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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

FALAR UM BOCADINHO DE AMOR


Cat2007

10.06.21

É preciso falar aqui um bocadinho de amor. Há quem não queira sentir. Naturalmente para não sofrer. Da perda. A perda do amor é, por excelência, o evento emocionalmente (campo dos afetos e imaginação) mais castrante que podemos experimentar. Ora, uma castração é, por definição, irreversível. Então, se uma perda nos castra, é certo que vamos ficar incompletos para sempre. Mesmo que consigamos uma prótese, não é naturalmente a mesma coisa. Cada ser amado é insubstituível. E, como sabemos, “os cemitérios estão cheios de insubstituíveis”. Portanto, há muita gente viva, a que ama e perde, que não consegue, porque não é possível, preencher os espaços negros que ficaram em branco no espírito.

No entanto, continuamos a viver. É que perder faz parte do processo da vida. Não é uma infelicidade que simplesmente acontece. Todos estamos destinados a perder. Felizmente mais do que uma vez na vida. Hoje ou mais tarde. Perdemos. Aliás, logo que, indubitavelmente por mérito próprio, ganhamos um amor, nós que vivemos com esta impune sensação de eternidade, antecipamos automaticamente que um dia a perda virá. Por isso é que, como referi, há quem não queira sentir amor. Claro que pode suceder que, ao invés, nos percam. A questão é que aqui, porque somos egoístas de essência, sentimos que já não é um problema exatamente nosso. É por isso que muito raramente pensamos nisso.

Na verdade, pensamos, antes sim, no momento da perda, em como vamos de viver para a frente do novo estado que nos afeta. A saudade - não as saudades. A saudade: um vazio. As recordações: a imaginação a colonizar o cérebro com imagens de mil momentos vividos. Creio que é aqui que é preciso chamar o cérebro à razão para que usemos devidamente o coração. Como sabemos, o coração tem um lugar próprio que serve, foi concebido, para acomodar, apaziguando, as emoções desta espécie tão particularmente dolorosa, as quais, naturalmente, continuaremos a sentir, mas de um modo menos caótico. Quer dizer, a perda jamais se perderá. E, no entanto, porque trabalhámos o processo de libertar os demais espaços do coração e, por consequência, da cabeça, é possível continuar a viver e ser feliz.

PAREDÕES BRANCOS


Cat2007

17.05.21

Just as she is: Paredes brancas

 

Sempre tive medo daqueles elevadores que passam por grandes paredões porque fantasio que, se o aparelho parar, nunca mais saio lá de dentro. Como sair? Não há porta. É preciso ir puxar as roldanas ou lá o que é do elevador para o tirar do sítio. Tenho impressão que isso demora uma eternidade. Entretanto, fico com falta de ar e morro. Quando era pequena brinquei umas vezes dentro de um elevador assim. Um grande paredão branco a passar. Meti-me lá dentro sozinha. E andava para cima e para baixo. Era tão pequena, que mal chegava aos botões. Entretanto, apanharam-me nesta atividade e levei uma repreensão. Podia ter-me acontecido algo. Como não compreendi que poderia ser entalar uma mão ou coisa parecida, conclui que o pior que podia acontecer seria o elevador parar e eu ficar para ali esquecida para sempre. Nunca mais me meti naquele específico elevador. Desde então, detesto paredes brancas muito altas atrás das portas. É que as portas ficam inutilizadas no seu sentido útil se a parede não se afastar. E normalmente, as paredes não se afastam, embora não saiba se existem, para além das que estão à frente das portas dos elevadores. Então, sendo assim, as paredes brancas correm à frente das portas dos elevadores que, se não pararem, nos levam à porta de fora, que se, abrir, dá-nos um novo cenário. Enfim. Na vida, o elevador pode parar a meio da parede branca. E uma pessoa pode ter o tal ataque de falta de ar e até morrer. Porém, não é assim que as coisas se passam. Ou seja, as pessoas não costumam morrer dentro de elevadores. A menos que se incendeiem ou caiam nos buracos próprios. Na vida fora da minha fantasia da morte por asfixia, acontece o que disse. Chamam os homens que arranjam elevadores e eles vão lá acima mexer nos mecanismos. De maneira que o elevador acaba por chegar até uma porta qualquer. Claro que é sofrimento aquele sentimento que acompanha tal processo. E depois há o cenário que se abre. Não sabemos exatamente como será. Pelo menos é assim quando entramos em edifícios desconhecidos.

A ARCA PERDIDA


Cat2007

05.03.21

São estes os melhores restaurantes de praia perto de Lisboa

 

Cada vez é mais difícil vir aqui escrever. Porque o mundo, que está como está, não deixa por isso. Uma pessoa não é suficiente. Uma pessoa realiza-se no mundo, transformando-se pela aprendizagem de novidades que vêm com as experiências que vai vivendo, um em cada todos os dias, e partilha. Ler livros, ver filmes e ouvir outras músicas não é suficiente. Aliás, cada vez mais, parece que estes produtos já não são do mundo de cá, mas que provêm do interior de uma grande arca perdida. Tal é a distância entre a vida de que falam e este nosso designado “novo normal”.  Eu, que estou a ouvir o sambinha feito de uma nota só, uma peça muito popular da verdadeira música clássica brasileira, sou apanhada pelos respetivos ritmos tropicais, que cheiram ao sol de uma esplanada cheia de gente bronzeada a rir desmascarada, a qual pode ficar ali mesmo na praia do Meco, caso não desse jeito ir ao Brasil para a coisa ser ainda mais intensa. E é isto que temos, a saudade.

Assim, do que fica escrito comprova-se a minha incapacidade de dizer alguma coisa de novo, como de resto comçei por declarar.

 

CÍCUTA


Cat2007

23.05.20

 

Divagando: Setembro 2016

 

Os grandes abalos fazem-nos o que os tremores de terra, os incêndios ou os ataques terroristas fazem aos edifícios que ainda ficam de pé. Rachaduras e fissuras profundas, cores negras. Depois é preciso reparar, havendo engenheiros e outros para isso. A questão é que nunca mais nada volta a ser como dantes. Os edifícios. Os edifícios deixam de ser os mesmos depois das intervenções. Até porque, forçosa ou forçadamente, mudam na estrutura e na aparência. Até pode ser que apareçam mais atraentes e funcionais. Mas, insisto, não são os mesmos. As pessoas não são as mesmas. Acresce que acabam por aparecer infiltrações, curto-circuitos e outras manifestações assim, que vão requerendo pequenas novas reparações. E as pessoas, que, entretanto, já se tornaram mais fortes por causa da cicuta que os imperadores iam tomando em pequenas doses, continuam a tocar a vida para a frente. Até com alguma esperança não se sabe bem em quê. Porque não estão deprimidas.

 

A QUESTÃO DO FEITIO


Cat2007

16.04.20

Pattern: Tom Ford Blazer | Jacket Idea | Padrões de pano, Padrão ...

 

A alma é a energia, a vida. O espírito é a personalidade em potência. A personalidade é o modo de agir sustentado num certo conjunto de princípios que condicionam uma série de regras de conduta, as quais são também determinadas por audácias e temores, podendo existir uma personalidade vincadamente boa ou, por outro lado, o que se costuma designar por mau caráter, em virtude da ausência de alguns daqueles (bons) princípios. Dito isto, resta-me saber o que é o feitio. Nos blazers o feitio é a forma essencial. Nas pessoas não. Isso é o espírito, como disse. Não. Não sei mesmo o que é o feitio. Só sei que ouço falar dele. Do bom e do mau. E tem bom feitio todo o ser que, por exemplo, é permissivo e “deixa que lhe passem por cima” e tem mau feitio aquele que em bom português das telenovelas brasileiras “não leva desaforo para casa”, por exemplo também. De facto, não sei. Não sei onde começaria o feitio e acabaria o caráter, a personalidade. O bom caráter não se identificaria necessariamente com o bom feitio. Assim como o mau feitio não representaria um mau caráter. E digo isto reafirmando que não sei muito bem o que é o feitio. Porque, veja-se que, dependendo dos nervos e do nível de stress, os comportamentos alteram-se em situações perfeitamente idênticas. Já para não falar de comportamentos diferenciados em função da pessoa-recetor. De maneira que talvez isso do feitio não seja mais do que uma perfeita invenção.

 

O SENTIDO DA VIDA


Cat2007

18.10.19

Resultado de imagem para mudança

 

É como se eu fosse de um material maleável e me moldasse e a forma com que ficasse determinasse o modo como passei a mover-me hoje. Claro que isto é assim com toda a gente. De qualquer maneira, muitas vezes digo,  principalmente para mim mesma, que houve vivências que eram bem escusadas. Por, de algum modo somente aparente, terem sido inúteis e apenas más embora saiba bem que não podia ser assim. É que, senão, já não gostava de mim da maneira como gosto agora. Que é diferente de outras de determinados passados. Mas, enfim, uma pessoa tem de mudar, sendo certo que, em algumas circunstâncias, poderá ter, e tem, que mudar a mal. Embora tal também se passe a bem. Seja como for, a mudança pessoal, interior, é o que dá o sentido à vida, uma vez que nos mantém em movimento. Ou seja, a viver, uma vez que o sentido da vida é viver.

SÓ POR HOJE


Cat2007

15.01.19

Resultado de imagem para um dia de cada vez

 

Como sabemos, em termos materiais, só existe o presente. Tudo o mais são memórias (as que ficam) e projeções (as possíveis). Por isso é que, quer se queira quer não, a vida se consubstancia na experiência de todos os dias vivida um dia de cada vez.

 

ASPIRINAS


Cat2007

17.09.18

Resultado de imagem para aspirina

 

Não gosto de frases feitas. Mas tenho uma grande simpatia por lugares comuns. As frases feitas são vazias de sentido útil porque significam nada para cada ser considerado na sua individualidade. Que é como deve ser considerado cada ser. Os lugares comuns são outra coisa. São formas de falar fácil para produzirem entendimentos rápidos e precisos. Têm a maior utilidade. Toda a gente consegue compreender o que é “ter a vida presa por arames”. Ninguém percebe o que significa, por exemplo, “levantar a cabeça e seguir em frente”. É que isto não tem nada de pessoal. É tipo uma aspirina, que serve para aliviar momentaneamente quase todas as dores, mas não cura doença nenhuma.

 

O CIRCULO


Cat2007

12.07.18

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Ter sono no local de trabalho é quase trágico. Estou cheia de sono. Malgrado ter já tomado quatro cafés. De qualquer modo, tenho o trabalho todo sob controlo. Ou seja, amanhã faço. E faço porque dá para fazer tudo amanhã. Portanto, prometo que hoje vou para a cama cedo.

 

Mas, como disse, ter sono no local de trabalho é quase trágico. Porque a cabeça não nos anima os músculos e as horas que estão a passar não passam simplesmente. Na verdade, uma pessoa só se sente bem no trabalho a trabalhar. Se eu estivesse a trabalhar, já tinha saído daqui. Já tinha tocado para a saída.

 

Claro que posso sempre sair antes do toque. Mas é que na terça não vim e ontem sai a tarde toda. Assim, não queria abusar. Embora seja verdade que, se eu saísse mesmo agora, ninguém se sentisse abusado por causa disso.

 

Mas se, no local de trabalho, uma pessoa só se sente bem a trabalhar, porque não trabalho eu agora, tendo trabalho para fazer? Porque tenho sono. Já disse. Sou perfecionista numa certa forma de ver as coisas. Só gosto de coisas muito bem-feitas. O que não vai suceder hoje.

 

Pese embora esteja a deixar aqui uma imagem não muito positiva sobre mim no trabalho, gostaria de me justiçar. Eu gosto do que faço, faço bem e depressa. E são estas as razões que fundamentam estes lapsos para o sono e outros dedicados à procrastinação.

 

Finalmente, não sei a que propósito exatamente mas, no meio do sono, estava a pensar nas fases da vida, tendo concluído que, na infância o ser é inteiro, depois, durante boa parte da vida, uma pessoa anda a impor-se o que sentir e durante a outra parte anda a impor-se o que pensar. Por fim, numa terceira fase, se não apanhar Alzheimer ou outra doença que provoque demência grave, encontra-se. Dai os sorrisos dos velhos terem um brilho tão parecido com o das crianças. Dá ideia que, mais do que um ciclo, a vida faz um circulo.

 

MUDAR DE MENTALIDADE


Cat2007

04.07.18

 

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A mentalidade não muda antes de mudarem os processos de vida. Ou seja, as pessoas só mudam de mentalidade se forem obrigadas a isso. Se as coisas, as circunstâncias, mudarem de tal forma que não reste outra alternativa senão o comportamento correto para chegar à ideia certa consentânea com a correção daquele. Assim, e por fim, pela repetição imposta de um determinado comportamento o indivíduo começa a acreditar que o que tem de ser deve efetivamente ser. E já nem se lembra que, certa vez, o obrigaram a agir daquele modo, pensando que sempre pensou assim.

 

 

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