexe as ideias. Que inventa projectos. Que nos transforma o espírito no sentido do optimismo. Que nos perfura a alma todos os dias mais um bocadinho com o objectivo de chegar ao âmago da nossa própria vida. Que rejeita a pele e o cheiro de outra pele que não tenha senão aquele cheiro. Este amor, sim, este amor é exclusivo por imposição, independentemente da vontade. Há entrega porque se está definitivamente entregue a algo para que se foi voluntariamente, mas já não se fica nessa condição.

 

PENSAMENTOS MOLES E CANSADOS


Cat2007

14.07.17

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Estava para aqui a escrever sobre o amor que sinto pela pessoa certa que tenho. Mas apaguei tudo. É que, quando se diz isto, está tudo dito. Para quê desenvolver desenvolvimentos, passando previamente sobre os amores passados? A verdade é que o dia está cheio de calor e eu estou cheia de pensamentos moles e cansados. É por isso que não surge em mim nenhuma ideia com alguma luminosidade. Repare-se que, quando acendemos uma luz em casa numa sala onde esteja a bater muito o sol, é como se nada acontecesse. É isto.

 

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