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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CÍCUTA


Cat2007

23.05.20

 

Divagando: Setembro 2016

 

Os grandes abalos fazem-nos o que os tremores de terra, os incêndios ou os ataques terroristas fazem aos edifícios que ainda ficam de pé. Rachaduras e fissuras profundas, cores negras. Depois é preciso reparar, havendo engenheiros e outros para isso. A questão é que nunca mais nada volta a ser como dantes. Os edifícios. Os edifícios deixam de ser os mesmos depois das intervenções. Até porque, forçosa ou forçadamente, mudam na estrutura e na aparência. Até pode ser que apareçam mais atraentes e funcionais. Mas, insisto, não são os mesmos. As pessoas não são as mesmas. Acresce que acabam por aparecer infiltrações, curto-circuitos e outras manifestações assim, que vão requerendo pequenas novas reparações. E as pessoas, que, entretanto, já se tornaram mais fortes por causa da cicuta que os imperadores iam tomando em pequenas doses, continuam a tocar a vida para a frente. Até com alguma esperança não se sabe bem em quê. Porque não estão deprimidas.

 

A QUESTÃO DO FEITIO


Cat2007

16.04.20

Pattern: Tom Ford Blazer | Jacket Idea | Padrões de pano, Padrão ...

 

A alma é a energia, a vida. O espírito é a personalidade em potência. A personalidade é o modo de agir sustentado num certo conjunto de princípios que condicionam uma série de regras de conduta, as quais são também determinadas por audácias e temores, podendo existir uma personalidade vincadamente boa ou, por outro lado, o que se costuma designar por mau caráter, em virtude da ausência de alguns daqueles (bons) princípios. Dito isto, resta-me saber o que é o feitio. Nos blazers o feitio é a forma essencial. Nas pessoas não. Isso é o espírito, como disse. Não. Não sei mesmo o que é o feitio. Só sei que ouço falar dele. Do bom e do mau. E tem bom feitio todo o ser que, por exemplo, é permissivo e “deixa que lhe passem por cima” e tem mau feitio aquele que em bom português das telenovelas brasileiras “não leva desaforo para casa”, por exemplo também. De facto, não sei. Não sei onde começaria o feitio e acabaria o caráter, a personalidade. O bom caráter não se identificaria necessariamente com o bom feitio. Assim como o mau feitio não representaria um mau caráter. E digo isto reafirmando que não sei muito bem o que é o feitio. Porque, veja-se que, dependendo dos nervos e do nível de stress, os comportamentos alteram-se em situações perfeitamente idênticas. Já para não falar de comportamentos diferenciados em função da pessoa-recetor. De maneira que talvez isso do feitio não seja mais do que uma perfeita invenção.

 

O SENTIDO DA VIDA


Cat2007

18.10.19

Resultado de imagem para mudança

 

É como se eu fosse de um material maleável e me moldasse e a forma com que ficasse determinasse o modo como passei a mover-me hoje. Claro que isto é assim com toda a gente. De qualquer maneira, muitas vezes digo,  principalmente para mim mesma, que houve vivências que eram bem escusadas. Por, de algum modo somente aparente, terem sido inúteis e apenas más embora saiba bem que não podia ser assim. É que, senão, já não gostava de mim da maneira como gosto agora. Que é diferente de outras de determinados passados. Mas, enfim, uma pessoa tem de mudar, sendo certo que, em algumas circunstâncias, poderá ter, e tem, que mudar a mal. Embora tal também se passe a bem. Seja como for, a mudança pessoal, interior, é o que dá o sentido à vida, uma vez que nos mantém em movimento. Ou seja, a viver, uma vez que o sentido da vida é viver.

SÓ POR HOJE


Cat2007

15.01.19

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Como sabemos, em termos materiais, só existe o presente. Tudo o mais são memórias (as que ficam) e projeções (as possíveis). Por isso é que, quer se queira quer não, a vida se consubstancia na experiência de todos os dias vivida um dia de cada vez.

 

ASPIRINAS


Cat2007

17.09.18

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Não gosto de frases feitas. Mas tenho uma grande simpatia por lugares comuns. As frases feitas são vazias de sentido útil porque significam nada para cada ser considerado na sua individualidade. Que é como deve ser considerado cada ser. Os lugares comuns são outra coisa. São formas de falar fácil para produzirem entendimentos rápidos e precisos. Têm a maior utilidade. Toda a gente consegue compreender o que é “ter a vida presa por arames”. Ninguém percebe o que significa, por exemplo, “levantar a cabeça e seguir em frente”. É que isto não tem nada de pessoal. É tipo uma aspirina, que serve para aliviar momentaneamente quase todas as dores, mas não cura doença nenhuma.

 

O CIRCULO


Cat2007

12.07.18

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Ter sono no local de trabalho é quase trágico. Estou cheia de sono. Malgrado ter já tomado quatro cafés. De qualquer modo, tenho o trabalho todo sob controlo. Ou seja, amanhã faço. E faço porque dá para fazer tudo amanhã. Portanto, prometo que hoje vou para a cama cedo.

 

Mas, como disse, ter sono no local de trabalho é quase trágico. Porque a cabeça não nos anima os músculos e as horas que estão a passar não passam simplesmente. Na verdade, uma pessoa só se sente bem no trabalho a trabalhar. Se eu estivesse a trabalhar, já tinha saído daqui. Já tinha tocado para a saída.

 

Claro que posso sempre sair antes do toque. Mas é que na terça não vim e ontem sai a tarde toda. Assim, não queria abusar. Embora seja verdade que, se eu saísse mesmo agora, ninguém se sentisse abusado por causa disso.

 

Mas se, no local de trabalho, uma pessoa só se sente bem a trabalhar, porque não trabalho eu agora, tendo trabalho para fazer? Porque tenho sono. Já disse. Sou perfecionista numa certa forma de ver as coisas. Só gosto de coisas muito bem-feitas. O que não vai suceder hoje.

 

Pese embora esteja a deixar aqui uma imagem não muito positiva sobre mim no trabalho, gostaria de me justiçar. Eu gosto do que faço, faço bem e depressa. E são estas as razões que fundamentam estes lapsos para o sono e outros dedicados à procrastinação.

 

Finalmente, não sei a que propósito exatamente mas, no meio do sono, estava a pensar nas fases da vida, tendo concluído que, na infância o ser é inteiro, depois, durante boa parte da vida, uma pessoa anda a impor-se o que sentir e durante a outra parte anda a impor-se o que pensar. Por fim, numa terceira fase, se não apanhar Alzheimer ou outra doença que provoque demência grave, encontra-se. Dai os sorrisos dos velhos terem um brilho tão parecido com o das crianças. Dá ideia que, mais do que um ciclo, a vida faz um circulo.

 

MUDAR DE MENTALIDADE


Cat2007

04.07.18

 

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A mentalidade não muda antes de mudarem os processos de vida. Ou seja, as pessoas só mudam de mentalidade se forem obrigadas a isso. Se as coisas, as circunstâncias, mudarem de tal forma que não reste outra alternativa senão o comportamento correto para chegar à ideia certa consentânea com a correção daquele. Assim, e por fim, pela repetição imposta de um determinado comportamento o indivíduo começa a acreditar que o que tem de ser deve efetivamente ser. E já nem se lembra que, certa vez, o obrigaram a agir daquele modo, pensando que sempre pensou assim.

 

 

A CASA ARRUMADA


Cat2007

10.01.18

 

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Nós somos feitos de um património. Mental/emocional, físico e material. Claro que nós só somos mental/emocional e físico. Digo isto porque já ouvi alguém dizer que nós somos aquilo que podemos transportar. Basicamente o nosso corpo em todas as suas aceções. Mas se não estivermos a olhar pelo prisma do transporte, nós somos o que comecei por dizer: nós também somos o que temos. Não por virtude de raciocínios ou avaliações de terceiros mas pelas coisas que a coisa nos faz. O que nos mudam os bens. Melhor, o que fazem os bens de nós.

 

Com exceção das pessoas que não habitam casas, as pessoas habitam casas. Assim, cada um tem a sua casa (que pode ser partilhada ou não). E para que serve a casa? Repouso, recolhimento, intimidade, refúgio, prazer, conforto, lazer.

 

Eu não acho que uma casa esteja desarrumada se as camas não estiverem feitas, se houver casacos pendurados em cima de cadeiras, se houver livros ou discos em cima de uma mesa de apoio, se a manteiga estiver fora do frigorífico… Antes, a casa está marcada pelas experiências humanas a que se destina. É uma casa vivida.

 

As casas não podem estar impecáveis. As coisas nas casas não podem estar sempre nos seus sítios. É importante que existam cabides de pé. Que é para haver alguma roupa abandonada fora dos roupeiros. Já estive em casas com o chão a brilhar. Detesto. Tenho medo de escorregar. Há também umas pessoas que posicionam definitivamente os seus objetos de décor. E eu não lhes posso tocar. Para mim tocar nas coisas é fundamental. Certa vez peguei na mão de uma pessoa e encostei à minha pele do tronco. Toquei na pessoa com a minha pele do tronco. Foi assim que decidi que haveríamos de namorar com toda a certeza.

 

SURPRESAS


Cat2007

03.11.17

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O meu pai sempre me disse que é fundamental “ter os pés bem assentes na terra”. Só assim se pode ser nomeadamente corajoso. No princípio pensei que ele estava a falar de realismo: temos que olhar para as coisas como elas são e não como gostaríamos que fossem.

 

Mas não era disto que ele tratava. Antes, falava em contexto. No contexto pessoal. De ter a exata noção das regras e factos que, respetivamente, regem e determinam a nossa experiência de vida. Quer dizer, saber quem somos (no sentido de saber quais são as nossas capacidades) e ter a noção daquilo com que contamos. No fundo, poder viver sem surpresas.

 

E, com efeito, não gosto de surpresas que não sejam daquelas que ocorrem em datas festivas. Gosto das surpresas dos presentes de Natal e de aniversário. E é claro que também gosto daquelas surpresas que tornam as datas festivas. Por exemplo, reencontrar um amigo de abraço. De resto, não gosto de surpresas. Basicamente, não gosto de ser surpreendida. Não quero que me aconteçam coisas que eu não espero, portanto. Embora elas sucedam, ainda assim. Porque é a vida.

 

MARIA-RAPAZ


Cat2007

01.02.16

 

Há pessoas que parecem inseguras. Mas não são. São, antes, ansiosas. Tudo está na infância e a culpa é dos pais. Por ação ou omissão. Há pais que costumam castigar os seus filhos a sério sem nunca explicarem bem a razão do castigo e, pior, castigando sempre da mesma maneira, independentemente da gravidade da falta da criança. Deste modo, o problema das crianças que são vítimas assim está na falta de senso de graduação das coisas. Por causa disto tornam-se crianças ansiosas e, mais tarde, adultos ansiosos.

 

Como disse, para além das ações, os pais podem ser culpados por omissão. Embora, neste caso, muitas vezes sem culpa. Eu, por exemplo, fui vítima daquelas senhoras donas de casa impolutas filhas da mãe. Sempre que me apanhavam sozinha, chamavam-me a atenção para certas coisas que eu fazia e que, na ótica delas, eram desadequadas para uma menina. Assim, não devia subir árvores, jogar à bola com os rapazes e andar à pancada, por exemplo. Nunca fizeram isto à frente dos meus pais, pelo que eles nunca tiveram possibilidades de me defender. E portanto, não defenderam. Eis aqui uma omissão que me lixou. Com efeito, acabei por acreditar nelas, nas donas de casa, por serem pessoas adultas, e acabei por contrariar a minha natureza alegre, espontânea e expansiva. Deixei de ser uma “maria-rapaz” para me tornar numa menina bem comportada.

 

A adoção de comportamentos contranatura, que são comportamentos que contrariam a natureza das pessoas, de cada pessoa, provoca obrigatoriamente danos na autoestima e não só. Produz efeitos de natureza ansiosa. Quem não está na sua pele não sabe bem como agir.

 

Entretanto, uma pessoa cresce neste processo em que se habituou a sufocar os seus instintos mais primários e começa a apreender outras formas de reagir. Isto sucede com toda a gente. Mas as pessoas ansiosas, que, como disse, o são porque em pequenas assim as fizeram, têm uma dificuldade maior em andar à pancada por palavras calmas e certeiras. No entanto, aprendem como os demais. Embora com mais alguma dor.

 

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