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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

UMA RESOLUÇÃO DE ANO NOVO


Cat2007

01.01.22

 

Contagem Regressiva Para Meia-noite De 2022 Foto de Stock - Imagem de xmas,  dourado: 229567876

 

Dá ideia de que esta coisa de “partir” a vida por anos torna tudo mais fácil, na medida em que renovamos as nossas esperanças a cada início, como se o calendário tivesse poderes mágicos. Pessoalmente, não acredito nisso. Simplesmente porque não é verdade. A grande maioria dos factos instalados na nossa vida em 2021, e que também decorrem dos anos anteriores, vão continuar a ter as suas consequências em 2022, boas ou más, consoante os casos. E 2022 não tem culpa nenhuma disso. O dia 1 de janeiro é somente aquele que se segue ao dia 31 de dezembro.

Claramente, algumas coisas vão mudar, para melhor ou para pior, dentro deste novo ano. Mas isso é porque, no continuum da vida as coisas mudam sempre. Na verdade, porque nós fazemos, voluntaria ou involuntariamente, para que mudem ou, então, acontece a mudança por força das circunstâncias ou de acasos.

Não obstante, é bom renovarmos as nossas esperanças sobre os dias melhores que virão. E se o dia 1 de janeiro, por ser dia 1 de janeiro, nos motiva para tanto, vamos aproveitar os benefícios que uma certa atitude positiva e a inerente disposição para a proatividade nos podem aportar. Porque, enfim, além do mais, é fundamental dar algumas tréguas ao cansaço.

Devo dizer que hoje, dia 1 de janeiro de 2022, acordei com uma certa impressão de que estou infetada com a variante Ómicron. Não é por nada de especial, mas porque os números da COVID-19 são de tal maneira assustadores, que uma pessoa mal escapa a um certo estado de paranoia.

Assim, partindo desta ideia de que estou paranoica, e uma vez que é necessário preservar a saúde mental, vou procurar pensar que, na verdade, não estou infetada e dar o meu melhor para continuar a viver não decentemente, como a maior parte das pessoas tem feito desde que a pandemia se instalou. Trata-se de uma resolução para o Ano Novo.  

 

 

DESÉTICA


Cat2007

23.11.21

 

Aristóteles - Biografia, filosofia, obras e frases - netmundi.org

Aristóteles 

Pois bem, volto à “vaca fria”. Terminada “às três pancadas” a minha psicoterapia de dez anos pensei que talvez pudesse ressentir-me. Por isso resolvi procurar um psiquiatra. Só para ponto da situação. E jamais querendo voltar a “casar”. Desejava somente um plano da situação. Um enquadramento. Talvez: “Olhe, vai sofrer um bocadinho, mas nada de muito grave lhe acontecerá”.

Esperava ouvir este statement  de um profissional habilitado. Para ficar descansada e ir à minha vida em paz e liberdade. Largar as “bengalas”. Que usava como se não pudesse andar muito bem, e não era verdade. Na verdade, há muito tempo que sabia que não precisava destas bengalas, mas, por esta ou aquela razão, talvez principalmente por preguiça, não me desfazia delas.

Bem, comecei logo por estranhar o facto de não me ser perguntado o que se passava exatamente comigo e como me sentia, pelo que mal pude expor a situação. No entanto, o homem entrou logo a dizer que eu poderia ter some issues do foro mental. Feita parva, fiquei um bocadinho assustada. Mas, no entanto, se ele não me ouvia, não me questionava, como poderia estar a fazer diagnósticos?

Comecei a sentir que poderia estar em frente a uma espécie de vidente. De maneira que preguntei com simplicidade como podia ele tirar tais conclusões sem saber nada de mim. Deu-me a entender que tinha “olho”. Era muita experiência, muita competência! Fiquei a pensar que também tenho muita experiência e competência no meu trabalho, mas que não consigo dar um parecer de jeito sem ir estudar o assunto. Além de que, sem dados, não é possível fazer coisa nenhuma. Mas não lhe disse destes meus pensamentos. Até porque começava a desconfiar dele e ele, por seu turno, não me deixava falar.

Depois de o estar a aturar com as descrições de algumas das diversas viagens que adorou fazer, das suas habilitações e cargos profissionais, das casas no estrangeiro, e sobretudo, após observar o gesto de bater no peito e afirmar “eu sou psicoterapeuta”, conclui que que estava em face de um verdadeiro vendedor. Sem o dizer diretamente, acalentava a esperança de fazer-me psicoterapia no seu consultório das Torres de Lisboa. Pois. Confidenciei-lhe que, não voltaria a fazer terapia nenhuma, mas que, caso, entretanto, sentisse uma séria pulsão de assassinar alguém, por exemplo, poderia voltar lá ao consultório.

Há pessoas que são tremendas! O mundo é o seu mundo. Falam de si próprias. Para se ouvir, por um lado, e, por outro, para vender o seu produto. Seja ele qual for. Há pessoas que estão sempre a querer vender-se e nunca a dar-se. E pouco importa o interesse real do potencial comprador. Há pessoas que estão sempre no registo das vendas pela TV. Produtos únicos, inovadores e muito úteis ou supostamente muito belos e valiosos por um especial preço, que pode, caso seja necessário, ser pago em suaves prestações mensais, e, se telefonar nos próximos 5 minutos, ainda leva grátis um cachecol da seleção nacional de futebol ou uns bonitos óculos de aviador que já não se usam.

 

A INCOMPETÊNCIA NAS RELAÇÕES DE AFETO


Cat2007

21.11.21

Nem sempre eu acerto: como estragar um bolo. Várias dicas :( – BLOG  utensílios

 

O que sentir, e depois pensar, quando uma pessoa que gosta de nós nos faz mal sem querer? Isto sucedeu-me. Confiei. Sai prejudicada. E agora tenho de arcar com as consequências e, naturalmente, resolver os problemas que me deixaram. Que não têm solução fácil. Ao que acresce uma certa confusão de sentimentos.

Uma vez que não estou para ficar a sentir-me pior, decido que não me dá jeito começar a empreender no facto de que talvez aquela pessoa determinada, conscientemente, não gostasse tanto assim de mim. É que não me dou bem com este tipo de desilusões. Aquelas que têm a ver com a confiança nos afetos. Embora esteja um bocadinho desconfiada. O que procuro contrariar, querendo crer que não foi falta de interesse por débito de afeto. Antes, prefiro pensar que foi certamente  incompetência.

Mas digo isto, falo de incompetência afetiva, como se fosse uma coisa menor. Ora, a incompetência nas relações tem na essência uma falta de reciprocidade nos afetos. O que magoa na mesma. Mas  é menos mau se não for consciente. Se não for por mal. Se for apenas o resultado de alguma falta de sensibilidade e de inteligência.

Como é evidente, no plano afetivo, é muito importante ser-se competente. Na área das emoções, está em causa o índice de felicidade do consumidor, o qual, ao contrário dos preços dos bens e serviços, se pretende elevado.

O certo é que, quando uma pessoa que gosta de nós sinceramente (afinal no máximo da medida do que sabe e pode) nos prejudica a sério, temos de deixar passar. Não vale a pena imaginar que as pessoas poderiam esforçar-se mais. A partir de um determinado nível de esforço, a incompetência é, por definição, a incapacidade de fazer melhor. Por isso, a única coisa a fazer é ir em paz. Virar costas, sem pedir contas e não ficar desiludido.

Resta acrescentar que, eu cá, mesmo com a receita à frente, sou péssima a fazer bolos, por exemplo.

 

PSICOTERAPEUTAS: AS MARY POPPINS DAS NOSSAS EMOÇÕES


Cat2007

20.11.21

How Julie Andrews Shot to Stardom in 'Mary Poppins,' Her First Film -  Variety

Vejamos, este espaço não tem as funções de um Diário que eu nunca tive. Sempre me pareceu um tanto inócuo falar, confessar, explodir ou sei lá que mais para uma espécie de natureza morta. Que ainda por cima é, por definição, secreta. No que diz respeito às emoções, eu preciso de rebounds. Portanto, aqui só pretendo refletir um bocadinho sobre temas que me passam pela cabeça, gostando de pensar que há quem leia e se identifique com isto ou com aquilo. E mesmo que não haja, estas reflexões organizam-me as ideias. E assim vale a pena. Para desabafos (e não apenas) tenho o sofá da terapeuta.

Bem, sucede que agora, mais precisamente desde junho passado, já nem tenho. Ela retirou-se. Por estar muito doente. Ao fim de dez anos, saiu sem me dizer isso. Que estava doente. Com cancro. Apenas que tinha de se retirar. Foi por telefone. E rápido. Fui averiguar junto da secretária. De facto, é cancro. Não compreendi porque não me disse. Se a relação estava terminada.

Talvez me quisesse poupar. A minha mãe morreu de cancro. Talvez ela achasse que poderia dar-se um pequeno assomo do desgosto profundo e do trauma que isso me causou. Mas também, é certo que ela não contava nada de si. Era o seu método de trabalho. Eventualmente, mais do que isso. Eventualmente, é alguém radicalmente reservado. Sinto-me muito triste com este sucedido. Com a doença, evidentemente.

Estes médicos não são médicos. São um híbrido. Não é que sejam família, não é que sejam amigos, não é que se veja claramente que são médicos. São espíritos prontos a ocupar qualquer lugar que esteja vazio nas emoções da nossa vida. Quer dizer, são família, amigos e visivelmente médicos. São existências que habitam um plano de vigia sobre as nossas emoções. São as Mary Poppins dos nossos sentimentos. E assim uma pessoa aprende a confiar neles e depois sente afeto. Tenho, portanto, saudades dela. E guardo uma secreta esperança de que tudo se componha. Que a saúde volte. Deus é que sabe.

Não obstante, por outro lado, no plano do que melhor servirá para a minha vida, tenho de dizer que foi positivo ter acabado. Vivia demasiado protegida. Como se me atirasse para as piscinas não aquecidas sempre com um fato de surf vestido. Além disso, por outro lado, os meus amigos deixaram de me ouvir. Porque eu deixei de contar o que quer que fosse. Não sentia necessidade. Os meus rolos emocionais estiveram sempre guardados para aquele sofá daquele consultório. Onde eram resolvidos. E, por isso, na vida real, passei a ser uma personalidade bastante equilibrada e bem disposta. Enfim, os meus filmes, como os do Woody Allen, guardada a evidente diferença da natureza das coisas, passaram a ter cada vez menos graça.

EM CIMA DO MURO


Cat2007

01.11.21

Um gato em cima do muro. ::

 

Em certa conversa com uma brasileira, foi-me dito que “você está ficando em cima do muro”. E eu, sem ter feito grande esforço para apreender corretamente o sentido daquela expressão nada utilizada em Portugal, e armada em engraçada, disse que, não tendo vertigens, também não via razão para andar em cima de muros e que, além do mais, tinha um gato que o fazia, parecendo bastante feliz com o facto. No entanto, fiquei a pensar no assunto. Na imagem. Uma excelente imagem. Certeira. “Ficar em cima  do muro” significa não ser capaz de saltar para um lado ou para o outro, sonhando, ao mesmo tempo, estar nos dois lados, ou, eventualmente, em lado nenhum.  Nestas circunstâncias, as pessoas comuns estão apenas momentaneamente “em cima do muro”. Mas só até tomar uma decisão em tempo útil. E as pessoas incomuns são canalhas à espera de ficar com “o melhor dos dois mundos” (que não existe), sem nada decidir, mas esperando que os outros o façam, sendo esta também uma boa maneira de sacudir a culpa pelos males causados. É isto que significa “ficar em  cima do muro”.  

 

O QUE SERÁ QUE SERÁ QUE ANDAM COMBINANDO NO BREU DAS TOCAS?


Cat2007

27.10.21

Orçamento do Estado 2022: votação final global agendada para 25 de novembro  - SIC Notícias

 

Num dia em que estamos todos a ver se a proposta de Orçamento do Estado acorda ou não do coma para onde a atiraram as intenções dos partidos da oposição, eu estou para aqui a ouvir Chopin misturado com Chico Buarque, entre outros. Isto já depois de ter despachado grande parte do trabalho que tinha de apresentar hoje. Assisti, nos últimos dias, aos variados (mas não muito variados) painéis televisivos sobre o tema, tendo percebido que todos os partidos da oposição querem o chumbo do OE, mas, no entanto, ninguém quer que chumbe. É que as posteriores eventuais consequências que dai podem advir para todos – com exceção do Chega, parece-me – são mais ou menos imprevisíveis. “O que será que será que andam combinando no breu das tocas?”, canta o Chico. E é precisamente por causa destas combinações opacas que  não estou com paciência para ir assistir ao debate parlamentar. Apenas espero com alguma ansiedade que aprovem o documento. Não estou para convulsões. De resto, está a tocar agora as “Mulheres de Atenas”. Basicamente servas dos seus maridos. É uma boa música, uma boa letra sobre a condição da mulher que, com esta ou aquela diferença, se vai perpetuando. No mais pergunto-me quantas gravatas estão presentes hoje na Assembleia da República, bem sabendo que são muitas, demais. Entretanto, vão surgindo notificações sobre o debate orçamental. Parece que o Rio, que não o Tejo, disse que o Orçamento é uma “lista de mercearia”. Uma lista de compras? Não percebo. Adiante. Agora toca uma música sobre pessoas que compram tudo fiado, preferindo gastar o seu próprio dinheiro no “bicheiro” e que se sentem muito bem com isso. O João Leão acabou de dizer que é essencial aprovar o OE para dar “execução ao PRR”, aos projetos a financiar com o dinheiro da Europa, pois. Por seu turno, o Chico diz que “todo o dia ela faz tudo sempre igual”. Enfim, tudo visto, creio que o Orçamento do Estado para 2022 vai ser aprovado, apesar de que é possível que não o seja.

 

A "VACA FRIA": AUTOESTIMA


Cat2007

02.10.21

VOLTANDO À VACA FRIA... - VÍRUS DA ARTE & CIA.

Voltando à “vaca fria”. A autoestima. Já escrevi algumas coisas sobre este tema. Porém, acabo a  confessar que não tenho uma ideia muito sólida sobre o conceito e o significado. Assim vou escrever. A ver se surge alguma ideia aproveitável. Só para ver.

Lembro-me de ser pequena e pensar que não queria ser outra pessoa que não eu própria. Outra pessoa mais rica ou mais bonita, por exemplo. Se fosse para deixar de ter a cara que tenho. Se fosse para deixar de pensar o mundo como eu o vejo. Se fosse para deixar de sentir a vida como sinto. Não queria. Isto acontecia-me, estes pensamentos, quando, precisamente, aparecia uma menina da minha idade aparentemente mais bem colocada em relação a um contexto comum. Que era aquele em que me encontrava confrontada com ela. Creio, então, que tenho autoestima. Pois se não quero ser outra pessoa por ter pena de perder a pessoa que sou…

Na verdade, por outro lado, há muitas coisas que eu queria, mas não possuo. E, a este propósito, adiantaria que gostava de ter uma alma melhor. Ser melhor pessoa, portanto. Not that I consider myself as an evil person. Não é isso. Mas acho que podemos sempre ser melhores. Mais solidários. Mais generosos. Gostava de ter aquela espécie de grandiosidade própria das pessoas sinceramente humildes e viradas para fora de si mesmas. Igualmente, queria ser bem comportada quando não me porto bem. Na medida em que podia ser menos egoísta. Menos orgulhosa. E menos competitiva. Mais compreensiva. E, portanto, menos passivo-agressiva. Há, pois, diversas coisas em mim de que, factualmente, não gosto. Mas significa isto que não tenho autoestima? Não pode ser. Porque não há gente perfeita, como é sabido.

Antes pelo contrário, a autoestima nada tem a ver com os nossos defeitos e qualidades enquanto realidades pensadas do ponto de vista pessoal. A autoestima é um certo tipo de noção interiorizada, marcada, de que temos mérito suficiente para sermos amados.

E assim sendo, termino a dizer, porque me ocorreu agora, que percebo mal e antipatizo com as pessoas que amam quem não as ama de volta. Ou seja, a falta de autoestima. Claro que podia ser mais compreensiva. Mas tenho este defeito de não o ser muito, como referi.  

 

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