Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

NICE PEOPLE


Cat2007

21.05.20

Sorriso desenho png 2 » PNG Image

 

Há pessoas de quem naturalmente se gosta porque, na maior parte do tempo, são very nice. Isto é, enquanto não se sentem, por exemplo, pressionadas. Quando não há risco de os seus interesses ou imagem (que pretendem quase perfeita, como se alguém se importasse com isso) serem diretamente postos em causa ou estejam em jogo num âmbito de um jogo qualquer real ou imaginado. É muito fácil to be nice enquanto, num dia bonito de sol, se toma qualquer coisa numa esplanada agradável ou, pronto, quando apenas não há problemas reais ou outros à espreita, estejamos onde estivermos. Mas, como sabemos, a verdade das pessoas, a capacidade que têm em confiar em que escolheram confiar, a respetiva fibra, só aparece quando surgem dificuldades, quando há o risco de se “queimarem filmes”. Nestas circunstâncias muitas pessoas  nice aparecem do seu lado contrário. Basicamente, de boca franzida, cheias de medo e a desconfiar de tudo e todos. É aqui que pessoas que são de confiança aparecem com um sorriso calmo. E no fim, como sempre, tudo se resolve. Ontem, por exemplo, estive ocupada mais de 10 horas seguidas. Não sei se fui clara.  

 

A ESTUPIDEZ QUE MAGOA


Cat2007

24.04.20

O padrão normal (e principal) que nos guia na identificação de idosos é a idade. A idade é achada através de uma operação matemática que envolve o ano do nascimento e o ano atual. Porém, na verdade, a idade de cada pessoa é o que a maior parte das outras entende que é. De maneira que, ao que consta, e independentemente do aspeto que possa ter e das “habilidades” que faça, depois de ultrapassar os 70, um individuo torna-se idoso.

Ora, em meu entender, a palavra idoso é absolutamente detestável, apesar das boas (?) intenções supostas. Um dia, se tudo correr dentro da normalidade, vamos ter mais de 70 anos. Haveremos de ser idosos. E como vamos odiar saber isso! Um idoso é um individuo de muita idade. Muita idade! Não com muitos anos de vida, como se canta nos "parabéns a você", note-se. Idade demais, pois. Demais. Porquê? Para quê? Talvez para estar vivo. Artroses demais. Comprimidos demais. Despesa social demais. Demasiada tristeza. Porque ser idoso é ser doente. Então, todos os doentes são idosos. Todos os inúteis são idosos. Porque todos os idosos são inúteis.

Realmente as generalizações sociais são decisões mentais, na generalidade, estúpidas. De um género de estupidez que magoa, faz mal. Esquecem sempre os ângulos concretos da vida. Tenho a certeza de que a grande maioria das pessoas incluídas no escalão etário dos idosos, não o são. Doentes, inúteis ou pobres de espírito. E, ainda que sejam tudo isto, ainda que vivam estas situações, não são idosos. São apenas doentes, inúteis ou pobres de espírito. Embora eu não acredite em pessoas assim. Só, talvez, em doentes. Nunca em pessoas a mais. Com que direito nós declaramos que certas pessoas têm idade demais?

A QUESTÃO DO FEITIO


Cat2007

16.04.20

Pattern: Tom Ford Blazer | Jacket Idea | Padrões de pano, Padrão ...

 

A alma é a energia, a vida. O espírito é a personalidade em potência. A personalidade é o modo de agir sustentado num certo conjunto de princípios que condicionam uma série de regras de conduta, as quais são também determinadas por audácias e temores, podendo existir uma personalidade vincadamente boa ou, por outro lado, o que se costuma designar por mau caráter, em virtude da ausência de alguns daqueles (bons) princípios. Dito isto, resta-me saber o que é o feitio. Nos blazers o feitio é a forma essencial. Nas pessoas não. Isso é o espírito, como disse. Não. Não sei mesmo o que é o feitio. Só sei que ouço falar dele. Do bom e do mau. E tem bom feitio todo o ser que, por exemplo, é permissivo e “deixa que lhe passem por cima” e tem mau feitio aquele que em bom português das telenovelas brasileiras “não leva desaforo para casa”, por exemplo também. De facto, não sei. Não sei onde começaria o feitio e acabaria o caráter, a personalidade. O bom caráter não se identificaria necessariamente com o bom feitio. Assim como o mau feitio não representaria um mau caráter. E digo isto reafirmando que não sei muito bem o que é o feitio. Porque, veja-se que, dependendo dos nervos e do nível de stress, os comportamentos alteram-se em situações perfeitamente idênticas. Já para não falar de comportamentos diferenciados em função da pessoa-recetor. De maneira que talvez isso do feitio não seja mais do que uma perfeita invenção.

 

UNIVERSOS PARALELOS


Cat2007

03.02.20

Resultado de imagem para universos paralelos"

 

Tenho dificuldades de concentração. Sobretudo quando não estou a perceber o que me vão dizendo ou, pelo menos, interessar-me por isso. Aqui ao lado, surgem sempre conversas que me parecem provenientes de um universo paralelo não desconhecido, mas materialmente distante, graças a Deus! Creio compreender que quem vai falando se acha interessante. Porque conta as coisas em detalhe, imaginando também que cria momentos de suspense na narrativa. Muitas vezes dirigem-me a palavra para ver o que é que eu acho. E eu olho e sorrio para ser simpática. Porém, acabo por me abstrair, voltando ao meu teclado quase sem dar por isso. Creio que, deste modo, por eu agir deste modo, não gostam muito de mim. O que não me maça muito. É preferível assim.  

 

PENSAR


Cat2007

09.08.19

Imagem relacionada

 

PENSAR é sair para sintetizar a realidade (que é, como sabemos, complexa), a qual nos invade através dos cinco sentidos. Trata-se de um processo de reequilíbrio permanente entre o ser e o (resto do) mundo, portanto. Uma vez cumprido este desiderato (reequilibrarmo-nos), é fundamental regressar. Porque faz mal pensar demais. E demais situa-se para lá do que é possível construir com jeito e que tem a necessária utilidade para nós perante a vida.

 

O HÁBITO FAZ O MONGE


Cat2007

31.07.19

Resultado de imagem para hábito de monge

 

O hábito faz o monge na medida em que o convencimento, a convicção, é muito importante para o desempenho de determinados papeis. Estamos, pois, no campo do parecer sem ser. No âmbito das representações. Há pessoas que passam a vida a representar e isso faz com que se sintam profundamente (na medida da profundidade que é possível) gratificadas com os papeis que vão desempenhando. Assim, por exemplo, são os incompetentes. Com efeito, há gente não capaz que assume tarefas que jamais poderá executar devidamente. Bem o sabendo. Quando se atribui um pouco de poder a pessoas assim, levantam-se imediatamente cortinas de fumo que servem para esconder os contextos altamente desorganizados que se criam e, logo por isso, extremamente complexos. Assim se explica o desentendimento que nós temos relativamente a muitos (maus) sistemas que integram o contexto mais vasto que engloba todas as coisas. E que, por isso, vai apodrecendo.  Enfim, o hábito faz o monge porque, ao que parece, hoje em dia, o que conta, em certos (muitos) sistemas, é o que parece.

 

SABER VIVER


Cat2007

26.10.17

 

Resultado de imagem para esperto

Por vezes ouço dizer que A ou B “sabe viver” e que por isso a respetiva vida é boa. Confesso que não entendo a expressão. Eu que não tenho paciência para fazer “amizades” por conveniência. Que, com jeitinho, não sei como levar “a água ao meu moinho”. Até porque tenho uma consciência que, felizmente, raramente me atormenta.

 

De facto, eu não sei o que quer dizer “saber viver”. Mas, mesmo não sabendo, tenho a impressão de que é preciso uma pessoa estar formatada para o efeito. Na verdade, ser dona de um determinado feitio, de uma certa forma de ser.

 

Há umas semanas estive num almoço de “englobalização”. E, numa perspetiva de englobalizar, eu devia ter sido encantadora e cativante. Mas eu, antes pelo contrário, meti a cabeça no prato e pus-me atentamente a comer. Porque os assuntos “puxados” para a conversa enchiam-me de tédio. E eu sem sal não consigo ingerir. Por seu turno, a comida estava bem temperada. Daí a opção.

 

O SENTIDO DA VIDA


Cat2007

13.03.17

Resultado de imagem
 
 

Estava a pensar no sentido da vida. E, claro, ocorreu-me o filme: The meaning of life dos Monty Python. Basicamente este filme diz-nos que não existe um sentido para a vida. O que existe são objetivos de vida. E que são dois: procriar e ganhar.

 

Não existe Deus. Só o Big Bang. As pessoas nascem e morrem sem pedir. Assim, pelo meio, têm de viver. Viver é, portanto, uma imposição. Deste modo, não se concebe que as pessoas comecem por gostar de viver. Assim seria de pensar que, logo que ganhassem uma consciência, as pessoas poderiam suicidar-se em massa. Sucede que cada um nasce com aquilo que é designado por instinto de sobrevivência, pelo que estão impedidas de fazer uma coisa destas. E é também o mesmo instinto que lhes ordena que procriem. Procriar é um processo que tem como fim último eternizar os genes.

 

As pessoas sabem que, salvo qualquer incidente inusitado, têm que estar por aqui por muitos e bons anos, pois. E aqui não é um lugar fácil de estar. Porque existem outras pessoas e os recursos são escassos. Portanto, a vida concretiza-se no travar de num conjunto de batalhas sucessivas em busca das coisas que os outros também querem. Daí dizer-se que a vida é uma luta. Morrer e nascer custa a todos. Mas viver ainda é o pior e muito mais difícil para quem tem menos recursos. Porque está sempre metido em lutas desiguais e com os acessos cortados.

 

Enfim, lembrei-me deste filme porque estava para alugar no videoclube da televisão.

 

NÓS E OS OUTROS


Cat2007

05.11.16

 

Somos todos muito bons. Mas tão estúpidos que costumamos secretamente “comparar o nosso interior com o exterior dos outros”. As aspas aqui indicam obviamente que não estou a dizer coisas originais. Foi um amigo que falou nisto no outro dia. Trocávamos ideias sobre autoestima. “Pois, eu visito aqueles sites porno. E às vezes fico lá horas”, dizia ele. E eu: “ o que tem isso?”. E ele: “Sinto-me mal. O vício, sabes?” E eu: “Não vejo onde está o problema. Qualquer um se vicia numa coisa dessas. Por definição é assim”. E ele: “Mas há tipos, amigos meus, que lá vão e não ficam tão obcecados.” E eu: “Quem te disse?”. E ele ficou calado. Acrescentei então: “Esses gajos não te contam o que tu me estás a contar agora. Talvez se sintam tão mal ou pior do que tu. Mas como se riem quando falam do caso, imaginas que estão cool. Tu também lhes deves parecer cool. Porque não lhes dizes como te sentes. Também te ris para eles, claro”. E foi aqui que ele soltou a frase. “Pois. Comparamos sempre o nosso interior com o exterior dos outros”. Ora nem mais. Somos tão bons que mostramos o nosso exterior no nosso melhor. Que é para ver se os outros se sentem menos do que nós quando secretamente o comparam com o interior deles. Assim, podemos fingir todos que somos todos muito bons.

 

O processo descrito cansa-me. Estou farta de pessoas impecáveis e bem sucedidas. Como eu. Eu significa toda a gente. Gente que sabe sempre o que diz e faz, dizendo e fazendo sempre as coisas mais acertadas. Cansa-me o brilhantismo e a pertinência. Estou saturada de feitos cheios de qualidade e bom senso.

 

Por outro lado, fico impressionada com a crítica. Enquanto críticos, somos todos muito exigentes. Isto é porque fingimos que somos todos muito bons. A crítica finge que aspira à excelência. Como se fosse um motor para a melhoria das coisas. Porém, no que se repara é que a critica só serve para contrariar. As pessoas e os factos que nos contrariam.

 

Todos somos pessoas banais. E isto é muito bom. Só é má a parte em que não se aceita este facto. Por vezes fazemos coisas boas, mais ou menos ou excelentes. Por vezes temos mérito, pouco mérito, muito mérito ou mérito nenhum. Por vezes estamos cansados e só queremos ir para casa. A genialidade anda sempre acompanhada da estupidez pura. Por outro lado, a estupidez pura às vezes tem rasgos de génio. E isto  serve para qualquer um de nós, que temos mais probabilidades de fazer coisas estúpidas do que brilhantes e que, em geral, somos apenas produtores banais. Acredito na excelência dentro de cada um de nós. Se não andarmos a fugir da nossa autenticidade, ela acabará por surgir aqui e ali. Nem sempre estúpidos. Nem sempre excelentes. Nem sempre banais. Mas nunca melhores do que os outros em termos globais. Por muito que uma verdade destas doa a alguns, muitos, de nós.

 

Acresce que estamos sempre a qualificar e a agrupar as coisas e os factos em conjuntos e grupos. Quem não cabe num é metido ou mete-se noutro. Quem não encaixa em nenhum é metido no grupo que está contra ou é desqualificado por não ser suficientemente mau e vai para este grupo.

 

Há pessoas desonestas que por vezes não o são. Há pessoas honestas que roubam no supermercado. Fico contente com as duas coisas. Nem todas as piadas saiem bem. Nem todos os discursos são perfeitos. Há textos vazios. Cometem-se erros graves com influência nos destinos nacionais. Há muitas coisas boas e más produzidas por todos nós. Mas sobretudo, não há ideologia nenhuma. Se as pessoas tiverem valores e fizerem o melhor que podem, já não é nada mau. E o cansaço afecta toda a gente. Porque é que não podemos simplesmente fazer merda e pronto? É que fazemos. Todos.

 

CORAGEM PARA ROUBAR


Cat2007

04.04.15

 

Roubar é um dos sete pecados mortais. E também é um crime previsto e punido no Código Penal. Portanto, uma pessoa por roubar pode ir para o inferno quando morrer e pode ser judicialmente condenada em vida. Era nisto que eu acreditava quando era miúda. Por isso não era capaz de roubar. Mas a dada altura quis. Por causa da emoção da coisa. Hoje já não acredito em infernos nos Céus e duvido muito do sistema judicial. Mas já não quero roubar. A minha consciência não passa por uma ida à polícia (era o Eça que dizia que "a consciência dos portugueses é uma ida à polícia"). É, pois, a minha consciência que me impede. Não tenho medo da polícia nem de Deus nesta mtéria Tenho medo de mim. Da minha estrutura de valores que me orienta no sentido  do que está certo e do que está errado.

 

Quando era miúda, para aí com uns 11 anos, vinha sempre da escola com uma colega que diariamente roubava uma laranja numa mercearia. E nunca se passava nada. Como era possível ela não ter medo de ir para o inferno? Ou se fosse apanhada, não tinha medo que chamassem os pais? Os pais para mim é que eram a polícia. Não. Ela não tinha medo de nada. Era calma e eficaz. Tipo Ricardo Salgado. Já eu, que não fazia nada, ficava ali nuns nervos. Mas todos os dias passávamos e todos os dias ela roubava. E, como disse, não acontecia nada. Por isso comecei a duvidar das minhas crenças. E passei a andar tentada. Até porque ela dava mais ou menos a entender que eu era um bocadinho cobarde.

 

Por fim, a tentação apoderou-se de mim. E roubei. Claro que fui imediatamente apanhada. Comecei a ouvir uns gritos. Desatei a correr. Larguei a laranja (portanto, foi uma tentativa de furto e  não um furto consumado). Comecei a chorar. Continuei a correr. Até que ficou tudo calmo. Menos eu. Eu estava a tremer. Quando a encontrei mais à frente, ela ia a comer a  laranja dela. E estava chateada comigo por eu não saber fazer as coisas. Na verdade, senti-me um verme por não ter resistido à tentação. Queria lá saber de como se faziam as coisas. Achei-a logo ali uma espécie de tarada.

 

Quando cheguei  a casa, fui rezar e chorar mais um bocadinho. Pedi perdão a Deus pelo que tinha feito e jurei que não voltava a roubar na vida. Esperei assim livrar-me do inferno. Foi um diálogo entre mim e a minha consciência que me fez ficar em paz comigo. Porque o inferno é aqui e eu tinha acabado de o experimentar. Claro que não fui contar nada aos meus pais. Também não me ia entregar assim à polícia. Desde aí nunca mais senti a tentação de roubar nada. É obvio que não tenho competência moral para isso. 

stats

What I Am

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.