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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

ABORRECIMENTO


Cat2007

30.05.19

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É interessante. O que é interessante? Falo das pessoas. Do meu ponto de vista, as pessoas interessantes são aquelas que conseguem despertar-me a atenção. Não falo do físico, naturalmente. Apesar de que tudo é sempre um conjunto. Não sei se peço muito. Ou se peço pouco. Não sei o que é muito ou pouco nesta matéria. Também não sei se não serei um bocadinho esquisita. É interessante uma ou duas frases com conteúdo improvável. No sentido de inesperado. Ou, então, inovador. Confesso que aborrece-me ouvir sobre o que já sei de todos os dias. Deste modo, andei a acompanhar religiosamente uma série sobre uma psicopata chique e bem-sucedida. Mas muito muito entediada. Vilanelle. Claro que é necessário ver para compreender o que quero dizer.

 

CORRIDAS DE TARTARUGAS


Cat2007

02.07.18

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No tédio parece que estamos numa solitária viagem de comboio por uma longíssima planície sem casas e poucas árvores semeadas. O ritmo do tédio, neste caso, é marcado por aquele barulho repetitivo que o comboio faz a andar. Quando o tédio é no sofá ou numa cadeira de, por exemplo, um escritório, o tédio não tem ritmo marcado de fora. É só incapaz de ser distraído ou embalado.

 

O tédio significa pensamentos lentos como tartarugas gigantes a tentar correr. O tédio deixa os membros pesados. O tédio não passa se não mudarmos de sítio. Desde que não seja de comboio. Senão não passa mesmo. O tédio tem a ver com a obrigação de estar parado e não poder fazer outras coisas para além de corridas de tartarugas se fôssemos tartarugas. E tudo isto dá muito sono.

 

Há diferentes níveis de tédio. Há aquele que não passa mesmo quando se muda de sítio e não se vai de comboio. Este é o mais pesado e lento de todos. O mais profundo. É que o tédio tem a ver com a existência de impedimentos no pensar e no agir. Tem a ver com a obrigação de estar e de fazer. Ou, o que é pior, de estar e não fazer.

 

Quando a liberdade é verdadeiramente sentida, nunca há tédio.

 

UM SONO DE MORTE


Cat2007

03.04.18

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O tédio surge quando nada acontece. Nada de novo, quero dizer. Tenho uma certa tendência para me entediar. O que é um handicap. De facto, não é suposto que aconteçam novidades por aí, se a rotina é a rotina. Assim, com o passar de algum tempo sobre as mesmas coisas, fico chateada.

 

Creio que há pessoas muito proactivas que estão sempre a inventar o que fazer para variar. Mas eu não sou assim. O meu departamento é mais do interior. Para mim as variações têm que se processar ao nível interno. Não é porque agora decido ir tomar um copo ao fim do dia com este ou aquele amigo que me torno numa pessoa mais satisfeita quando estou entediada. Quando os meus procedimentos internos estão invariáveis.

 

As novidades de que falo são, pois, estruturais. Quando me chega o tédio quero mudar a feição das coisas que faço. O mesmo é dizer que quero fazer outras coisas. Trata-se de uma alteração das matérias e dos contextos fundamentais.

 

Na verdade, não gosto de me propor a reinventar. Ou seja, detesto pegar na matéria entediante para lhe dar nova forma. Porque quando as alterações são apenas formais é natural que o mérito que as situações já não têm se imponha outra vez. Não gosto, assim, de reinventar porque, na verdade, as coisas não se transformam no âmbito destes procedimentos ilusórios. É que é tudo feito à conta de uma atitude pessoal que se altera e de acordo com a qual, ao invés de reinventar, se inventa apenas. Isto, no fundo, é como quando uma pessoa se arranja toda bonita e fica mais bem-disposta por causa disso. Já se sabe que depois passa quando a mudança é meramente exterior.

 

Isto que foi dito lembra o que se passa nas relações. Naquelas relações que já estão em penas e as pessoas, não se sabe bem porquê, não consideraram ainda a hipótese de se separar. Normalmente, se recebem conselhos, é-lhes dito para reinventarem a relação. Para fazerem fins-de semana românticos, etc. e outras baboseiras do género. Já me aconteceu isto. E o certo é que me dava um sono de morte quando chegava a hora H.

 

COISAS QUE ABORRECEM


Cat2007

26.06.17

 

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Não sei se é do tempo mas sinto-me especialmente entediada. Estou em plena jornada de trabalho. Pois então. Matérias chatas. Portanto, não é só do tempo, conclui-se. É por isso que neste momento escrevo. Só um bocadinho.

 

Uma vez fiz uns testes psicotécnicos. Uma das provas consistia em escrever um texto de já não sei quantas palavras sobre qualquer assunto à escolha. Escolhi escrever sobre o que me estava a acontecer naquele momento. Escrever um texto. É o que se está a passar agora (embora não esteja a ser testada). Por isso me lembrei.

 

Agora estou a lembrar-me também de que, há muitos anos, tive uma psicóloga que durou poucos meses (como minha psicóloga, está claro). A minha grande questão com ela era a tentação. Naquela altura, eu estava tentada a ir para a cama com uma determinada pessoa. Mas não devia porque tinha uma relação com outra. Eu. Eu tinha uma relação com uma pessoa de quem gostava a sério. Mas acabei por ceder à tentação. O que me trouxe consequências muito desagradáveis.

 

Enfim, mas o que me está a acontecer neste preciso instante é, além do tédio, sono. Quem me dera estar esticada no sofá com a televisão a fazer barulho de fundo e o cão aos pés. Isso é que era.

 

Olha-se para o que atrás está escrito e pode pensar-se que não fiz nada hoje. Mas não é verdade, fartei-me de trabalhar. Cheia de tédio e de sono, trabalhei rapidíssimo e em série. Uma pessoa tem pressa em se livrar das coisas que aborrecem.

 

HÁ POUCO FUI FUMAR UM CIGARRO


Cat2007

06.06.16

Há pouco fui fumar um cigarro. E dei-me conta de que o tempo está perfeito. Era bom que não houvesse nada para fazer. E poder sair para junto do mar e conversar a ouvir o barrulho das ondas sentada com os pés em cima da doutra cadeira. Queria estar a fazer sombra aos olhos com a mão por causa do sol, apesar dos óculos escuros. E fazer silêncios na conversa. Só para ficar a pensar um bocadinho no que seria dito.

 

Ainda gostava de saber como vai ser isto depois de deixar de fumar.

 

TÉDIO


Cat2007

08.10.13

 

 

No tédio parece que estamos numa solitária viagem de comboio por uma longíssima planície sem casas e poucas árvores semeadas. O ritmo do tédio, neste caso, é marcado por aquele barulho repetitivo que o comboio faz a andar. Quando o tédio é no sofá ou numa cadeira de, por exemplo, um escritório, o tédio não tem ritmo marcado de fora. É só incapaz de ser distraído ou embalado.

 

O tédio significa pensamentos lentos como tartarugas gigantes a tentar correr. O tédio deixa os membros pesados. O tédio não passa se não mudarmos de sítio. Desde que não seja de comboio. Senão não passa mesmo. O tédio tem a ver com a obrigação de estar parado e não poder fazer outras coisas para além de corridas de tartarugas se fôssemos tartarugas. E tudo isto dá muito sono.

 

Há diferentes níveis de tédio. Há aquele que não passa mesmo quando se muda de sítio e não se vai de comboio. Este é o mais pesado e lento de todos. O mais profundo. É que o tédio tem a ver com a existência de impedimentos no pensar e no agir. Tem a ver com a obrigação de estar e de fazer. Ou, o que é pior, de estar e não fazer. Quando a liberdade é verdadeiramente sentida, nunca há tédio.

TÉDIO


Cat2007

05.01.13

 

 

 

Estava a pensar que não dá para fazer grande coisa sem paixão. Mas não é paixão. Estímulo é a palavra certa. Pode ser mais dinheiro. Pode ser a admiração dos outros. Pode ser o afeto de terceiros. Tem é que haver estímulo. De outro modo é um arrastanço. Contam-se os dias. E dentro dos dias as horas. E cada hora tem sessenta minutos.

 

É por isso que de vez em quando venho aqui escrever. Nem que seja para dizer nada. Neste momento não tenho nada para dizer sobre a política porque estou alérgica aos noticiosos. Já não dá para olhar mais para a cara da troika. Passos, Gaspar e Relvas. Eu que até  lia o Expresso de uma ponta à outra com exceção da revista, agora não quero ler nada. Para além de ouvir e de ver na televisão. O que também não quero.

 

Estou escondida nas novelas. Assim como quem está numa de lavar a cabeça de água fria todos os dias à noite. E no amor também estou bem. Sei que amo. E se mais não houvesse ou melhor, se alguma coisa faltasse, isso bastaria para haver solidez e consequentemente certeza.


Continua a chatear-me o facto de ter que me levantar cedo todos os dias e não poder fumar enquanto trabalho. Faz-me mal à saúde. 


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