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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

A ARCA PERDIDA


Cat2007

05.03.21

São estes os melhores restaurantes de praia perto de Lisboa

 

Cada vez é mais difícil vir aqui escrever. Porque o mundo, que está como está, não deixa por isso. Uma pessoa não é suficiente. Uma pessoa realiza-se no mundo, transformando-se pela aprendizagem de novidades que vêm com as experiências que vai vivendo, um em cada todos os dias, e partilha. Ler livros, ver filmes e ouvir outras músicas não é suficiente. Aliás, cada vez mais, parece que estes produtos já não são do mundo de cá, mas que provêm do interior de uma grande arca perdida. Tal é a distância entre a vida de que falam e este nosso designado “novo normal”.  Eu, que estou a ouvir o sambinha feito de uma nota só, uma peça muito popular da verdadeira música clássica brasileira, sou apanhada pelos respetivos ritmos tropicais, que cheiram ao sol de uma esplanada cheia de gente bronzeada a rir desmascarada, a qual pode ficar ali mesmo na praia do Meco, caso não desse jeito ir ao Brasil para a coisa ser ainda mais intensa. E é isto que temos, a saudade.

Assim, do que fica escrito comprova-se a minha incapacidade de dizer alguma coisa de novo, como de resto comçei por declarar.

 

SOUNDTRACK


Cat2007

06.01.21

Friday Fun: An #Electiongeek Playlist | Election Academy

Estou aqui a ouvir o João Gilberto acompanhado do Stan Getz: “Para machucar meu coração”. É lindo. Gosto especialmente da parte em que ele canta “foi tudo o que ficou, ficou“. Tenho o aquecedor debaixo da mesa colado aos joelhos. De manhã, quando sai para fazer os meus 5 km a pé, cheguei a concluir que o melhor seria dar meia volta para casa. De facto, no sabor daquele frio de quebrar ossos, fiquei quase rígida. No entanto, não. Prossegui. E fiz. Os 5 km. Tinha de ser. É que decidi suspender as idas ao ginásio. Tenho medo da COVID-19. Embora, claro está, não será por isso que estarei completamente protegida. Uma pessoa ainda vai ao supermercado, ao cabeleireiro, e tal. Enfim, pelo menos, ao local de trabalho físico não tenho de ir. O meu computador de casa tem instalado tudo o que é necessário. Agora está aqui a tocar “Heaven”. Que, segundo a respetiva letra, é um lugar onde nada acontece. São os Simply Red que estão a tocar a versão que fizeram da música dos Talking Heads. Creio que passou despercebido a muita gente, mas esta composição faz parte da banda sonora do filme “Philadelphia”. Gostei deste filme trágico. Bem, mas tudo isto vinha a propósito do frio e do calor. Na verdade, do tempo frio e dos eletrodomésticos. Quando comecei a falar do João Gilberto era para dizer que, espantosamente, a música dele combina muito bem com um aquecedor junto aos joelhos depois de 1 hora a andar ao frio. Assim, é verdade que estou a escrever sobre temperatura do ambiente. Da rua e de casa. São cinco da tarde não me apetece fazer mais nada senão andar para aqui a pijamar com uma soundtrack a envolver-me. É curioso que, agora que estou mesmo a acabar aqui, começou um “Samba de verão”. Parece-me um sinal de esperança. Não sei.

 

QUAL É O TEU FAVORITO?


Cat2007

11.12.20

Significados: Cores das Rosas

 

Uma vez, em conversa, alguém (não adolescente), disse-me que o seu cantor preferido era X e, logo de seguida, confessou-me o seguinte: “não é que eu goste assim tanto dele, mas tinha que ter um preferido para quando alguém me perguntasse”.

De facto, as pessoas estão sempre a querer saber qual é a nossa cor, o nosso autor, o nosso livro, o nosso cantor, a nossa música, a nossa frase, a flor ou a planta. Como se, pelas respostas dadas, fosse possível traçar a personalidade de alguém, revelando-lhe alguns segredos, e, claro, chegar a uma proximidade qualquer.

Para, precisamente, responder a um questionário imaginário sobre o tema estou a pensar no azul-marinho, em Dostoievski, no “Crime e Castigo”, em “That’s life”, na Amália, no facto de que “Não é possível comer um bolo sem, ao mesmo tempo perdê-lo”, em tulipas ou em bonsais (que não são plantas, mas árvores muito parecidas com plantas). Porém a questão é que poderia responder castanho, Pessoa, “A amiga genial”, “No teu poema”, Sinatra, “O inferno são os outros”, rosas e numa planta bonita de que não sei o nome.

Não obstante, a verdade é que agora estou com uma camisola encarnada, depois de há pouco ter lido Goscinny e Uderzo, a contarem mais uma aventura de “Astérix”, a ouvir o “Love never felt so good” do Justin Timberlake, sem me lembrar de qualquer frase guia, num cenário tocado pela ausência de flores ou de qualquer planta. E tudo isto faz parte do meu plano favorito para hoje.

 

A MÚSICA QUE ME EMOCIONA


Cat2007

30.10.20

A música mexe com seu cérebro e pode aumentar a sua produtividade; entenda  como - Pequenas Empresas Grandes Negócios | Dia a dia

 

Estou novamente a coligir sons. Ontem fui ouvir a Amália a cantar em diferentes línguas. E baixei algumas músicas. Nada de novo. Já conhecia. Mas tenho muito prazer em revisitar sítios de que gosto muito. É que há pormenores, esquinas, anotações, que pareciam já esquecidos, os quais é emocionante relembrar. Preciso de ouvir música que me emocione. De preferência pela música em si, que inclui naturalmente as palavras. Por outro lado, também há sons, nem por isso de grande excelência, mas que estão ligados a pessoas e lugares. Gosto deles igualmente. Realmente, para além das que me chegam pela música, a generalidade das emoções emociona-me. E, assim, parece, ou é mesmo assim, que estou apaixonada pela vida. Logo eu que só me dou às experiencias que realmente quero.  

 

SAMBA DE JANEIRO


Cat2007

24.06.20

 

Samba - Origem, história, significado da palavra, principais tipos ...

 

Tenho estado armada em workaholic. Como se não tivesse nada de melhor para fazer. É o brio. Porém, considero que estas coisas são um perigo. Se o sentido da vida é viver, é igualmente certo que ninguém vive bem se estiver a dedicar-se apenas a uma parte. Da vida. Ainda que inegavelmente importante. Na verdade, precisava de ir para o campo ver flores. Ou então de viajar para uma cidade no estrangeiro. Porque gostava de sentir a rotina dos outros em cenários feitos para eu tirar proveito. Por lá estar sem obrigações. Gostava de ir ao Rio de Janeiro. Por causa da música. E da música nas pessoas. Apesar de saber que é necessária alguma tristeza para se fazer um bom samba.

 

OS ESTADOS DO ESPÍRITO


Cat2007

15.12.16

 
Resultado de imagem para maria joão pires

 

Fiquei a pensar que a fotografia do macaco no post anterior pode dar lugar às interpretações mais diversas e causar alguma apreensão sobre a relação do símio com o tema. O que sucede é que não sou grande coisa a escolher imagens e lembrei-me do macaco porque o meu amigo ali mencionado falou de calos no rabo do macaco, sendo que este era ele. Assim, confesso que detesto a foto em conjugação com o tema. Não obstante, não a vou retirar porque não sei o que haveria de pôr ali.

 

Ainda a propósito do tema da maturidade, gostava de deixar claro que, sendo verdade que aquela está ligada à idade, sempre é certo que não se trata de virtude de pessoas idosas.

 

Posto o que antecede, deveria agora falar de outra coisa qualquer. No entanto, para já, estou aqui a comer umas bolachinhas com cereais. E vou agora abrir um iogurte líquido. Na verdade, o meu almoço foi uma maçã. Daí que está tudo explicado.

 

Gostaria de falar um bocadinho sobre música. Ao dizer isto, ocorreu-me a Maria João Pires e Mozart. Uma conjugação perfeita. Há uns meses estive a estudar insistentemente alguns assuntos complexos, tendo contado com a ajuda de ambos aqueles. Sem dúvida que a música altera o estado de espírito. E não o estado de alma. Porque a alma é a energia vital e o espírito é a forma que essa energia assume dentro de nós. Inalterável em alguns, muito poucos, aspetos. Modificável em quase tudo. Mas isso, sendo verdade, não tem nada a ver com o facto de o espírito ter estados. Os estados do espírito são os seus humores, os quais são, por natureza, inconstantes. E é aqui que a música entra. Mas também podem entrar outras coisas designadamente gritarias, implicações e barulhos.

 

CARAÇAS, AMY WINEHOUSE NÃO RECUPEROU!


Cat2007

24.07.11

 

Caraças, não recuperou! Amy Winehouse. Morreu (http://www.publico.pt/Cultura/uma-vida-de-tropecoes-ate-a-queda-final_1504518). A vida não é definitivamente como Hollywood nos quer fazer crer. É jovem. Tem um talento incomparável. E tanto ainda para dar. Está na mó de baixo. Luta com problemas gravíssimos. Drogas duras e álcool. Uma imensa montanha para escalar. Por pouco não morre. Mas at the end, in extremis, escapa. E vai fazer dezenas de discos maravilhosos. Como o Back to Black que contém o fantástico Rehab escrito por ela. Parece que a letra é autobiográfica. Perante os factos ninguém duvida. At the end não escapou. Um dia ainda dou por mim a frequentar o King, o Nimas e a Cinemateca. Só.

 

Antes de mais, é capaz de ser justo dizer que Winehouse é o nome artístico de uma arrogante que por isso o terá escolhido. Imagino. Apesar de ser o nome de família. Bem entendido. Porque, na verdade, ela decide: “I’m gonna lose my babe/ So I always keep a bottle near”. Rehab é autobiográfico. Pois. Por isso dificilmente conseguimos afastar a ideia de uma morte inconscientemente anunciada pela própria logo a abrir o êxito. Aparentemente, Amy Winehouse acreditava que estava acima do vício. O erro classico do toxicodependente que não voltará. Veja-se:

 

They tried to make me go to rehab/But I said 'no, no, no'/Yes, I've been black, but when I come back/You'll know-know-know/I ain't got the time/And if my daddy thinks I'm fine/He's triedto make me go to rehab/But I won't go-go-go/I'd rather be at home with Ray/I ain't got seventy days/'Cause there's nothing/There's nothing you can teach me/That I can't learn from Mr. Hathaway/I didn't get a lot in class/But I know it don't come in a shot glass/The man said "why do you think you're here?"/I said "I got no idea./I'm gonna, I'm gonna lose my baby,/So I always keep a bottle near."/He said "I just think you're depressed,/Kiss me here, baby, and go rest."/I don't ever want to drink again/I just, ooh, I just need a friend/I'm not going to spend ten weeks/And have everyone think I'm on the mend/It's not just my pride/It's just 'til these tears have dried.

 

De facto, a vida não corre como um argumento do cinema americano de grande audiência. Assim, as coisas nem sempre acabam bem. Isto deixa uma pessoa indignada. A esperança vendida por Hollywood é um logro. Eu não queria. Pensei que apesar da estúpida declaração de intenções que escreveu (“pró rehab é que eu não vou”), não podendo, Amy podia mudar de ideias. Sou infantil e acho que ela não tinha o direito de nos fazer isto. Que era obrigada. Como se dependesse dela. Como se fosse obrigada a ter a força necessária. Quem tem um dom é especial. E não é só para cantar e compor.Tem de ser para tudo.

 

Sinto a baba a escorregar pelo canto da boca por causa da chupeta que não largo. Vou pensando que as pessoas que têm em si muito para dar aos outros deviam estar impedidas de morrer. Pelo menos não antes de darem tudo o que tinham para dar. Podia ser Deus a instituir esta proibição. Sim. Isto parece uma espécie de nazismo do kindergarden. Não sei. Sei que as crianças tendem a nutrir este tipo de sentimentos.

 

Em Outubro do ano passado escrevi sobre a soul music e o R&B, o campo de Winehouse. Dizia então o seguinte: “Entre ontem e hoje, ouvi cada música dos 5 cds [de uma coletânea chamda Soul Train]. Em conclusão, nunca mais perco esta minha mania de recorrentemente recorrer ao autoflagelo... Tantos rugidos a cheirar a álcool e metais revoltados a abrir, destruiram quase irremediavelmente o meu sistema nervoso. Acrescento ainda que o melhor que a Tina Turner fez na vida foi separar-se do Ike. Portanto, ainda bem que o homem lhe batia. Para a motivar a dar o passo decisivo, quero dizer.” (http://ogatogaga.blogs.sapo.pt/52306.html). Mas antes disso, noutro post, dizia que “Ela [Amy Winehouse] é mesmo talentosa. O disco dela é verdadeiramente genial. Os prémios que ganhou foram efectivamente merecidos. Compro o próximo, se ela não morrer antes de o fazer. Vê-la ao vivo está fora de questão porque ninguém pode garantir que ela apareça ou, aparecendo, que faça o que lhe compete. Fazer o que lhe compete, passa, em primeira linha, por não deprimir e assustar as pessoas.”  Acrescentei ainda: “E estou preocupada com ela. E REAB é uma boa ideia. Desde o inicio que se viu logo que era.” (http://ogatogaga.blogs.sapo.pt/26520.html).

 

A primeira vez que ouvi a música estava distraída a conduzir. Rehab. “Olha, este soul esgalhado não é esgalhado do género cacofónico. Acho que vou abrir uma excepção. Dado que a cabeça não me dói. Tiraram o ruído lateral. Assim sabe bem. Sabe ótimo.” Depois  pensei melhor. “Tiraram o ruído lateral? No no no. Não tiraram nada. A música é de agora. Mas… é de agora ou é uma versão actual de uma antiga que eu nunca tinha ouvido? Bem… é excelente. E esta voz… é um tipo, certo? Um tipo negro. Extraordinária voz. Perfeitamente integrada na música produzida pela feliz conjugação do som de todos os instrumentos utilizados.”.

 

Mais tarde venho a saber que se tratava de um original criado e interpretado por uma rapariga inglesa. Ia com uma namorada da altura ao lado. Mais uma vez no carro. Disse-lhe: “Ouve bem esta música. É genial. Não é menos do que isso. Genial!” Observo uns olhos esbugalhados e uma expressão vazia. “Não achas?” Os olhos eram esbugalhados. Não estavam. Era mesmo feitio. Senti-me impelida a insistir. Assim como quem quer trazer alguém para a luz. Espírito de missão, portanto. “Isto é um trabalho incrível. É uma mulher que está a cantar. E foi ela quem escreveu. A tipa conseguiu recrear o soul. Modernizou-o sem lhe tirar a essência. Não é retro. É uma originalidade. Uma recreação que é uma criação… Não estás a ver a importância disto?”. Não. Não estava. Desisti.

 

Posteriormente ainda tive de a aturar a fazer comparações com a Joss Tone no dia do Rock in Rio. A Joss Tone portou-se muito bem. E Amy foi o descalabro que se sabe. Mas o que é que uma coisa tem a ver com a outra? Bom, a raiz do country e da soul. Creio que lá muito para trás têm um pezinho em comum. Mas é só. De qualquer modo, aquela namorada nem isso sabia. E assim se começam os processos. Aqueles em que as namoradas começam a transformar-se em ex-namoradas. Mesmo quando ainda não está nada decidido.

 

Estava cheia de saudades da Amy Winehouse. Não percebo como foi ela fazer uma coisa destas. Ainda de chupeta na boca. Eu.

 

 

 

ONLY FOR MAHLER LOVERS


Cat2007

22.01.11

Pois o título diz tudo. Não vale a pena abrir, se não é o caso de partilhar deste amor. Nunca abrir a porta a elementos potencialmente enervantes. Este é o meu lema. Mas não é o meu caso neste caso.

  

  

 

NATÁLIA DE ANDRADE DOC


Cat2007

17.01.11

  

natalia

 No jornal Público de 29 de Junho de 2010 foi feita uma espécie de biografia de Natália de Andrade(http://www.publico.pt/Sociedade/natalia-de-andrade-a-cantora-iludida-que-pensava-ser-diva_1444383?all=1).

 

Mas na verdade fiquei mesmo presa numa declaração da própria feita numa entrevista cujo excerto está publicado em http://nataliadeandrade.com.sapo.pt/entrevista/entrevista.html “Depois da minha mãe, eu sou a maior cantora lírica do mundo. Callas? Quais Callas, quais carapuça!”. Eis o segredo que fundamenta o fenómeno. A fórmula: paixão, crer e não querer saber. Creio.

  

Observe-se a "Quais Callas, quais carapuça!" a cantar a Habanera da Carmen de Bizet. É outro mundo dentro do mundo. Não o mundo de Natália, que é de um mundo claramente fora do mundo concebível.

 

 

 

 

Na verdade, a primeira vez que ouvi Natália foi numa discoteca. Uma discoteca com onda, segundo os conceitos gerais. A música estava tum-tum-tum/gbum-gbum-gbum/tum-tum-tum.

  

 

 

De repente o DJ muda tudo. Desliga as luzes. E mete alternativa a abrir: Natália de Andrade. Nem mais nem menos.

 

 

 

 

Tudo parado. Tudo a olhar em volta. E finalmente para cima. Quando as coisas nos ultrapassam tendemos a olhar para o ar à procura de uma explicação.

 

Fiquei a ver os ferros e os cabos e as lâmpadas do tecto. Enquanto a voz me penetrava o cérebro receptivo graças à vodka. As primeiras apresentações resultam sempre melhor sobre pessoas relaxadas. O álcool é um excelente relaxante.

 

Como sabemos, as perguntas que dirigimos para o céu raramente têm resposta. Porque a maior parte das soluções possíveis estão no ponto da sua origem. Na terra e em nós.

 

No termo do efeito surpresa, fiz então o que me mandava o bom senso. Baixei a cabeça e olhei para dentro. Senti-me a gostar muito do que se estava a passar.

 

Natália de Andrade escandalizava-me. Cantava Verdi. Na magnífica voz que tinha para cantar como cantava. No som do disco adivinhava-se a expressão, os gestos, a entrega. Ela. Absolutamente única. Portanto inimitável.

 

Creio que não é difícil ficar preso ao fascínio de uma raridade. A raridade da "voz de cristal portuguesa", como a própria informava.

 

 

 

 

Bravo! Bravo! Bravo!

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