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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

O QUE NA VERDADE INTERESSA


Cat2007

02.07.20

Pérolas aos Porcos — 23/04/2020 - Gustavo - Medium

 

Não pretendo ser como alguém, que já não está cá, me ensinou a ser. Curiosa e estudiosa para saber o mais possível de tudo um pouco. Sucede que não consigo ser assim. Há assuntos que não me interessam, e mais nada. Também, há processos e procedimentos através dos quais se chega a certos conhecimentos, que me enfadam. Assim, vai tudo dar ao mesmo. Ou seja, prefiro não saber. Ou seja, há coisas que não sei porque não quero e há outras que não conheço porque não gosto da forma de lá chegar. Exemplos, por exemplo, não me interessa e, na verdade, até me cansa, perceber o processo, que me foi explicado, através do qual a água da Barragem de Castelo de Bode abastece a cidade de Lisboa. Por outro lado, mas para chegar ao mesmo, ou à ignorância, também não sou capaz de andar pelos museus atrás dos guias explicadores das obras de arte. Prefiro não saber os conteúdos dos respetivos ensinamentos. Antes, vejo o que quero ver e aprendo por mim na medida em que a minha sensibilidade o permite.

Agora, quando me interesso, quando me interesso, tudo flui. Arranjo conhecimento dos outros que misturo com as minhas próprias apreensões sobre as coisas, em busca do resultado quase perfeito. E digo quase perfeito porque tenho noção de que a perfeição existe, mas faz perder demasiado tempo, produzindo resultados imperfeitos. E, assim, nesta especial contingência, não me importo de dar tudo para quase nada. Se for quase nada o que tenha a obter em determinadas circunstâncias, atentas as qualidades das pessoas recetoras. Com efeito, não me importo que, às vezes, algumas pérolas vão para os porcos.  Importa-me muito mais o que faço e o que faz em mim e de mim o que faço. É sempre mais um degrau que subo. Um degrau, mas de que escada? Não sei bem. Talvez pense que o espírito é uma escada com uma luz lá no topo.

 

 

O MEU GANHA-PÃO


Cat2007

08.04.20

 

oásis-no-meio-do-deserto-do-Saara (4) | Natureza incrível ...

 

Levantei-me relativamente cedo. Era para começar a fazer um trabalho aparentemente mais ou menos difícil com prazo para hoje. Por isso estava a sentir as minhas habituais resistências. Sempre que surge alguma tarefa que, do ponto de vista da realidade das coisas, possa parecer intelectualmente mais exigente, quero logo fugir. É que tenho de me concentrar. E isso para mim, para a minha cabeça indisciplinada, dá muito trabalho. E eu não gosto. Por outro lado, gosto muito, tenho o vício, aliás, de andar com os pensamentos como vento a soprar de certo modo enérgico sobre a areia leve no deserto. Importa-me o molde das dunas. As subidas, as descidas e as curvas. E depois o modo como tudo se altera. É por isso que não tenho muita paciência para estar devotamente concentrada em contextos (e textos) que, dada a respetiva natureza, são tendencialmente tão imutáveis como o andar das tartarugas. Não obstante, comecei fazendo planar (à força) o pensamento.  É disto que eu vivo. De ver andar as tartarugas. Segui, então, pacientemente o caminho em linha reta de uma de tamanho médio. Apesar de tudo, no fim da manhã a reptília cruzou a meta.

 

NÓS E OS OUTROS


Cat2007

29.01.20

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É verdade que não é possível meter toda a gente a resolver os problemas de toda a gente. Assim,  costuma propor-se que um conjunto de pessoas “próximas da situação” forme um “grupo de trabalho”. A ideia é identificar os referidos problemas e propor as respetivas medidas de combate. Claro que é necessário que as tais pessoas escolhidas estejam imbuídas de um certo espírito de missão e sentido do bem comum. Exige-se também uma bem doseada abstração do eu e, naturalmente, uma certa vontade de resolver.  

 

A questão é que, em muito casos, as coisas não se passam nada assim. É que as pessoas destes casos só pretendem exibir-se em grupo quanto ao que são capazes de fazer sozinhas e desabafar ali sobre o que de desagradável lhes acontece.

 

E assim se compreende a razão pela qual se estendem no tempo os trabalhos destes “grupos de trabalho”, bem como a reconhecida falta de alcance dos respetivos resultados.     

 

PRAZER NO TRABALHO


Cat2007

05.11.18

 

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São muitas horas a fazer o que não queria muito. Em tempos disseram-me que fazia bem qualquer coisa. Qualquer coisa não. Mas algumas coisas sim. Parece-me. Assim, faço bem o que não queria muito. E não faço muito daquilo que gosto. Porque são muitas horas a fazer o que não queria muito. Repito. Depois falta o impulso. Porque se metem travões ao envolvimento no que dá prazer. Por causa da falta de tempo livre.

 

SAIR MAIS CEDO


Cat2007

20.09.18

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Decidi trabalhar mais, pelo que passei a sair duas horas mais cedo todos os dias.

 

Foi como deixar de fumar aqueles cigarros que se fumam a mais inutilmente. Aqueles que nem sequer apetecem mas são queimados e absorvidos por causa talvez do tédio. E é verdade que, ao longo de um dia de trabalho em que se sai tarde, existem muitos momentos de tédio como os que motivam o consumo de cigarros que não dão prazer fumar, com as consequências que daí advém para a saúde.

 

Agora que tenho mais tempo diariamente, também me sinto mais disponível para fazer coisas durante o tempo que anteriormente também tinha livre (leia-se o fim-de-semana). Porque já não preciso de ocupar parte desse tempo a descansar.

 

ERRAR COM UM BOCADO MAIS DE CALMA


Cat2007

11.06.18

 

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No trabalho, as pessoas podiam andar a rir um bocado umas com as outras. Mas não, andam todas cheias de cuidados e medições. A tolerância ao erro é baixíssima e a pressão em relação aos prazos é enorme. Se as pessoas trabalhassem em equipa talvez se pudesse errar com um bocado mais de calma. Porque o erro é um instrumento de aprendizagem e de evolução. O erro estimula a criatividade. Numa equipa é possível minimizar os efeitos adversos dos erros: se eu não vi, tu vês. É assim. Não compreendo como as pessoas não compreendem estas coisas e se devotam ao exercício de um individualismo castrante, solitário e pernicioso.

 

WORK IN PROGRESS


Cat2007

16.10.17

 

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Tenho para aqui isto tudo parado. Na verdade, tudo se deve à falta de inspiração. E a falta de inspiração tem na raiz a ausência de um estímulo.De qualquer maneira, também não disse bem. Nem tudo é falta de inspiração. Porque tenho trabalhado imenso.

 

Quando se trabalha muito não há tempo para muitas pausas. E eu escrevo normalmente nas pausas do trabalho. Embora, algumas vezes, também me ponha a encher o blog quando estou em casa. Mas é raro. Uma pessoa sai do trabalho um bocado alérgica aos computadores. Por isso, se quero entrar na net, só mexo no meu telefone. Ora, no telefone não dá muito jeito escrever posts do género daqueles que eu publico aqui.

 

Bem, vou trabalhar.

OS CANALHAS, OS AMBIENTES E OS PROJETOS


Cat2007

01.09.17

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A solidão (ou a falta de realização afetiva) e as frustrações profissionais (cuja origem está na incapacidade do individuo alcançar determinados objetivos que escolheu para si) justifica muita coisa do que de mal as pessoas andam a fazer umas às outras.

 

Porém, não falo de toda a gente. Nem, sequer, da generalidade. Refiro-me a um ou outro canalha. Embora seja verdade que existem sítios que aglomeram uma grande quantidade de enxurro por metro quadrado (prense-se talvez na Assembleia da República).

 

Bem, mas é importante falar de um ou outro canalha que exista porque, relativamente aos canalhas e às suas vítimas, aplica-se a teoria da laranja podre: uma laranja estragada dá cabo de uma caixa de laranjas saudáveis.

 

Há, com efeito, pessoas que vivem e respiram para prejudicar os outros. Comecei por falar em solidão e frustração profissional como se estes fossem causas justificadoras das condutas. Porque, enfim, eu gosto de perceber as coisas. E não concebo resultados sem que antes se verifiquem factos que lhes deem origem. Tudo numa relação de causa e efeito. Tenho, pois, a mania de que tem de haver sempre uma razão para os acontecimentos. A verdade é que a solidão e a frustração profissional não justificam nada. A não ser que estejamos em face de uma boa pessoa que erra mas que se há-de emendar por força do peso na consciência.


A questão dos canalhas encartados, das cobras criadas, é outra. É o caráter. Há pessoas que têm realmente mau caráter. Ou seja, uma estrutura da personalidade montada para fazer mal ao semelhante, o que origina a desumanização dos ambientes e a desconstrução dos projetos.

 

FOR PLAY


Cat2007

27.06.17

 

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Estou para aqui a tentar escrever qualquer coisa. E já apaguei uma dezena de vezes. Parece que estou sem capacidade para desenvolver os assuntos. Pode ser do tempo. Ou pode ser porque não tenho muito tempo para estar aqui a empreender. Horário de trabalho. Que, no entanto, não é o decisivo. O que conta é horário para fazer o trabalho que está por fazer. Sim porque nunca levo trabalho para casa. Mas se me enfastiam os assuntos a tratar. O que fazer? Procrastinar. Só um bocadinho. É necessário. Porque depois é o embrenhamento total. Além de que enquanto faço este compasso de espera vou pensado em qual será a melhor forma de resolver os assuntos. No fundo, não procrastino a sério. Na verdade, só tomo tempo para me preparar. Senão demoro mais tempo no ato. Gosto de fazer as coisas depressa quando as estou a fazer. Sou impaciente. No entanto, depressa mas bem. É por isso, reforço, que preciso do referido for play.

AMBIENTE DE TRABALHO


Cat2007

18.05.17

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É claro que todos nós, se temos saúde, devíamos andar sempre contentes por ter saúde. Mas não. A saúde só está em primeiro lugar nas nossas prioridades quando há falta dela. No mais, existe a vida pessoal e a vida laboral. Acabei de dizer uma frase feita. E feita há muito tempo. É daquelas frases antigas. Do tempo das nossas avós quando já eram avós.

 

Toda a gente sabe que, se excluirmos as horas em que estamos a dormir, passamos mais tempo a trabalhar do que a viver o que, em princípio, mais nos importa. Coisa que nos devia chatear. E chateia. E só não chateia a quem viva um vazio e o trabalho lhe sirva também para o preencher.

 

O vazio está cheio de problemas para resolver, como as contas para pagar, os filhos para educar, a mulher ou o homem para aturar (ou a falta de todas estas coisas).

 

Há vazios de tal maneira grandes que as pessoas até se metem na administração do condomínio ou na astrologia.

 

Para além de uma certa tristeza, o vazio causa ao próprio principalmente irritação no local de trabalho. Porque o trabalho é coisa muito séria. Que isto não é só ir para ali à espera do ordenado no fim do mês.

 

As pessoas que se entregam ao trabalho da maneira irritada descrita sabem tudo sobre o respetivo ambiente. Sabem o que existe e sabem o que imaginam. Normalmente arranjam conflitos porque têm que dar forma emocional e emocionante às suas vivências ali. Baseiam-se quase sempre em mal entendidos que começam por conceber. E chateiam sempre os colegas. Também não gostam que os outros sejam bem-sucedidos. Porque consideram que dão tudo da sua vida por aquele trabalho. E se alguém merece ser recompensado, é o frustrado. Assim, revelam-se também invejosos e intriguistas.

 

Estas pessoas são essencialmente patéticas e basicamente umas chatas. Por isso cansa imenso ter que lidar com elas.

 

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